Entre o século XI e o início do século XIV houve a retomada do crescimento demográfico na Europa Ocidental. Os dados permitem uma visão mais clara

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1 ARQUITETURA GÓTICA

2 O período conhecido por Baixa Idade Média, que se estendeu dos séculos X ao XV, foi marcado por profundas transformações na sociedade, as quais conduziram à superação das estruturas feudais e à progressiva estruturação do futuro modo de produção capitalista. Nos planos: Econômico Economia auto-suficiente Economia comercial Social Hierarquia estamental Político surgimento de novos grupos sociais poder universal do senhor feudal poder centralizado do soberano

3 Entre o século XI e o início do século XIV houve a retomada do crescimento demográfico na Europa Ocidental. Os dados permitem uma visão mais clara milhões 48 milhões 50 milhões 61 milhões 73 milhões Estes números são importantes para se compreender melhor as transformações que ocorrem na Europa a partir de então. O crescimento populacional esbarrava nas limitações do modo de produção feudal. A produção se tornava insuficiente para atender ao consumo. Os senhores feudais, buscando ajustar o consumo à produção, expulsavam o excedente populacional de suas terras. Boa parte dessa população estabeleceu-se em aldeias ou em antigos centros urbanos convertendo-os em mercados latentes, em incipientes pólos comerciais Por sua vez, o crescimento demográfico também forçou o desenvolvimento de novas tecnologias e técnicas agrícolas: arados, os animais passaram a ser atrelados, os moinhos hidráulicos foram aperfeiçoados, etc.

4 O ressurgimento do comércio se deu por conta de algumas cidades italianas ajudadas pela sua posição geográfica e relações com o Oriente a partir da Quarta Cruzada. Estas cidades obtiveram a primazia na distribuição das mercadorias orientais por todo o continente europeu O aumento do comércio leva primeiramente ao uso dos rios como rotas de transporte. Com o tempo, os comerciantes começaram a se reunir em feiras. O comércio possibilitou o retorno das transações financeiras, com o reaparecimento da moeda e depois de algum tempo com a invenção do banco. Assim, a terra deixava de ser a única expressão da riqueza do indivíduo com o aparecimento dos mercadores. O século XII assiste o aparecimento das ligas, poderosas associações de comerciantes que congregavam os interesses de diversas cidades, realizando o comércio em grande escala. As ligas foram responsáveis pela dinamização das cidades e dos mercados. A ascensão do comércio teve clara influência no renascimento urbano.

5 A ascensão dos comerciantes permitiu que se instalasse, na Baixa Idade Média, o estilo de vida urbano e em consequência novas classes sociais foram aparecendo. As vilas e as cidades cresceram tão rapidamente que, por volta do século XIV, em algumas regiões, metade da população já se dedicava a atividades comerciais e artesanais. Muitos centros urbanos tomaram impulso a partir de antigas vilas romanas, enquanto outros surgiram espontaneamente na confluência de estradas, junto à foz de um rio, perto de abadias, junto a castelos ou em locais de feiras. As cidades da Baixa Idade Média passaram a ser conhecidas como burgos pelo fato de muitas serem fortificadas (em latim, burgo significa fortaleza) Embora desenvolvessem livremente as atividades de comércio e artesanato, as cidades medievais situavam-se em áreas pertencentes a feudos. Submetiam-se, portanto, à autoridade dos senhores feudais, sendo os burgueses obrigados a pagar pesados impostos

6 Algumas cidades conseguiram se livrar da tutela do senhor feudal através de guerras. A liberdade era garantida através das cartas de franquia. Uma vez emancipadas da tutela feudal e organizadas em governos comunais, as cidades deram suporte ao desenvolvimento da economia monetária e mercantil. Nas cidades medievais, as instituições econômicas básicas eram as corporações de mercadores e as corporações de ofício. A primeiras, também chamadas de guildas, buscavam garantir o monopólio do comércio local; a segunda visava manter manter o monopólio da atividade. No final da Idade Média, com a intensificação do comércio, a mobilidade hierárquica de grande parte das corporações tornou-se menor. O enriquecimento de uma parcela dos mestres levou-os a adquirir o controle e a exclusividade daquelas atividades artesanais para si e para suas famílias. Com o tempo, estes conseguiram se capitalizar o suficiente para deixarem de ser mestres e se tornarem exclusivamente empregadores burgueses.

7 O florescimento do Gótico, originário da região de Paris, esteve intimamente ligado à prosperidade da economia urbana e ao desenvolvimento do conhecimento Igrejas Românicas Criação das comunidades rurais dos monges Catedrais Góticas É típica das cidades e dos artífices das corporações de ofício, refletindo a mentalidade típica da Baixa Idade Média

8 Por volta de 1137, o rei Luis VI decidiu reconstruir uma parte da antiga (século VIII) catedral de Saint-Denis, que servia como residência real e lugar de coroação das rainhas francesas. Em 1140, a reforma prosseguiu com a remodelagem do altar e a tentativa por parte dos arquitetos do rei em inundar a catedral com a maior quantidade possível de luz. Os arquitetos do rei chegaram a duas ideias revolucionárias: criaram um arco pontiagudo, como o qual podiam ampliar as aberturas acanhadas das antigas igrejas românicas; e a criação da abóbada de cruzaria (derivada da abóboda de aresta). Terminada em 1144, tornou-se a primeira igreja gótica e protótipo para todas as outras.

9 Com o intuito de combinar luz e altura, as novas igrejas góticas partiram da tecnologia existente aplicadas nas igrejas românicas e avançaram alguns passos adiante. O arco perfeito arco ogival ou arco quebrado as pressões laterais são menores, permitindo alcançar alturas maiores

10 Abóboda de Cruzaria junção de vários arcos ogivais e que descarregam a força em 6 nervuras principais que se transformam em pilares. Talvez a maior conquista técnica dos arquitetos da Baixa Idade Média tenha sido a capacidade de realizar grandes aberturas nas paredes das novas igrejas. A partir da igreja de Saint-Dennis, as paredes deixaram de ser estruturais e passaram a ser de basicamente de vedamento.

11 Comparadas às maciças igrejas românicas, as catedrais góticas são absolutamente leves. Revelam o conhecimento técnico de seus idealizadores. São construções imponentes, cujas torres se projetam para o céu em alturas, até então, inconcebíveis. Suas paredes abriam-se em imensas janelas, que, adornadas de vitrais, permitiam que o interior fosse invadido por luzes multicoloridas, dando-lhe nova dimensão e significado. A catedral gótica, banhada de luz e cor, decorada com pinturas e esculturas, significava mais do que um templo para o homem medieval: era também sua escola, sua biblioteca, sua galeria de arte, o ponto de encontro de uma próspera sociedade Os burgueses não entravam na catedral apenas para rezar: ali se reuniam em suas confrarias para realizar as assembleias civis. Era a casa do povo, o próprio coração da cidade, representando ao mesmo tempo o seu poderia e o da Igreja.

12 As imensas catedrais góticas da Baixa Idade Média reuniam pelo menos dois componentes quase antagônicos. De um lado, a imensa religiosidade cristã-feudal expressa na grandiosidade do templo e no predomínio da verticalidade, buscando Deus e os céus. X De outro, a fonte de recursos que possibilitaram a edificação das catedrais, obtidos com a urbanização, seu progresso e engenhosidade, articulados à vida voltada cada vez mais para os mercados. Era ao mesmo tempo a chegada e a partida: o resultado do mundo feudal expresso no poderio da Igreja Católica e a matriz do desenvolvimento urbano fundado no comércio crescente. Sintetizava-se o passado e o futuro, uma tensão corporificada no harmonioso estilo gótico das monumentais catedrais medievais.

13 Outras características construtivas... A ênfase no vertical O próprio arco ogival, por si só, já dá a dimensão da importância do elemento vertical. Esse elemento será reforçado por outros elementos e pela decoração dos edifícios. As imensas torres reforçam externamente as dimensões verticais jamais alcançadas na história europeia até então. As colunas interiores avançam em altura abrindo suas nervuras ao encontro com os arcos de apoio estrutural Catedral de Colônia Alemanha

14 Luz Uma das características mais marcantes da arquitetura gótica é a área conquistada das paredes para serem transformadas em grandes aberturas evidraçadas. Através dos anos, devido a versatilidade do arco ogival, as janelas góticas se desenvolveram de simples aberturas para imensas peças com rica decoração e entendimento do fenômeno luminoso. A partir de um certo período, as janelas passaram a ser adornadas com vitrais, o que adicionou mais um elemento ao controle da luz que se tornou uma das especialidades dos arquitetos góticos, além de se tornar importante peça de narrativa bíblica, fundamental em uma sociedade de pessoas iletradas. É desse período a criação do elemento arquitetônico chamado de rosácea. Trata-se de uma abertura circular trabalhada com uma espécie de tapeçaria de pedra. A rosáceas geralmente marcam o portal da fachada principal

15 Majestade A fachada principal, também chamada de fachada leste, de uma grande catedral gótica é geralmente pensada para uma forte impressão naquele que se aproxima dela para rezar. Este recurso é utilizado para reforçar o poder de Deus e o poder da Igreja que O representa. Elemento central da fachada majestosa é a grande porta principal de entrada, geralmente ladeada por outras portas auxiliares. Como moldura para a porta principal da grande catedral encontramos o tímpano geralmente apresentando um significativo trabalho escultural, retratando a majestade de Deus, o dia do julgamento final. Coroando a fachada central da catedral, principalmente no gótico francês, inglês, espanhol e alemão, encontramos duas torres laterais. Muitas vezes entre a grande porta central e a rosácea encontramos um trabalho de pintura ou mosaico

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