MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55. Planejamento Estratégico

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1 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55 Planejamento Estratégico Criança e Adolescente 2010

2 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 56 INTRODUÇÃO Tema: Criança e Adolescente A questão da infância e da adolescência foi eleita como tema prioritário pela atual Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão. Tal prioridade decorre do disposto no artigo 227 da Constituição Federal. Além disso, o Brasil é signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 20 de novembro de 1989 e que a adotou como Carta Magna para as crianças de todo o mundo. Segundo publicação do IBGE 1, Indicadores Sociais de 2008, a situação da infância no Brasil melhorou, mas ainda se encontra distante de um patamar considerado satisfatório. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio - PNAD 2007, demonstrou que há 82,4 milhões de crianças e adolescentes no país, o que corresponde a 43,4% em relação ao total da população do Brasil. Segundo a pesquisa 46% das crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos viviam com rendimento mensal familiar de até ½ salário mínimo per capita contra 30% do total dos brasileiros. Entre os domicílios com crianças de até 06 anos de idade, 54,5% possuem condições adequadas de saneamento adequado. O nível de freqüência escolar de crianças de 0 a 3 anos aumenta de acordo com o rendimento familiar. Entre aquelas que vivem em famílias consideradas pobres, a taxa de freqüência escolar era de 10,8%. Nas mais ricas, com mais de 3 salários mínimos de rendimento mensal familiar per capita, a taxa de freqüência era quatro vezes maior (43,6%). No que tange aos adolescentes que praticaram atos infracionais, apesar dos esforços em implementar medidas efetivamente socioeducativas, deparamo-nos com uma realidade ainda muito distante da ideal. Estudos indicam que os delitos praticados pelos adolescentes em conflito com a lei são majoritariamente crimes patrimoniais e não crimes contra a vida. Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA sobre o perfil do adolescente que cumpre medida de privação de liberdade (internação) no Brasil demonstrou que, no período de setembro a outubro de 2002, o roubo representou aproximadamente 41,2% do total de infrações praticadas por adolescentes privados de liberdade ao passo que o homicídio representou aproximadamente 14,7% dos delitos. Outro ponto importante é a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes. Dados da Pequisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil PESTRAF, publicada em 2002, revelaram que a maioria das pessoas exploradas são meninas e mulheres de 12 a 18 anos, sendo a maioria afrodescendente e migram internamente ou para fora do país. Outra questão a ser destacada é o direito à convivência familiar e comunitária. Pesquisa realizada em 2005 pelo IPEA sobre O Direito à Convivência Familiar e Comunitária: os abrigos para crianças e adolescentes no Brasil revelou os seguintes dados acerca das 20 mil crianças e adolescentes abrigadas são, na maioria, meninos (58,5%), afros-descendentes (63%) e têm entre 7 e 15 anos (61,3%). Desses, 52,6% 1 IBGE. Estudos e Pesquisas. Informação Demográfica e Socioeconômica n. 23. Síntese de Indicadores Sociais. Uma análise das condições de vida da população brasileira 2008.

3 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 57 vivia nas instituições há mais de dois anos, sendo que dentre elas, mais de 1/3 (32,9%) estava nos abrigos por um período entre dois e cinco anos; 13,3% entre seis e 10 anos; e 6,4% por um período superior a dez anos. Destaca-se que 86,7% possuem família, sendo que 58,2% mantêm vínculos familiares e apenas 5,8% estão impedidos judicialmente de contato com os familiares. Somente 4,6% são órfãos e 6,7% têm situação de família desaparecida. A pobreza foi apontada como o principal motivo do abrigamento, (24,1%) dos casos, seguidos do abandono (18,8%); a violência doméstica (11,6%); a dependência química dos pais ou responsáveis, incluindo alcoolismo (11,3%); a vivência de rua (7,0%); e a orfandade (5,2%). Mais de um terço dos dirigentes entrevistados (35,5 %) se referem às condições socioeconômicas, especialmente a pobreza, como a principal dificuldade para o retorno de crianças e adolescentes abrigados para suas famílias. Diante de tão preocupante quadro de violações de direitos infanto-juvenis, a PFDC elegeu como meta prioritária de atuação e bem assim como objetivo geral desse planejamento estratégico zelar pelo efetivo cumprimento dos direitos de crianças e adolescentes assegurados na Legislação Nacional e em Tratados e Convenções Internacionais, bem como Planos Nacionais de Políticas para as Crianças e Adolescentes e de Direitos Humanos (PNDH 3 Diretriz 8; Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária/PNCFC, Sistema Nacional Socioeducativo/SINASE, Plano Nacional de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes). OBJETIVOS ESTRATÉGICOS 1. Zelar para efetividade dos direitos das criança e dos adolescentes, com enfoque no direito à proteção integral, respeitando sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. 2. Zelar pelo cumprimento da medida socioeducativa de internação (adolescente em conflito com a Lei), para que assegure a proposta socioeducativa proposta na Lei 8.069/90 e no Sistema Nacional Socioeducativo/ SINASE, bem assim demais direitos assegurados na Constituição Federal. 3. Zelar pela implementação da promoção, garantia e defesa dos direitos infanto-juvenis, inclusive pelo acompanhamento do Orçamento Criança e Adolescente. 4. Difundir, entre os membros, os parceiros e a sociedade, as informações e os resultados de monitoramentos e avaliações das políticas públicas direcionadas à promoção e à proteção dos direitos infanto-juvenis, bem assim experiências exitosas/boas práticas nessa área. 5. Inserir na agenda das autoridades a prevalência dos direitos das crianças e adolescentes. 6. Desenvolver estratégias conjuntas com órgãos públicos e organismos internacionais e não governamentais, apoiando ações e campanhas educativas/preventivas pelo enfrentamento a todas as formas

4 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 58 de violência contra as crianças e adolescentes (enfrentamento ao abuso e a exploração sexual, combate ao trabalho infantil, publicidade voltada para o público infantil, contra a redução da maioridade penal, entre outras). 7. Valorizar a importância do protagonismo infanto-juvenil, de forma a assegurar o direito de opinião e participação de crianças e adolescentes. 8. Desenvolver estratégias, no âmbito do MPF, com vistas ao estabelecimento de ações para aplicação do programa Adolescente Aprendiz e estágio contemplando adolescentes em conflito com a Lei, nas unidades do MPF. 9. Destacar, entre proposições legislativas em tramitação no Congresso Nacional, as que a PFDC elaborará Nota Técnica. 10. Zelar pela implementação do Plano Nacional do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. SUJEITO DE DIREITO 1. Crianças e Adolescentes. TEMAS Em consonância com os preceitos constitucionais, a PFDC elegeu os seguintes temas e subtemas de atuação: 1. Sistema Nacional Socioeducativo - Adolescentes autores de atos infracionais. 2. Plano Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual Infanto-Juvenil (Abuso, Exploração Sexual, Pedofilia/ Pornografia) Atendimento às vítimas/redes de atenção. 3. Plano Nacional de Promoção e Direito à Convivência Familiar e Comunitária - Abrigos. 4. Direito à Profissionalização e Trabalho Digno do Adolescente Aprendiz. Estágio no MPF 5. Política Orçamentária.

5 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO Participar de reuniões relacionadas à temática Criança e do Adolescente, trazendo propostas/sugestões de atuação da PFDC. PLANO DE AÇÃO 2. a) Colher dados disponibilizados no Observatório Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente a fim de subsidiar a atuação da PFDC na questão dos adolescentes em conflito com a Lei. b) Realizar evento com vistas a despertar e promover o exercício do voto consciente dos adolescentes em conflito com a Lei. c) Fazer contato, com vistas a futura parceria, com entidades que tratem do tema em tela a fim de estabelecer agenda conjunta para garantir os direitos dos adolescentes em conflito com a Lei. 3. a) Firmar parceria com instituição abalizada a fim de acompanhar a efetividade do orçamento federal destinado à infância e à adolescência. 4. a) Divulgar, na página virtual da PFDC, as experiências exitosas na área da infância e da juventude, notadamente, aquelas que foram premiadas e/ou indicadas por entidades reconhecidas na defesa dos direitos infanto-juvenis, bem assim as informações disponibilizadas no site Observatório Nacional dos Direitos da Criança. 5. a) Apoiar eventos e campanhas que promovam os direitos infanto-juvenis, bem assim incentivar a participação das/os PRDC/PDC e dos GTs da PFDC. 6. a) Apoiar e participar de ações e campanhas em parceria com organismos internacionais, órgãos governamentais e não governamentais que visem prevenir e coibir todas as formas de violência contra crianças e adolescentes. b) Realizar seminários, audiências públicas, debates sobre o tema. c) Elaborar cartilhas voltadas para crianças e adolescentes e suas famílias, divulgando o ECA. d) Propor, em parceria, concurso em Direitos Humanos/Estatuto da Criança e do Adolescente e) Inserir link/banner do site Turminha do MPF na página inicial da PFDC na internet. 7. Incluir a participação, com direito a fala/voz, de crianças e adolescentes nos eventos promovidos pela PFDC ou em parceria em relação aos direitos infanto-juvenis. 8. Incentivar, no âmbito da PGR e do MPF, a implementação do Programa Adolescente Aprendiz e Estágio, priorizando a contratação de adolescentes em situação de vulnerabilidade social e aqueles em cumprimento de socioeducativas de liberdade assistida, de semiliberdade, bem assim, aqueles egressos das unidades de internação.

6 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO Acompanhar e manifestar-se, quando couber, em relação a tramitação de proposições legislativas que ampliem/violem e/ou restrinjam direitos de crianças e adolescentes. 10. Acompanhar, em parceria com organização não governamental, a implementação do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. RESULTADOS ESPERADOS 1. Colocar na agenda das instituições públicas e privadas, o zelo pela prioridade dos direitos das crianças e dos adolescentes. 2. a) Aumentar o número de ressocialização dos adolescentes em conflito com a Lei, garantidas as medidas com caráter socioeducativo, em consonância com as diretrizes estabelecidas no SINASE e direitos dispostos no ECA. b) Propiciar aos adolescentes eleitores que exerçam sua cidadania. 3. A destinação eficaz dos recursos federais alocados para a garantia e respeito dos direitos de crianças e adolescentes. 4. Articulação das políticas de atenção a crianças e adolescentes com atenção aos direitos constitucionais e regulamentados pelo ECA, bem assim disseminar as boas práticas nessa área. 5. Maior envolvimento dos PDC na prevenção, garantia e defesa dos direitos infanto-juvenis. 6. a) Sensibilização e conscientização da sociedade acerca dos direitos de crianças e adolescentes. b) Realização de evento/atividade, sobre o dia 18 de Maio Dia de Combate e Enfrentamento ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. c) Publicar, em meio virtual e impresso, cartilhas informativas sobre direitos de crianças e adolescentes. 7. Incentivar maior participação, com direito a voz e opinião, de crianças e adolescentes em relação a temas que envolvam seus direitos. 8. A implementação do Programa Adolescente Aprendiz e de Estágio, no âmbito interno, a fim de dar oportunidade de aprendizado ao maior número possível de adolescentes que atendam aos critérios exigidos para inserção aos Programas. 9. Contribuir para que o Congresso Nacional não perca de vista o princípio da prioridade absoluta das crianças e adolescentes.

7 PROCURADORIA FEDERAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO Diminuir o número de crianças e adolescentes em abrigos, garantindo o efetivo direito à convivência familiar e comunitária. INTERAÇÃO Reunião de apresentação do protocolo a organizações da sociedade. Data: Local: sala de reuniões da PFDC Organizações convidadas: FNDCA - Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente INESC Instituto de Estudos Socioeconômicos UNICEF Brasília Escritório da Representante do UNICEF no Brasil NECA - Associação dos Pesquisadores de Núcleos de Estudos e Pesquisas sobre a Criança e o Adolescente O INESC, com sede em Brasília, esteve presente. As demais organizações agradeceram o convite, parabenizaram a iniciativa e justificaram a impossibilidade da presença, na data.

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