PROGRAMA AGENDA TJPA SOCIOAMBIENTAL

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1 PROGRAMA AGENDA TJPA SOCIOAMBIENTAL PROPOSTA DE IMPLANTAÇÃO EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS Excelentíssima Senhora Desembargadora Presidente do Tribunal de Justiça do Estado: Submetemos à apreciação de Vossa Excelência a presente proposta de implantação no âmbito do Poder Judiciário Estadual do programa AGENDA TJPA SOCIOAMBIENTAL, em atendimento à recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). OBJETO A gestão ambiental pode ser definida como o processo de administração das questões referentes ao meio ambiente dentro das organizações. Visa ao uso de práticas que garantam a conservação e a preservação da biodiversidade, a reciclagem das matérias-primas e a redução do impacto ambiental das atividades humanas sobre os recursos naturais. As demandas geradas pela Administração Pública, especialmente por meio da aquisição dos materiais necessários ao desenvolvimento de suas atividades e à efetiva prestação de serviços públicos, lhe impõe o dever de preservar o meio ambiente, conforme disposto no art. 225 da CF/88. Nesse sentido, o CNJ editou a Recomendação n.º 11, de 22 de maio de 2007, orientando os Tribunais para que adotem políticas públicas visando à formação e recuperação de um ambiente ecologicamente equilibrado.

2 A definição de uma política de gestão ambiental que promova mudanças de hábitos e atitudes a nível existencial e institucional, tendo em vista a inserção de critérios ambientais na gestão dos órgãos integrantes do Poder Judiciário Estadual, é o objeto da presente proposta. JUSTIFICATIVA Mudar hábitos e procedimentos não é uma tarefa simples em uma instituição, seja ela pública ou privada. É preciso determinação e coragem para implementar ações que contribuam para a redução dos problemas sócio-ambientais que afetam a vida da população. O intitulado programa AGENDA TJPA SOCIOAMBIENTAL propõe-se a estimular a adoção de atitudes e procedimentos que levem ao uso consciente dos recursos naturais e dos bens públicos, contribuindo para reduzir os impactos ambientais causados pela entrega da prestação jurisdicional. A enorme quantidade de recursos ambientais utilizados nos procedimentos administrativos e judiciais envolvidos na entrega da prestação jurisdicional, bem como de resíduos sólidos oriundos dessas atividades e a crescente conscientização da necessidade urgente de que sejam estimulados tanto a economia, quanto a racionalização do uso desses recursos, constituem a motivação e a justificação da presente proposta, cujo suporte jurídico encontra-se constitucionalmente estabelecido. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 170, VI, estabelece: Art A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e prestação 1 (Os grifos não constam no texto original). O caput do art. 225 da CF/88 dispõe: Art Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos, o Decreto n.º 5.378, de 23 de fevereiro de 2005, instituiu o Programa Nacional de Gestão Pública e Desburocratização GESPÚBLICA 2. Dentre os objetivos do programa, o art. 2º, III e IV, prevê: 1 2

3 Art. 2º O GESPÚBLICA deverá contemplar a formulação e implementação de medidas integradas em agenda de transformações da gestão, necessárias à promoção dos resultados preconizados no plano plurianual, à consolidação da administração pública profissional voltada ao interesse do cidadão e à aplicação de instrumentos e abordagens gerenciais, que objetivem: (...) III - promover a eficiência, por meio de melhor aproveitamento dos recursos, relativamente aos resultados da ação pública; IV - assegurar a eficácia e efetividade da ação governamental, promovendo a adequação entre meios, ações, impactos e resultados. O Decreto n.º 5.940, de 25 de outubro de , que institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis, em seu art. 6º, determina: Art. 6 o Os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão implantar, no prazo de cento e oitenta dias, a contar da publicação deste Decreto, a separação dos resíduos recicláveis descartados, na fonte geradora, destinando-os para a coleta seletiva solidária, devendo adotar as medidas necessárias ao cumprimento do disposto neste Decreto. Parágrafo único. Deverão ser implementadas ações de publicidade de utilidade pública, que assegurem a lisura e igualdade de participação das associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis no processo de habilitação. (Os grifos não constam no texto original). De forma mais abrangente e com o objetivo de reduzir o impacto ambiental provocado pelos órgãos do Poder Judiciário, o CNJ editou a Recomendação n.º 11, de 22 de maio de 2007, orientando os Tribunais para que: (...) adotem políticas públicas visando à formação e recuperação de um ambiente ecologicamente equilibrado, além da conscientização dos próprios servidores e jurisdicionados sobre a necessidade de efetiva proteção ao meio ambiente, bem como instituam comissões ambientais para o planejamento, elaboração e acompanhamento de medidas, com fixação de metas anuais, visando à correta preservação e recuperação do meio ambiente. (Os grifos não constam no texto original). A recomendação do Conselho foi motivada, dentre outros fatores, pela recente discussão mundial sobre o aquecimento global e suas causas e conseqüências nefastas para a existência da vida no planeta. Parte do princípio de que a administração pública tem papel preponderante na criação de novos padrões de consumo e produção, na condição de grande consumidora e usuária dos recursos naturais. 3

4 Experiência de outros Tribunais Inúmeros tribunais estaduais e federais já implantaram agendas ambientais e da mesma forma, quase todos os Tribunais Regionais do Trabalho. Dentre eles destacamos algumas iniciativas, como a do TJE/RS e do TJ/DF, que possuem as mais completas e especializadas, tendo esta última, inclusive, criado o projeto do fórum verde, já inserido no moderno conceito de arquitetura judiciária. O TRT da 8ª Região, por nós visitado pessoalmente e onde obtivemos os dados iniciais para apresentação da proposta inicial, implantou há um ano seu programa TRT AMBIENTAL, que, dentre outros, objetiva implementar uma cultura anti-desperdício e de utilização coerente dos recursos naturais e dos bens públicos, já iniciou a implementação de uma série deles, como a coleta seletiva e a substituição gradativa dos insumos e dos materiais utilizados em serviço por produtos recicláveis e que acarretem menos danos ao meio ambiente. Com esses fundamentos, apresentamos a proposta de instituição do programa AGENDA TJPA SOCIOAMBIENTAL no âmbito do Poder Judiciário Estadual, que após sua aprovação, deverá ser complementada por programas específicos a serem desenvolvidos por esta comissão.

5 5 PODER JUDICIÁRIO PROPOSTA O programa AGENDA TJPA SOCIO-AMBIENTAL é direcionado para a qualidade de vida no ambiente de trabalho e para a adoção de critérios e práticas que contemplem as necessidades ambientais. Baseia-se nas diretrizes sugeridas pela Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). Judiciário estadual: de ambiente de trabalho, atividade jurisdicional; São os seguintes os pressupostos para a implantação do programa no âmbito do Poder - Diagnóstico ambiental: caberá à Comissão já criada pela Presidência do TJE, com apoio de consultoria especializada, identificar pontos críticos e propor a revisão procedimentos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no bem como reduzir os desperdícios gerados pela - Definição de indicadores, metas, projetos e planos de ação: a partir do diagnóstico, será estabelecido um conjunto de indicadores e metas, além do desenvolvimento e priorização de projetos e atividades de maior urgência e relevância; - Implementação: a Comissão contará com o apoio de um representante de cada unidade judiciária ou administrativa, preferivelmente voluntário, que demonstre interesse pelas questões ambientais e capacidade de participação, comunicação e cooperação, que deverá receber a orientação e o treinamento necessários à colaboração com as ações do programa; realização de palestras de sensibilização e treinamentos, além da captação de recursos físicos e/ou financeiros para a viabilização do programa; - Avaliação e monitoramento: verificação da efetividade na implementação dos programas, identificando falhas e oportunidades de melhoria e encaminhamento de relatório anual para a Presidência do Tribunal, até o dia 10 de fevereiro,

6 6 PODER JUDICIÁRIO com informações alcançados pelo programa; detalhadas acerca das ações desenvolvidas e resultados - Reconhecimento e premiação: criação do Prêmio QUALIDADE AMBIENTAL para destacar as unidades engajadas na preservação do meio ambiente, de acordo com critérios objetivos a serem definidos pela Comissão. Caberá à Comissão de Gestão Ambiental o planejamento, elaboração e acompanhamento de medidas, com fixação de metas anuais, visando à correta preservação e recuperação do meio ambiente 4. Dentre as ações a serem desenvolvidas, o CNJ recomenda, por exemplo: a) utilização de papel reciclado e não clorado nos impressos do Poder Judiciário, sejam de natureza administrativa ou processual e sua substituição gradativa pelo processo virtual; b) instituição da coleta seletiva de resíduos, destinando recipientes individuais para plástico, papel, metal e vidro, e a ulterior doação do material coletado a entidades assistenciais que se responsabilizem pela correta utilização do material para a devida reciclagem; c) aquisição de impressoras que imprimam, automaticamente, em frente e verso; d) aquisição de bens e materiais de consumo que levem em consideração o tripé básico da sustentabilidade: ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável; e) uso sustentável da água, da energia e de combustíveis, inclusive com utilização de energia solar fotovoltaica quando possível; f) construção de edifícios ecologicamente corretos (arquitetura judiciária) 5. Algumas sugestões previstas na Recomendação, bem como outras oriundas de pesquisas realizadas junto a diversos órgãos públicos, podem ser adotadas imediatamente, tais como: 4 5 -Substituição dos copos descartáveis por canecas de porcelana ou vidro e da água acondicionada em copos plásticos por bebedouros refrigerados: além de haver a possibilidade de serem as canecas doadas por instituições parceiras, a ação é uma poderosa estratégia de envolvimento e incentivo à conscientização ambiental. A

7 7 PODER JUDICIÁRIO partir dos subsídios gerados pelo diagnóstico, outras iniciativas poderão ser gradativamente incorporadas ao programa. Pelo exposto, respeitosamente submetemos a presente proposta à superior consideração de V. Exa. e do Egrégio Tribunal de Justiça. MARIA VITÓRIA TORRES DO CARMO VERA ARAÚJO DE SOUZA KÁTIA PARENTE SENA SÍLVIA REGINA NOBRE MOREIRA BASTOS

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