SECRETARIA DE SAÚDE SECRETARIA EXECUTIVA DE COORDENAÇÃO GERAL DIRETORIA GERAL DE PLANEJAMENTO - GERÊNCIA DE GESTÃO ESTRATÉGICA E PARTICIPATIVA

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1 NOTA TÉCNICA 07/13 RELATÓRIO ANUAL DE GESTÃO - RAG ORIENTAÇÕES GERAIS Introdução O Planejamento é um instrumento de gestão, que busca gerar e articular mudanças e aprimorar o desempenho dos sistemas de saúde. Nesse sentido, planejar significa definir prioridades, mobilizar recursos e esforços em prol de objetivos conjuntamente estabelecidos além de monitorar e avaliar, dentro de uma lógica transparente e dinâmica, com o propósito de orientar os processos do Sistema de Saúde em seus vários espaços. Os instrumentos de Planejamento tem por finalidades, entre outras: apoiar o gestor na condução da prestação de ações e serviços do SUS no âmbito de seu território, de modo que alcance a efetividade esperada na melhoria dos níveis de saúde da população e no aperfeiçoamento do Sistema; disponibilizar os meios para o aperfeiçoamento contínuo da gestão participativa e das ações e serviços prestados; apoiar a participação e o controle social bem como auxiliar o trabalho interno e externo, de controle e auditoria. Dentre os instrumentos de Planejamento encontra-se o Relatório Anual de Gestão (RAG). Tal instrumento, normatizado pela Lei nº 8.142/90 e Portaria 2.135/2013 é objeto de detalhamento desta Nota Técnica. 1

2 1. O que é o Relatório Anual de Gestão (RAG)? O RAG é o instrumento que apresenta os resultados alcançados com a execução da Programação Anual de Saúde (PAS), de acordo com o conjunto de metas, ações e indicadores desta, orientando os eventuais ajustes no Plano de Saúde (PS) correspondente. Além disso, é norteador das ações de Auditoria e de controle, constituindo-se no instrumento de comprovação da aplicação dos recursos repassados do Fundo Nacional de Saúde para os Fundos de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, utilizando como uma importante ferramenta o Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS). É importante frisar que, desde 2008, por meio da Portaria GM/MS nº 325/08, a aprovação do RAG pelo Conselho de Saúde passou a ser um indicador pactuado nacionalmente, com meta de 100% para a realização do mesmo. O Relatório Anual de Gestão deverá ser elaborado na ferramenta eletrônica Sistema de Apoio ao Relatório Anual de Gestão (SARGSUS), disponível em: ( cuja alimentação é anual, regular e obrigatória, conforme definido na Portaria nº GM/MS 575/ Qual a estrutura do RAG? Quanto a sua estrutura, o RAG deve conter, minimamente: I - as diretrizes, objetivos e indicadores do Plano de Saúde; II - as metas da PAS previstas e executadas; III - a análise da execução orçamentária; e IV - as recomendações necessárias, incluindo eventuais redirecionamentos do Plano de Saúde. 2

3 ATENÇÃO: No caso dos entes federados que assinarem o Contrato Organizativo de Ação Pública em Saúde (COAP), estes deverão inserir no RAG sessão específica relativa aos compromissos assumidos e executados. 3. Quem é o responsável pela elaboração do RAG? O RAG é um instrumento de competência dos Gestores municipal e estadual e caberá à equipe de planejamento do ente federado sistematizar o trabalho realizado pelas áreas técnicas, conformando o documento final. Este documento deve ser inserido no SARGSUS, garantindo ao controle social local a sua apreciação, avaliação e inserção de parecer no Sistema, assegurando o acesso público a todas às informações. 4. SARGSUS: o que é, qual sua importância e finalidade? O Sistema de Apoio à Construção do Relatório Anual do SUS SARGSUS é uma ferramenta eletrônica que tem o objetivo de apoiar Municípios e Estados na construção dos seus Relatórios Anuais de Gestão. Constitui-se em um instrumento informatizado que facilita a elaboração e o envio do RAG, utilizando a interoperabilidade como ferramenta para busca das informações nas bases de dados nacionais, tais como: Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), Sistema de Informação sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS), SISPACTO, DATASUS e IBGE, que servirão para qualificar os processos e práticas do monitoramento e avaliação da gestão. Portanto, é essencial a alimentação destes sistemas por parte dos entes federados a fim de que as informações buscadas pelo SARGSUS estejam de acordo com a realidade municipal, estadual e orientem a análise dos dados de forma coerente. A ferramenta armazena e disponibiliza informações estratégicas, possibilitando aos gestores o cumprimento dos prazos legais de aprovação do RAG nos respectivos Conselhos de Saúde, bem como a emissão de relatórios gerenciais que permitem o acesso público, facilitando a avaliação e a publicização das informações sobre o desempenho da Gestão do SUS. 3

4 5. Qual o prazo legal de envio do RAG aos respectivos Conselhos de Saúde (CS)? O SARGSUS foi implantado em 2010, entretanto só teve obrigatoriedade de alimentação em 2011, a partir do Acórdão TCU nº 1.459/2011 e da Portaria nº 575/2012. O Acórdão traz a obrigatoriedade da alimentação do Relatório Anual de Gestão a Estados e Municípios e a permissão no Sistema ao acesso público dos relatórios de gestão via internet ( A Portaria 575/2012 além de reforçar a obrigatoriedade de alimentação, elenca os objetivos do Sistema, em seu art. 2º. Além destes documentos, a Lei Complementar Nº 141/2012 em seu Capítulo IV Art. 36 1o traz a obrigatoriedade do envio do RAG ao respectivo Conselho de Saúde, até o dia 30 de março do ano seguinte ao da execução financeira, cabendo ao Conselho de Saúde emitir parecer conclusivo sobre o cumprimento ou não das normas instituídas nesta Lei Complementar, ao qual será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público. Os respectivos Conselhos de Saúde deverão emitir o parecer sobre o RAG no SARGSUS conforme a Resolução 453/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que institui como uma de suas competências, anualmente deliberar sobre a aprovação ou não do relatório de gestão. 6. Qual a relação do RAG com o Relatório Detalhado Quadrimestral? O Relatório Detalhado Quadrimestral (RDQ) é um importante instrumento de monitoramento e acompanhamento da execução das ações e serviços de saúde, ao qual o gestor do SUS, em seu âmbito de atuação, está obrigado a apresentar aos órgãos de controle interno e externo nos termos da Lei Complementar nº 141/2012. Este Relatório irá subsidiar a construção do Relatório Anual de Gestão, que deverá 4

5 ser apresentado até março do ano subsequente ao exercício, conforme explicitado anteriormente. Assim sendo, o RDQ passa a ter interface com os instrumentos de gestão, sendo ferramenta de acompanhamento da Programação Anual de Saúde (PAS) e parte da composição do RAG, possibilitando intervenção em tempo hábil. Dessa forma, deve haver coerência entre o Relatório Detalhado Quadrimestral e o Relatório Anual de Gestão (RAG), uma vez que os itens I, II e III do art. 36 da LC 141 estão presentes na estrutura atual do RAG. O RDQ deverá ser apresentado pelo Gestor do SUS até o final dos meses de maio, setembro e fevereiro do ano subseqüente, em Audiência Pública na Casa Legislativa e enviada ao Conselho de Saúde do respectivo ente federado. É importante observar que o envio ao Conselho de Saúde tem por objetivo a apreciação e acompanhamento. Não cabe ao conselho deliberar (aprovar ou não) o RDQ, mas pode emitir sugestões em sua formatação e conteúdo, que possam ser incorporadas ou não aos relatórios subsequentes e ao RAG. 7. Qual o papel dos Conselhos de Saúde na análise do RAG? Uma vez alimentado o SARGSUS, cabe à equipe de trabalho apresentar o RAG ao Conselho de Saúde para esclarecimentos, discussão e incorporação de contribuições. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) tem adotado uma metodologia de reuniões com a equipe da Comissão de Orçamento e Finanças do Conselho Estadual de Saúde (CES), onde são discutidas as áreas prioritárias e todas as dúvidas e solicitações levantadas pelo CES são sanadas pela Gestão. Após este momento, é produzido um parecer que será encaminhado ao plenário do CES, cabendo aos conselheiros acatar ou não, ou até mesmo levantar novas discussões. Após a decisão final da plenária é produzida resolução com o parecer 5

6 sobre o Relatório Anual de Gestão analisado, que deve ser homologada pelo Secretário de Saúde, no prazo máximo de trinta dias, após o plenário. Para garantir a transparência do processo e a legitimidade do RAG, a resolução do CMS deverá ser anexada ao SARGSUS, publicizada no Diário Oficial e no site do governo local, caso possua. 8. Calendário sugerido para construção do RAG 2013 e Revisão da PAS 2014 É importante ressaltar que os instrumentos de planejamento devem estar articulados de forma a compor um processo cíclico de planejamento para operacionalização integrada, solidária e sistêmica do SUS. FLUXO PARA OS INSTRUMENTOS DE SAÚDE Plano de Saúde Intenções e Compromissos Atuação contínua Programação Anual de Saúde Programação e Execução Atuação articulada Relatório Quadrimestral Atuação Integrada Monitoramento e Avaliação Relatório Anual de Gestão Neste sentido, na medida em que o RAG é construído tem-se a possibilidade de se ajustar a PAS do ano subseqüente, já que com a análise de execução de metas, aquelas que não foram executadas naquele ano, poderão ser reprogramadas para o próximo. Em 2014, no caso da Gestão Municipal, será o ano da primeira programação do período de vigência do PMS

7 Sugestão de Cronograma para organização do processo de trabalho: Envio do instrumento de coleta elaborado pela área de planejamento da SMS do RAG 2013 e da revisão da PAS 2014 até Novembro/2013 para as áreas técnicas; Entrega das informações sobre o RAG 2013 e revisão da PAS 2014 pelas áreas técnicas até a 1ª quinzena de Fevereiro/2014; Consolidação e Alimentação do SARGSUS e envio ao Conselho de Saúde até 28 de Março de 2014 pela SMS. 9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 1. BAHIA. Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Manual Prático de Apoio à elaboração de planos municipais de Saúde. Salvador, p. 2. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Planejamento do SUS - Uma Construção Coletiva Instrumentos Básicos Vol. 6. Brasília, DF, p BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Planejamento do SUS - Uma Construção Coletiva Instrumentos Básicos Vol. 2. Brasília, DF, p. 19; 29-31; SANTA CATARINA. Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina. Guia para elaboração do plano municipal de saúde. Florianópolis, SC, p. 5. SÃO PAULO. Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo. Instrumento de Planejamento da Gestão Municipal do SUS - Nota Técnica CIB. São Paulo, SP, p. 7

8 10. LEGISLAÇÃO CONSULTADA 1. Acórdão TCU nº 1459/2011, de 03/06/11 Dispõe sobre a obrigatoriedade na alimentação do Relatório Anual de Gestão no sistema SARGSUS a estados e municípios e permite o acesso aos relatórios de gestão registrados no SARG-SUS por qualquer cidadão via internet; 2. Decreto GM/MS nº de 28/06/11 Regulamenta a Lei 8080/90 e dispõe sobre a organização do sistema público de saúde, o planejamento da saúde, a assistência à saúde e a articulação interfederativa; 3. Lei Complementar nº 141 de 13/01/12 - Dispõe sobre os valores mínimos a serem aplicados anualmente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios em ações e serviços públicos de saúde; estabelece os critérios de rateio dos recursos de transferências para a saúde e as normas de fiscalização, avaliação e controle das despesas com saúde nas três esferas de governo; e revoga dispositivos das Leis n os 8.080, de 19 de setembro de 1990, e 8.689, de 27 de julho de 1993; 4. Portaria GM/MS nº 575, de 29/03/12 - Institui e regulamenta o uso do Sistema de Apoio ao Relatório Anual de Gestão (SARGSUS), no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS); 5. Portaria GM/MS nº 1239, de 14/06/12 - Dispõe sobre a ampliação do prazo para a atualização do Sistema de Apoio ao Relatório Anual de Gestão (SARGSUS) no ano de 2012; 6. Resolução CNS nº 453, de 10/10/12 - Aprova o Modelo Padronizado de Relatório Quadrimestral de Prestação de Contas para os Estados e Municípios, conforme dispõe o parágrafo 4º do artigo 36 da Lei Complementar nº 141/ Portaria GM/MS nº 2.135, de 25/09/13 - Estabelece diretrizes para o processo de planejamento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 8

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