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1 Circular N/REFª: 29/2013 DATA: 04/03/2013 ASSUNTO: Taxas de Publicidade Exmos. Senhores, No seguimento de anteriores comunicações sobre o assunto em epígrafe, junto se remete informação do nosso consultor jurídico, na sequência do despacho do Provedor de Justiça, relativamente a uma queixa apresentada pela CCP. Com os melhores cumprimentos, A Secretária-Geral Ana Vieira /jf

2 - INFORMAÇÃO - ASSUNTO: Taxas de publicidade informação e comentário ao despacho do Senhor Provedor de Justiça 1. Há longos meses que a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal CCP vem desenvolvendo acções, quer de informação dos seus Associados quer de intervenção junto de entidades oficiais, sobre o tema das chamadas taxas de publicidade, liquidadas e cobradas tanto pelas câmaras municipais como pela EP - Estradas de Portugal, S.A.". Enquadra-se nestas diligências a queixa apresentada ao Provedor de Justiça, de que agora recebemos o despacho final. 2. A posição da CCP, oportunamente comunicada aos seus Associados, sintetizase em considerar que a qualificação das quantias cobradas por aquelas entidades como taxas de publicidade" é errónea porque: a) não é verdadeira publicidade, já que na maior parte dos casos se trata de letreiros, luminosos ou não, que meramente contêm a denominação social da empresa e/ou o nome do estabelecimento desta; b) ainda que de publicidade se tratasse, não consubstanciaria uma verdadeira taxa, visto que não é contrapartida de qualquer serviço prestado, mas um verdadeiro imposto, ferindo-se assim de inconstitucionalidade a sua imposição por uma câmara ou por uma empresa por violar a reserva de lei da Assembleia da República. 3. No despacho que agora pronuncia, o Provedor de Justiça começa por abordar as questões acima suscitadas, sobre as quais aduz que há abundante jurisprudência (incluindo do Supremo Tribunal Administrativo) que considera aquelas mensagens como publicidade, dado que se trata de informação dirigida ao público com intenção de promover uma actividade económica ou determinado produto (sic). Mais acrescenta que o Tribunal Constitucional, no Acórdão nº 177/2010, tirado em Plenário, por unanimidade, inflectiu a jurisprudência dominante, passando a perspectivar o tributo em causa como uma taxa. Ainda assim, refere o Provedor que para estudo da questão foi organizado outro processo na Provedoria de Justiça. Aguardamos o desfecho deste novo processo, mas, pela nossa parte, continuaremos a pugnar pela caracterização

3 destas como taxas municipais inconstitucionais por publicidade inexistente. 4. No que se refere às taxas cobradas pela Estradas de Portugal, o Provedor de Justiça reitera a posição que antes comunicou e que divulgámos oportunamente junto dos Associados -, segundo a qual estas são indevidas, o que já verteu em Recomendação dirigida à administração daquela Empreasa. Mais informa o Senhor Provedor que tal Recomendação não foi acatada, tendo sido feita diligência pela Provedoria junto do Ministro da Economia e Emprego, manifestando discordância com a argumentação da Estradas de Portugal e expondo as razões que o levam a crer na necessidade de uma intervenção legislativa. Pela nossa parte, acompanharemos estas diligências. 5. Detém-se, então, a comunicação do Provedor de Justiça na apreciação da questão mais específica da subsistência destas taxas, à luz das novas leis sobre o licenciamento zero. Segundo o Provedor, "a Lei nº 97/88, na sua redacção inicial, fazia depender a afixação e a inscrição das mensagens publicitárias de natureza comercial de licenciamento das autoridades competentes. E prossegue, considerando que, no âmbito da iniciativa Licenciamento Zero, aquela Lei foi alterada e passou a prever que a afixação e a inscrição das mensagens publicitárias ali identificadas não está sujeita a qualquer acto permissivo, até mesmo à «mera comunicação prévia» (art. 31º do Dec-lei nº 48/2011). Consideradas as dúvidas que reconhece existirem na interpretação da Lei do Licenciamento Zero (LLZ), o Provedor pediu esclarecimento à Agência para a Modernização Administrativa (AMA, IP). Respondeu esta Agência que a LLZ não chegara a entrar em vigor nesta parte, devido à falta de instalação do Balcão do Empreendedor (art. 1º/7 da Lei 97/88, com a redacção dada pelo Dec-lei 48/ LLZ). E continua o Provedor, presumimos que parafraseando a AMA: apesar de as alterações introduzidas pela LLZ implicarem a eliminação do licenciamento da afixação e inscrição de mensagens publicitárias de natureza comercial, ainda assim o legislador determinou que, na afixação e inscrição das mesmas mensagens, fossem respeitados os critérios definidos para esse fim pelos

4 municípios (art.1º/5 da Lei 97/88, na redacção dada pelo LLZ). É a aplicação conjugada deste preceito específico e do nº 7 do mesmo art. 1º (nova redacção LLZ) que faz a AMA alertar para o facto de as taxas deverem continuar a ser liquidadas ao abrigo da redacção inicial da Lei 97/88, até à entrada em funcionamento do Balcão do Empreendedor, acessível pelo Portal da Empresa. Considera, porém, o Provedor de Justiça como nós havíamos feito numa das interpelações/queixas que lhe dirigimos que a supracitada interpretação da AMA suscita dúvidas, visto que é a própria Lei do Licenciamento Zero (LLZ citada no seu anexo IV) que estabelece critérios que devem ser observados na afixação e inscrição de mensagens publicitárias não sujeitas a licenciamento, para o caso de os municípios não os definirem, os quais produziriam efeitos antes da sua divulgação no Balcão do Empreendedor. Concordamos. Toda esta querela parece, porém, entretanto ultrapassada pela publicação da Portaria nº 284/2012, de 20-9 que altera a Portaria 131/2011 ( Balcão do Empreendedor ) -, nos termos expressos da qual (art. 1º) o Decreto-lei 48/2011 (LLZ) produz efeitos a partir de 2 de Maio de 2013, nomeadamente nas seguintes matérias: «eliminação do licenciamento das mensagens publicitárias referidas nas alíneas b) e c) do nº 3 do art. 1º da Lei 97/88, na redacção dada pela LLZ». 6. É, na verdade, confirmável que a lei (proémio do nº 3 do art. 1º da Lei 97/88, na redacção pela LLZ) estabelece que: (mesmo) as mensagens publicitárias de natureza comercial não estão sujeitas a licenciamento, a autorização, a autenticação, a validação, a certificação, a actos emitidos na sequência de comunicações prévias com prazo, a registo ou a qualquer outro acto permissivo, nem a mera comunicação prévia. É indiscutível que, nos casos que a mesma lei refere como aplicáveis, cabem as (pseudo) mensagens publicitárias de que aqui tratamos. Dir-se-á que subsiste a questão de saber se o facto constitutivo da taxa é a licença ou a actividade - a ser aquela, a dispensa de licença não implicaria necessariamente a cessação da "taxa". Seja qual for a resposta, parece, porém, claro que, pelo menos doravante, cessa a obrigatoriedade do pagamento de taxas por licenciamento prévio da afixação ou inscrição de mensagens publicitárias a partir de 2 de Maio de 2013.

5 Mais julgamos que tal é extensivo à afixação ou inscrição de toda e qualquer mensagem publicitária já antes licenciada, visto que tais taxas são liquidadas e cobradas continuada e periodicamente, não fazendo sentido que se isentem as requeridas doravante e subsista a taxa sobre as antigas. 7. Informamos também que o Provedor de Justiça comunica que «continua a merecer a sua atenção o problema das taxas cobradas ao abrigo do Decreto-lei nº 13/71, de 23-1, pela EP Estradas de Portugal, SA», aspecto que também já referimos. Considera a CCP que tais taxas são também ilegítimas. Continuamos a acompanhar as diligências do Provedor de Justiça. ASM

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