IMAPCTOS DA CRISE ECONÔMICA NAS EMPRESAS DE GUARAPUAVA

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1 IMAPCTOS DA CRISE ECONÔMICA NAS EMPRESAS DE GUARAPUAVA Uilson Jose Nepchji Pedro Anotonio Laurentino Valdemir Monteiro Sandra Mara Matuik Mattos Professora do Curso Ciências Econômicas/ UNICENTRO Resumo O presente resumo expandido tem por objetivo, analisar o impacto da crise econômica atual nas empresas de Guarapuava PR. Metodologicamente foi utilizado, além da pesquisa bibliográfica, a pesquisa de campo, junto a uma amostra de dados coletados de empresários da região. Os resultados revelaram que a maioria das empresas teve que demitir boa parte de seu efetivo de funcionários e mesmo reduzindo ao máximo os custos de produção, tem uma enorme dificuldade de sobreviverem e manter seus resultados em superávit em meio à crise econômica vivenciada ao longo de Palavras-chave: Crise; lucratividade; estratégias Área de submissão do artigo: Teoria Econômica 1. Introdução A crise vivida tanto em nosso país quanto no resto do mundo, afeta vários segmentos da sociedade, porém um dos que mais sentem os problemas, são as empresas, independente do seu segmento ou porte da mesma. Acarretando com isso diminuição nos lucros, demissão de funcionários, aumento nos preços, entre tantas outras consequências. As empresas têm que decidir rumos e tomar atitudes para reduzir custos, o que se torna extremamente necessário para que consigam manterem-se estáveis em meio à crise, pois, por mais que as mesmas reduzam custos muitas vezes tendem a fechar as portas principalmente no caso das Microempresas (ME). São geralmente empresas familiares e sentem ainda mais do que as maiores empresas que trabalham pela lucratividade e não para sua sobrevivência. As análises econômicas desenvolvidas pelas empresas são de suma importância para traçar os rumos que devem ser tomados em busca do bem-estar financeiro de qualquer instituição que tenha como visão a lucratividade, o crescimento empresarial. Os estudos desenvolvidos nesta pesquisa buscarão demonstrar algumas estratégias utilizadas pelas empresas da região para manterem - se sustentáveis em meio a atual crise econômica. Levando em conta que, a crise recente da economia brasileira tem suas raízes históricas fincadas na segunda metade da década de 1970, segundo Cardoso Junior (2001), e que pouco melhorou até agora, em Fundamentação Teórica

2 Em todas as cidades existem empresas de diversos portes e funções, em todas as áreas de atuação. Estas buscam sempre a lucratividade e sobrevivência de sua organização, visando atender as necessidades da população. O empreendedorismo em meio à crise já não é o foco primordial para obter rentabilidade, pois com os elevados impostos, baixas vendas, entre tantos outros fatores contrários a visão de bem estar de uma empresa, um novo negócio vem a ser um investimento de risco, fugindo assim aos olhos dos empreendedores (DORNELAS, 2008). Mesmo em meio a tantas dificuldades econômicas é possível abrir empresas desde que tenha um bom planejamento e execução, da mesma forma que as já existentes trabalhando pesado e cortando gastos podem vir a crescer mesmo em momentos críticos da economia. A falta de confiança que assombra o investimento mainstream pode ser substituída pela crença de que, ao considerar-se o desempenho econômico, social e ambiental da empresa como um todo, se realiza um investimento mais seguro a longo prazo. (SARTORE, 2012, p. 169) 3. Materiais e métodos O trabalho foi elaborado com base em leituras de artigos existentes sobre economia empresarial, administração financeira, crise econômica, entre tantos outros trabalhos relacionados ao assunto. Além de leituras de textos em jornais e revistas. E extração de informações da internet. Outro método utilizado foi a pesquisa de campo onde foram pesquisadas empresas atuantes no mercado de Guarapuava, que forneceu os principais elementos para a elaboração do resumo. Foram analisadas empresas de diversos ramos de atuação, sendo elas na área de produção e vendas, como padarias, revendedoras de carros, supermercados, lojas de vestuário, coletando dados tanto de grandes, médias, pequenas e microempresas. As entrevistas foram feitas no mês de agosto de O instrumento de pesquisa foi por meio de um questionário com perguntas abertas, num total de cinco questões básicas, sendo elas: 1) qual foi o comportamento das vendas ou produção em meio à crise; 2) qual a lucratividade da empresa em 2015 em relação a 2014; 3) quais foram os impactos da inflação e o aumento da carga tributária; 4) quais foram os métodos adotados para manter se estável em meio à crise, e por fim 5) quais foram os resultados obtidos com as decisões tomadas. Foram pesquisadas 20 empresas e após a aplicação do questionário, foram feitas as análises que serão apresentadas na sequência. Além de ser muito importante os dados coletados nas empresas com a pesquisa de campo, outro ponto que auxiliou muito no trabalho foi a atenção e explicações dadas por parte dos empresários, que nos esclareceram duvidas e ditaram rumos para o trabalho. 4. Análise e Discussão A pesquisa possibilitou compreender algumas formas de administrar uma empresa em seu âmbito financeiro, para que a mesma possa manter-se ativa mesmo em períodos difíceis da economia nacional, como por exemplo, a crise vivida atualmente. Com a economia enfraquecida, várias empresas atuantes em Guarapuava, cidade pesquisada, e no resto do país, têm muitas dificuldades para atingirem suas metas de vendas ou produção e consequentemente a lucratividade tende a diminuir, acarretando assim a necessidade de reduzir custos, pois caso contrário a instituição estará trabalhando com números financeiros deficitários e correndo o risco de fechar as portas. Os problemas gerados pela crise econômica citada anteriormente, atingem todas as empresas existentes sejam elas grandes, medias, pequenas ou microempresas. Porém pode se perceber que as mais atingidas são as microempresas (ME), geralmente empresas familiares.

3 Algumas destas ME que foram pesquisadas tiveram que tomar atitudes drásticas, como reduzir a produção e até mesmo alterar o horário de funcionamento para procurar vender mais, como foi o caso de uma padaria familiar pesquisada. Já em contrapartida empresas nacionais ou multinacionais, caracterizadas como grandes empresas, utilizam outras formas para reduzir custos, a atitude mais utilizada por elas é o corte de funcionários, compra de seu imóvel para atuação, visando livrar-se de locar imóveis cortando assim um gasto mensal. Há algum tempo existia, nestas grandes empresas, um funcionário para cada função, porém com a crise afetando a lucratividade hoje existe um funcionário para cada três ou quatro funções. Estes dois exemplos resumem basicamente a dificuldade de sobrevivência das empresas já existentes. Logo abrir novas empresas não se torna mais atraente para empreendedores da região, principalmente tratando-se de empreendimentos de pequeno porte. Porém, ainda assim existem empreendedores que decidem por abrir um novo negócio. A explicação destes empresários para a atitude tomada é a de que com a crise muitas irão fechar e a concorrência será menor e poderá facilitar a lucratividade das que conseguirem permanecer no mercado. Uma atitude arriscada, mas que acredito que me levará ao topo, como cita um novo empreendedor pesquisado, que foi questionado sobre o assunto. Em resumo ou cortam-se gastos a qualquer custo, mesmo que isso diminua a capacidade de vendas e produção, ou a falência é o rumo que estará sendo tomado pelas empresas de Guarapuava que ainda permanecem em atividade em meio à crise econômica nacional. Analisando os dados obtidos com a pesquisa de campo, foram retirados alguns dados que explicam como é o comportamento do mercado empresarial em Guarapuava, em meio à crise econômica vivenciada no ano de Analisando as respostas da primeira questão da pesquisa de campo, chegou-se à conclusão de que, tanto as vendas quanto a produção, tiveram grande queda, os aumentos dos custos de produção provocaram reajustes de valor, que foi repassado ao consumidor. Que por sua vez, com o poder de compra enfraquecido, consequência da inflação e do desemprego, não adquiriu os produtos e serviços ofertados e, assim a lucratividade decaiu ao longo de 2015 em 90% das empresas pesquisadas. Questionadas as empresas sobre a lucratividade das mesmas no ano de 2015 em relação a 2014, conclui-se que houve uma redução significativa na maioria das empresas. Onde 10% delas conseguiram obter um aumento das vendas no ano de 2015 que se equiparou com a inflação acumulada até o presente momento, rebatendo assim os efeitos da crise econômica. E 30% destas empresas pesquisadas já não tem um aumento na lucratividade, e ainda observam que nos últimos meses seus resultados tem se apresentado deficitários. As outras empresas, que totalizam 60% tiveram diminuição dos lucros, porém ainda conseguem manter-se em superávit devido a suas ações e estratégias adotadas para minimizar os efeitos da crise. Ainda de acordo com a pesquisa realizada, 100% das empresas que declararam sentir os efeitos da crise econômica, sendo que 18 das 20 empresas pesquisadas nomeiam a alta inflação e aumento dos impostos, como os fatores responsáveis por suas dificuldades de manterem se ativas no mercado. Com as duas últimas perguntas do questionário obtiveram-se os principais dados da pesquisa de campo realizada, relatando assim o impacto da crise nas empresas, e as atitudes tomadas para minimizarem os efeitos sentidos pela crise que elas tem passado. Gráfico 01 - Impacto nas empresas de Guarapuava-PR

4 Fonte: Pesquisa de campo (2015) Como pode ser observado no gráfico 01, 60% ou seja, 12 empresas, tiveram que demitir funcionários, mudar a localização da empresa visando menores gastos e procurando não mais obter lucro, mas sim apenas sobreviverem. Ainda, 15%, ou seja, três empresas, reduziram ao máximo seus custos de produção, aumentaram sua carga horária de trabalho, reduziram o efetivo de funcionários e mesmo diante das atitudes tomadas, estão prestes a fechar as portas, sendo elas empresas familiares. As empresas que não cortaram custos por serem empresas familiares, porém sentem fortemente os efeitos da crise, principalmente pela diminuição de seus lucros, totalizam 15%. Duas empresas pesquisadas (10%), responderam que ainda não sofreram o impacto da crise econômica. Gráfico 02 Resultados obtidos pelas empresas

5 Fonte: Pesquisa de campo (2015) De acordo com o gráfico 02, 75 % das empresas pesquisadas, diminuíram sua lucratividade, aplicaram estratégias e permanecem ativas. Outras empresas que totalizam 15% aplicaram estratégias, porém se encontram em dificuldades financeiras. As demais empresas, que somam 10%, afirmaram não sentirem os efeitos da crise econômica. Observando o resultado dos gráficos pode-se concluir que a maioria das empresas que utilizaram de análises econômicas, adotaram estratégias, planejaram novos caminhos e aplicaram essas informações extraídas, conseguiram permanecer ativas no mercado. A crise que atingiu uma grande porcentagem das empresas da região provocou mais problemas para as microempresas, que trabalham com valores menores e menores margens de lucro. Mesmo diminuindo custos de funcionamento e de produção, identificou-se que 15% do total de empresas pesquisadas, correm o risco de não sobreviverem à crise econômica que as atingiu brutalmente, que provocou diminuição de vendas e está levando às mesmas a falência. Ainda assim, mesmo que uma grande maioria das empresas tenha dificuldades, existem aquelas que ainda não identificaram prejuízos relacionados à crise. Segundo a pesquisa, estas empresas não obtiveram aumento significativo nas vendas como nos anos anteriores, porém estão mantendo suas vendas. Nesse caso, estão preferindo não alterar sua rotina empresarial e procuram se permanecer ativas e competitivas no mercado. 5. Conclusões Neste trabalho abordou-se o que versava sobre a Economia Empresarial, apresentando os impactos da crise econômica vividas pelas empresas gurapuavanas. Onde se apresentou as dificuldades de estabilidade das mesmas em meio à crise vivenciada. Cumpriu-se com os objetivos traçados no início da pesquisa, concluindo-se que as empresas que mais sofrem com a crise econômica são as microempresas, e que as principais formas para permanecerem estáveis, são a redução de custos de produção e principalmente a redução do número de funcionários existentes. Compreendendo assim as dificuldades enfrentadas pelas empresas e entendendo melhor as atitudes tomadas para se manterem estáveis em meio a crises financeiras. 6. Referências CARDOSO JR., José Celso. Crise e desregulação do trabalho no Brasil. Tempo soc.[online]. 2001, vol.13, n.2, pp DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. 3ª Ed. Rio de Janeiro. Elsevier SARTORE, Marina de Souza. A sociologia dos índices de sustentabilidade. Tempo soc.[online]. 2012, vol.24, n.2, pp

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