ANÁLISE QUÍMICA DA ÁGUA DE NASCENTES NAS CIDADES DE AVARÉ E CERQUEIRA CÉSAR, SÃO PAULO

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1 ANÁLISE QUÍMICA DA ÁGUA DE NASCENTES NAS CIDADES DE AVARÉ E CERQUEIRA CÉSAR, SÃO PAULO CHEMICAL ANALYSIS OF WATER SPRINGS IN THE AVARÉ AND CERQUEIRA CÉSAR CITIES, SÃO PAULO Raissa Prando Machado 1*, Ricardo Sgarbi Augusto 1 e Otávio Augusto Martins 1,2 1 Departamento de Exatas, Faculdades Integradas Regionais de Avaré, Fundação Regional Educacional de Avaré, Avaré, São Paulo, Brasil; 2 Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade Estadual Paulista, Botucatu, São Paulo, Brasil; * E- mail: Resumo Entende-se por nascente o afloramento do lençol freático, que pode dar origem a uma fonte de água de acúmulo (represa), ou cursos de água. A qualidade da água pode ser definida como um conjunto de características físicas, químicas e biológicas. Este trabalho tem como objetivo avaliar nascentes não exploradas oficialmente. As análises realizadas foram sensorial, ph, dureza total, cloro residual livre, nitrogênio amoniacal e matéria orgânica. O principal resultado das análises das nascentes, demonstrou que os valores de dureza total foram superiores a 20 mg/l. Podemos concluir que as águas analisadas estão dentro dos padrões exigidos pelo Ministério da Saúde. Palavras-chave Água, s, Qualidade. Abstract It is understood by the spring upwelling groundwater, which can lead to a buildup of water source (dam), or watercourses. The water quality can be defined as a set of physical, chemical and biological properties. This study aims to evaluate sources unexplored officially. The analyzes were performed sensory, ph, total hardness, free residual chlorine, ammonia nitrogen and organic matter. The main result of the analysis of springs showed that total hardness values were higher than 20 mg / L. We can conclude that the waters are analyzed within the standards required by the Ministry of Health. Key-words - Water, Springs, Quality. I. INTRODUÇÃO A água é o recurso mais utilizado pelos seres vivos, é fundamental para a existência e manutenção da vida. Por este motivo deve estar presente em quantidade e qualidade apropriadas [1]. A qualidade da água pode ser definida como um conjunto de características físicas, químicas e biológicas [2]. Aproximadamente 97% da água doce disponível para consumo humano encontrase no subsolo, na forma de água subterrânea. A água subterrânea é um recurso que não pode ser visto, somente seu conhecimento cientifico pode nos capacitar uma imagem real de sua existência e de suas características físicas, químicas e biológicas [3]. A visibilidade da água subterrânea aumentou progressivamente a medida que a disponibilidade da água superficial em quantidade e qualidade satisfatória diminuiu [3]. Com o interesse maior com as águas subterrâneas, ouve também a preocupação com sua contaminação, já que as fontes de contaminação antropogênica em águas subterrâneas são em geral diretamente associadas a despejos domésticos, industriais e ao chorume oriundo de aterros sanitários, que contaminam os lençóis freáticos com microorganismos patogênicos [4]. Muitos destes poluentes atingem as fontes de águas

2 superficiais e subterrâneas durante seu processo de escoamento e percolação [5]. Nos dias de hoje uma das grandes preocupações da humanidade diz respeito ao meio ambiente, sobretudo no que se refere à qualidade da água potável no mundo. A agricultura é uma das inúmeras fontes possíveis de contaminação ambiental, geralmente apontada como importante contribuinte de poluentes dos lençóis freáticos. A qualidade da água é medida por limites preestabelecidos por órgãos brasileiros e internacionais de proteção ambiental [5]. A água é importante para a manutenção da vida e a sua sanidade e sua utilização racional é de suma importância para a economia e preservação da saúde da coletividade. A água para o consumo humano é aquela cujos parâmetros microbiológicos, físico-químicos atendem aos padrões de potabilidade e não oferece risco a saúde da população. Essas águas são captadas de mananciais superficiais. De acordo com a origem e tratamento recebido, as características das águas potáveis variam, sendo de grande importância o conjunto de determinações físico-químicas. Esses referidos ensaios são destinados a verificação da qualidade de águas provenientes de poços, nascentes, água mineral e de abastecimento publico [6]. Entende-se por nascente o afloramento do lençol freático, que pode dar origem a uma fonte de água de acumulo (represa), ou cursos d água. As nascentes localizam-se em encostas ou depressões do terreno ou ainda no nível de base representado pelo curso d água local; podendo ser perenes (de fluxo continuo), temporário (fluxo apenas na estação de chuva) e efêmeras (surgem durante a chuva, permanecendo por dias ou horas) [7]. Segundo Brasil [8] considera-se de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situada: (a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; (b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; (c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; (d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; (e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45, equivalente a 100% na linha de maior declive; (f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; (g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; (h) em altitude superior a (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Brasil [9] considera que a água é um bem de domínio publico, um recurso natural limitado, dotado de valores econômicos. Em situação de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a desnutrição de animais. A gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas, e ainda deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Publico, dos usuários e das comunidades. Este trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade química de nascentes não explorados oficialmente, na cidade de Avaré e na cidade de César, São Paulo. II. MATERIAL E MÉTODOS Amostras Foram coletadas quinze amostras de quatro pontos diferentes. O total de amostras foi 60. Sendo dois pontos localizados na cidade de Avaré e dois pontos na cidade de César. Descrição das nascentes Na cidade de Avaré, a primeira nascente coletada foi a do Bairro Vila Martins III. Esta nascente se localiza ao lado da ferrovia em

3 situações precárias. Neste local foi observado vários tipos de sujeiras como, por exemplo, garrafas plásticas, sapatos, sacos plásticos e outros. Os habitantes deste bairro fizeram uma caixa d água de alvenaria para amenizar os efeitos da poluição. A segunda nascente é uma afloração localiza próximo ao trevo do aeroporto da cidade de Avaré e da linha férrea. Esta nascente não é utilizada. As nascentes da cidade de César se encontram na zona rural. A primeira nascente se encontra próximo a ao Bairro Vila Nossa Senhora de Fátima e a segunda no Bairro Água das Palmeiras. Essas nascentes afloram e não são utilizadas pela população. Análise sensorial Transferiu-se para um béquer de 100 ml, aproximadamente 80 ml da amostra e em seguida avaliou-se seu aspecto, coloração e odor. Determinação do ph Aferiu-se o phmetro (MS Tecnopon Equip Epecifica,MPA-210) com solução tampão ph 7,0 e solução tampão ph 4,0, logo após em um béquer transferiu-se cerca de 70 ml da amostra e fez-se a leitura do ph. Dureza total Transferiu-se para um erlenmeyer de 250 ml, 100mL da amostra de água Adicionou-se ao erlenmeyer 2 ml de solução tampão para dureza e uma pequena porção de indicador de negro de eriocromo T (0,05g). Fez-se a titulação com solução de EDTA 0,01 M até que a coloração mudasse de vermelho vinho para azul. Utilizouse a seguinte fórmula para se achar o valor da dureza da água: Calculo : mg/l = 1000 x V x f/v Onde: V= ml de solução de EDTA 0,01 M gastos na titulação. f = fator de correção da solução de EDTA 0,01 M. V = volume da amostra. Nitrogênio amoniacal (Prova qualitativa) Em uma proveta de 100 ml, transferiu-se 100 ml da amostra. Em seguida adicionou-se 2 ml de solução de tartarato de sódio e potássio e 4 ml do reagente de Nessler. Homogeneizou-se bem. Interpretação: incolor negativo. Cloro residual livre Em uma proveta de 100 ml adicionou-se 100 ml da amostra de água, Em seguida adicionou-se 5 ml de solução de ortotolidina. Homogeneizou-se bem, aguardou 5 minutos e fez-se a leitura a 465nm no espectrofotômetro na região visível (Biospectro, SP-22). Foram utilizados cubetas de metacrilato de 10 mm de caminho óptico. O valor de absorbância lido foi colocado na fórmula proveniente da curva de referência para obter o valor de cloro residual livre (mg/l). Formula: mg/l Cl - = 0,0233x absorbância - 0,0268 Oxigênio consumido por matéria redutora de permanganato (matéria orgânica) Em um erlenmeyer de 250 ml, adicionouse 100 ml da amostra de água. Adicionou-se 10 ml de ácido sulfúrico a 25% isento de matéria orgânica. Aqueceu-se em bicho de Bunsen até inicio de fervura. Logo após adicionou-se 10 ml de solução de permanganato de potássio a 0,0125 N e continuou aquecendo por mais 10 minutos exatos. Após os 10 minutos retirou-se o erlenmeyer do fogo e adicionou ao mesmo 10 ml de solução de ácido oxálico 0,0125 N. Se a solução do erlenmeyer ficasse incolor, a mesma era titulada com solução de permanganato de potássio a 0,0125 N até uma tonalidade levemente rósea. Utilizou-se o seguinte cálculo para obter o valor de oxigênio consumido por matéria redutora de permanganato: Cálculo : mg/l = V x f Onde: V = volume de solução de KMnO 4 0,0125 N gastos na titulação. f = fator da solução de acido oxálico 0,0125 N. Análise estatística O estudo estatístico das variáveis descritas foi realizado através da Anova e complementado com o teste de comparações múltiplas de Tukey para contraste entre médias dos tratamentos. Os resultados foram expressos em média ± erro padrão da média. As conclusões estatísticas foram realizadas com 5% de significância.

4 III. RESULTADOS A Tabela 01 monstra que as nascentes Avaré II e César II apresentaram 80% das amostras com aspecto límpido nas análises sensoriais. As demais análises sensoriais (cor e odor), das nascentes de Avaré e de César, estão de acordo com a normalidade do Ministério da Saúde (MS) [11]. Tabela 03. Média ± desvio padrão da determinação de dureza total (mg/l) na água das nascentes das cidades de Avaré e César. Análise estatística e teste de Tukey (p<0,05). Média ± desvio padrão Avaré I 57,6 ± 0,31 b 1 Avaré II 55,8 ± 0,34 a César I 53,0 ± 0,37 a César II 55,5 ± 0,44 a 1 Análise estatística e teste de Tukey (p<0,0001). Tabela 01. Porcentagem (%) de análise sensorial (cor incolor; odor inodoro; e aspecto límpida) na água das nascentes das cidades de Avaré e César. Cor (% Odor (% Aspecto (% incolor) inodora) límpida) Avaré I Avaré II César I César II A Tabela 02 retrata que a determinação de ph da nascente de César I apresentou um teor menor estatisticamente (p<0,05) comparado com as demais nascentes (Avaré I, Avaré II e César II). Entretanto, a determinação de dureza total nas nascentes de Avaré II, César I e César II apresentaram diferenças estatística (p<0,05) comparada com a nascente de Avaré I (Tabela 03). Tabela 02. Média ± desvio padrão da determinação de ph na água das nascentes das cidades de Avaré e César. Análise estatística e teste de Tukey (p<0,05). Média ± desvio padrão Avaré I 5,76 ± 0,31 b 1 Avaré II 5,58 ± 0,34 b César I 5,30 ± 0,37 a César II 5,55 ± 0,44 b 1 Análise estatística e teste de Tukey (p=0,0046). Tabela 04. Média ± desvio padrão da determinação de matéria orgânica (mg/l) e de cloro residual livre (mg/l) na água das nascentes das cidades de Avaré e César. Análise estatística e teste de Tukey (p<0,05). Porcentagem (%) de nitrogênio amoniacal. Média ± desvio padrão Matéria orgânica (mg/l) Cloro residual livre (mg/l) % Nitrogênio amoniacal Presente Ausente Avaré I 0 ± 0 a 1 0 ± 0 a Avaré II 0 ± 0 a 0 ± 0 a César I 0 ± 0 a 0 ± 0 a César II 0 ± 0 a 0 ± 0 a Análise estatística e teste de Tukey (p>0.05) Os teores das determinações de matéria orgânica (mg/l) e cloro residual livre (mg/l) não apresentaram diferenças significativas (p>0,05) comparando as nascentes de Avaré I, Avaré II, César I e César II (Tabela 04). A Tabela 04 retrata a ausência de 100% na pesquisa de nitrogênio amoniacal nas nascentes de Avaré I, Avaré II, César I e César II. IV. DISCUSSÃO Segundo Brasil [11], recomenda-se que o ph da água para consumo humano deva ser mantido na faixa de 6,0 a 9,5 e o ph das águas subterrâneas varia de 5,5 e 8,5. Pode-se observar o ph das águas analisadas ficaram entre 5,3 a 5,8. Brasil [11] considera que água mole é de até 50 mg/l, água moderadamente dura de 50

5 mg/l a 150 mg/l, água dura de 150 mg/l a 300 mg/l, e água muito dura acima de 300 mg/l. A água aqui analisada pode ser considerada moderadamente dura. Um resultado positivo de nitrogênio amoniacal demonstra a existência da decomposição de matéria orgânica de origem animal, em águas subterrâneas e superficiais [8]. Brasil [11] estabelece que não possa haver a presença de nitrogênio amoniacal em águas para consumo humano. Segundo as análises observa um resultado negativo tanto para nitrogênio amoniacal quanto para matéria redutora de oxigênio em todas as amostras. Brasil [11], recomenda que o teor máximo de cloro residual livre, em qualquer ponto do sistema de abastecimento, seja de no máximo 2,0 mg/l. No nosso experimento o teor de cloro residual livre foi inferior ao recomendado por Brasil [11]. A presença de cloro nas nascentes indicaria uma contaminação. V. CONCLUSÃO De acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, concluímos que as águas das nascentes se encontram próprias para o consumo humano e animal. Mesmo levando-se em conta as situações que se encontram as nascentes, o fato de serem próprias para uso deveria fazer com que os setores responsáveis tivessem assim um interesse maior pela sua preservação e melhor aproveitamento. AGRADECIMENTOS Laboratório de Química e Bioquímica das Faculdades Integradas Regionais de Avaré Fundação Regional Educacional de Avaré, São Paulo, Brasil. 2. Pires, M. A. F,, Cotrim, M. E. B., Marques, M. N., Bohere-Morel, M. B. C., Martins, E. A. J. (2001). Revista Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento, n.3, p Zimbres, E. (2000). UERJ - Água subterrânea. Disponível em: tm Acesso em 26 fev Freitas, M. B. & Almeida,L. M. (1998). Qualidade da água subterrânea e sazonalidade de organismos coliformes em áreas densamente povoadas com saneamento básico precário. In: X Congresso Brasileiro de Águas Subterrâneas. CD-ROM, São Paulo: Sonopress-Rimo. 5. Merten, G. H., Minella, J.P. (2002). Qualidade da água em bacias hidrográficas rurais: um desafio atual para sobrevivência futura. Agroecologia e Desenvolvimento Rural Sustentável 4: Linsley,R. K., Franzini, J. B. (1978). Engenharia de recursos hídricos. Local: Mc Graw-Hill do Brasil, 798 p. 7. IAL. Instituto Adolfo Lutz. (1985). v. 1: Métodos químicos e físicos para análise de alimentos, 3. ed. São Paulo: IMESP. p BRASIL. Lei nº de 18 de junho de Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, DF, 19 jun Brasil. Lei nº de 8 de janeiro Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil, DF, 9 jan Maciel Jr., P. (2000). Zoneamento das Águas - Um instrumento de gestão dos recursos hídricos. Belo Horizonte. 11. Brasil. Portaria MS n.º 518/2004 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Coordenação Geral de Vigilância em Saúde Ambiental Brasília: Editora do Ministério da Saúde, REFERÊNCIAS 1. Braga, B, Hespanhol, I., Conejo, J. G. L., Barros, M. T. L., Spencer, M., Porto, M., Nucci, N., Juliano, N., Eiger, S. (2002). Introdução à engenharia ambiental. São Paulo: Prentice Hall, 305p.

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