Espiritualidade e Saúde: avaliação de uma proposta educacional para a graduação em Medicina e Enfermagem na UNIFESP

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1 Espiritualidade e Saúde: avaliação de uma proposta educacional para a graduação em Medicina e Enfermagem na UNIFESP Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde Valdir Reginato

2 Espiritualidade e Profissionalismo Jung também questiona sobre os valores e crenças do profissional, pois, segundo ele, querendo ou não, o profissional está envolvido com suas convicções, tanto quanto o paciente, e o mais importante não é a técnica utilizada, mas a pessoa que usa determinado método. Por isso, o profissional, eticamente, está obrigado a um conhecimento e a uma crítica de suas convicções pessoais, filosóficas e religiosas, tanto quanto um curirgião está obrigado a uma perfeita assepsia. Dulcinéa MR Monteiro; Espiritualidade e saúde na Sociedade do Espetáculo in Leo Pissini e Christian P. Barchifontaine (org), Buscar sentido e Plenitude de Vida: Bioética, Saúde e Espiritualidade, São Paulo, Paulina e Centro Universitário São Camilo, 2008, p 81

3 PROGRAMAÇÃO 1. Conceitos de Espiritualidade e Religiosidade e a natureza da Crença. Por quê estudar Espiritualidade na assistência ao paciente. 2. Refletindo sobre a existência de Deus e o entendimento dos homens à luz das principais religiões. 3. A dor e o sofrimento numa visão transcendental do ser humano. A espiritualidade no processo saúde-doença. 4. O mistério da fé. A evidência de efeitos verificados sem explicação científica. 5. Por quê? Quando? Como incluir Espiritualidade no processo terapêutico (casos clínicos) 6. A experiência na prática hospitalar, assistência domiciliar e cuidados paliativos. (casos clínicos) 7. A formação espiritual do profissional: uma necessidade ou somente uma opção pessoal? A espiritualidade como instrumento de um atendimento humanizado. 8. Avaliando a pesquisa em espiritualidade sob a ótica da ciência e da tecnologia

4 OBJETIVOS Objetivo Geral: Ao finalizar o curso o estudante deverá perceber a importância da Espiritualidade como fator de influência no acompanhamento do paciente no processo saúde-doença, e sua participação como instrumento de humanização no atendimento. Objetivos específicos: 1. Oferecer uma reflexão sobre a participação da espiritualidade na vida do paciente. 2. Desenvolver a percepção do estudante para esta nova dimensão da pessoa e suas influências na evolução da doença. 3. Capacitar o estudante a abordar e trabalhar as angústias espirituais do paciente. 4. Levar o estudante a uma reflexão sobre a seu crença pessoal e a interação com os paciente nas questões de espiritualidade.

5 DISTRIBUIÇÃO DOS ESTUDANTES CURSOS Total MED Masc MED-Fem ENF Total

6 OPÇÃO PELA ELETIVA OPÇÕES Sub-Total Total MED/ENF MED/ENF MED/ENF MED/ENF MED/ENF 1ª 14/0 11/12 4/5 0/15 29/ ª 5/0 2/1 3/4 4/1 14/6 20 3ª ou > 9/0 2/2 6/4 3/7 20/13 33 Total 28/0 15/15 13/13 7/23 63/51 114

7 OPÇÃO RELIGIOSA RELIGIÃO MED MED ENF Total Masc Fem Tem Religião Agnóstico Ateu Total

8 SIGNIFICADO DE DEUS PARA O ESTUDANTE QUEM É DEUS? MEDICINA ENFERMAGEM TOTAL Criador de tudo Energia Cósmica Invenção humana Não respondeu Total

9 IMPORTÂNCIA DE DEUS NA SUA VIDA IMPORTÂNCIA MEDICINA ENFERMAGEM Total Não tem Pouco Muito Só em desespero Total

10 PARTICIPAÇÃO DOS ESTUDANTES NA PRÁTICA RELIGIOSA PARTICIPAÇÃO MEDICINA ENFERMAGEM TOTAL Não participativo Esporádico Regular Participativo Total

11 SIM NÃO ASSERTIVAS Acredito na existência da alma humana Acredito na vida após a morte O milagre é um acontecimento não explicado pela ciência, mas que não depende da fé O processo saúde doença não tem relação com a vida espiritual da pessoa O processo saúde-doença pode ser influenciado pela condição espiritual da pessoa A espiritualidade é uma condição que atrapalha o tratamento médico O acompanhamento espiritual só é válido para consolo do moribundo O acompanhamento espiritual pode sempre ser substituído pelo tratamento psiquiátrico A formação espiritual do médico não é necessária para o seu desempenho profissional O conhecimento da religiosidade do paciente não interessa ao médico A religião do paciente não pode interferir com a atuação do médico A formação acadêmica quanto à espiritualidade faz parte do comportamento ético do médico A espiritualidade não é compatível com uma formação acadêmica científica Respeito todos os credo, mas estou disposto a defender a minha fé até as últimas consequências

12 AVALIAÇÃO DO CURSO Ter a consciência de que a espiritualidade é uma dimensão importante no tratamento do paciente já é um sinal de uma medicina mais humanizada, pois parte-se do pressuposto que o indivíduo é um todo e não simplesmente portador de uma patologia. (...) A abordagem da espiritualidade no tratamento médico também colabora para uma assistência mais humanizada, no sentido do paciente se sentir como uma pessoa. Durante a faculdade de medicina poucas ocasiões nos fazem refletir tanto a respeito de questões existenciais e aspectos não biológicos do ser humano. E essa reflexão é de extrema importância para nós, porque nos faz entender a nós mesmos e, só assim, estaremos preparados para atender ao paciente.

13 Ao longo do curso percebi com uma nova capacidade como estudante e futuro profissional da área da saúde. Pela liga de Clínica Médica, atendo a pacientes com doenças crônicas e faço seu acompanhamento. Ao final de cada consulta passo o caso para o preceptor, um clínico que indica a conduta a ser tomada e recomendo algumas orientações. Durante o curso, resolvi inclusive nas minhas orientações uma abordagem mais espiritual e o resultado foi que os pacientes voltaram com menos queixas referentes ao período interconsulta e se apresentaram em melhor estado geral. Isso aconteceu mesmo naqueles pacientes em que as condutas anteriores foram mantidas. A espiritualidade é uma importante ferramenta terapêutica, e deve ser muito utilizada pelo médico que a conheça com habilidade.

14 AVALIAÇÃO DO CURSO O curso fortaleceu as minhas convicções como um estudo indispensável para todos os estudantes, não somente como eletiva. 103/108 (95,4%) O conteúdo colaborou tanto na formação profissional como pessoal. 103/108 (95,4%) O curso foi recomendado para todos os alunos de Medicina e de Ciências da Saúde ou como curricular obrigatória. 102/108 (94,4%)

15 ABORDAGEM DO TEMA ESPIRITUALIDADE NA SUA FORMAÇÃO ACADÊMICA UNIVERSITÁRIA ESTUDANTES NO ÚLTIMO ANO. CURSO ABORDAGEM DO TEMA NA FORMAÇÃO ENFERMAGEM MEDICINA TOTAL ACADÊMICA NUNCA FOI ABORDADO ESPORADICAMENTE COM FREQUENCIA, PORÉM SUPERFICIALMENTE PARA CASOS DE PACIENTES COM TERMINALIDADE FREQUENTEMENTE NAS DISCUSSÕES CLÍNICAS TOTAL

16 QUANDO A ABORDAGEM SOBRE A ESPIRITUALIDADE COM OS PACIENTES DEVE SER FEITA: CURSO ABORDAGEM COM OS PACIENTES: ENFERMAGEM MEDICINA TOTAL NÃO NECESSÁRIA SOMENTE PARA PACIENTES HOSPITALIZADOS SOMENTE EM FIM DE VIDA OU DE CUIDADOS PALIATIVOS É IMPORTANTE EM TODAS AS VEZES TOTAL

17 PARTCIPAÇÃO DA CRENÇA DOS ESTUDANTES NAS ATIVIDADES COTIDIANAS PARTICIPAÇÃO DAS CRENÇAS: Não participam das minhas decisões e atitudes influenciam pouco das minhas decisões e atitudes CURSO ENFERMAGEM MEDICINA TOTAL Costumo levá-las em consideração nas minhas decisões e atitudes. Sempre levo em consideração minha crença nas minhas decisões e atitudes TOTAL

18 CURSO AFIRMATIVAS ENFERMAGEM MEDICINA TOTAL Acredito em alma humana Acredito na vida após morte O processo saúde-doença pode ser influenciado pela espiritualidade O acompanhamento espiritual só é válido para o moribundo o acompanhamento espiritual deve fazer parte da rotina de todos os pacientes consultados A crença do paciente não pode ser um fator de interferência nas decisões da equipe de saúde O conhecimento da religiosidade do paciente não interessa ao profissional de saúde- A abordagem espiritual favorece a confiança do paciente na atuação do profissional de saúde A formação acadêmica quanto à espiritualidade faz parte do comportamento ético profissional A espiritualidade não é compatível com uma formação acadêmica científica

19 INFLUÊNCIA DA ESPIRITUALIDADE NO ADOECER Acredito que sim, penso que cada um tem uma fé (...). Eu acho que o paciente que tem fé, que tem esperança em algo muito maior, ele tem, não maiores chances, mas ele lida com a doença, aceita a doença de maneira diferente, procura a cura, ou o cuidado paliativo de uma maneira melhor, eu acho. ENF7 Eu acredito que muito (...), quando ele acredita em alguma coisa maior, é diferente o modo como ele encara e aceita o tratamento (...) Eu tenho a percepção de que os pacientes que tem uma certa espiritualidade sofrem menos no tratamento, tem uma melhor qualidade de vida. As vezes até curam de uma forma menos turbulenta do que os outros. MED5

20 PREPARAÇÃO ACADÊMICA Não, pela formação acadêmica de jeito nenhum, primeiro também não conseguiria identificar (...) ENF6 Eu me considero capacitada, mas não pela faculdade(...). Essa capacitação vem da minha vivência como ser humano, vem da minha experiência com pessoas que já tiveram em processo de saúde doença (...) ENF2 Fazer uma abordagem espiritual, não. (...) Talvez encaminhar, sugerir, sim. (...). Pela minha vivência social, familiar, porque de forma alguma esse tema é abordado com mais consistência na faculdade. MED5 Eu acredito que sim. Pela minha vivência, eu sou de uma família religiosa, desde sempre acreditei que isso faz parte da minha vida. Eu acredito que eu posso abordar isso com outras pessoas, com os pacientes. Pela formação acadêmica, eu acredito que é bem pouco. A maior parte da bagagem espiritual que a gente tem é o que vem de casa. Na faculdade esse tema não é muito bem abordado. MED4

21 A QUESTÃO DECISIVA Para o ser humano, a questão decisiva é esta: você se refere ou não ao infinito? Tal é o critério de sua vida. Finalmente, só valemos pelo essencial e, se não acedemos a ele, a vida foi desperdiçada (Jung)

22 Muito Obrigado

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