NOTA TÉCNICA MANUTENÇÃO DA PRODUÇÃO DO SISTEMA CANTAREIRA PARA A POPULAÇÃO DA RMSP

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1 NOTA TÉCNICA MANUTENÇÃO DA PRODUÇÃO DO SISTEMA CANTAREIRA PARA A POPULAÇÃO DA RMSP O abastecimento da RMSP foi concebido para atuação integrada entre seus sistemas produtores, buscando sempre a sinergia entre eles e a otimização dos usos, visando o melhor aproveitamento das potencialidades existentes em cada um deles. Como temos alertado de modo constante, dentre os sistemas produtoras da RMSP, dois deles atravessam uma crise hidrológica sem precedentes, provocando acentuado deplecionamento de seus reservatórios e a persistência de volumes acumulados em níveis muito abaixo das médias registradas anteriormente. O planejamento da SABESP, apresentado no relatório CHESS Crise Hidrológica, Estratégias e Soluções da SABESP, divulgado em abril de 2015, previu uma série de intervenções os sistemas produtores da RMSP, desde seus mananciais até o sistema adutor metropolitano, que transporta água tratada aos reservatórios setoriais, espalhados pela RMSP, que proporcionariam um equilíbrio entre os sistemas, ampliando a atuação de alguns deles e buscando a economia final no sistema Cantareira. As ações previstas estão em pleno desenvolvimento e com os objetivos sendo alcançados. Porém a experiência acumulada pela SABESP na operação do Sistema Integrado ao longo do último período de estiagem (abril-setembro/2015) nos permite afirmar que mesmo com a concretização das ações propostas, a regra apresentada pelos Órgãos Gestores de Recursos Hídricos, através do Comunicado Conjunto ANA/DAEE Sistema Cantareira, nº 248, trará transtornos consideráveis à população da RMSP, caso seja mantida a retirada de apenas 10,0 m³/s do Sistema Cantareira em novembro próximo. Os períodos de calor, com temperaturas altas para a estação, registrados nos últimos meses, provocou um pequeno acréscimo na produção total de água da RMSP, conforme podemos observar no gráfico a seguir.

2 Produção RMSP (m³/s) Temperatura Média (ºC) 53,00 23,00 52,50 22,00 52,00 21,00 51,50 20,00 51,00 19,00 50,50 18,00 50,00 Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Produção RMSP (m³/s) Temperatura Média (ºC) 17,00 Conforme a temperatura sobe, a produção cresce também, sendo puxada pela demanda da população. Esta condição apresenta um cenário de crescente demanda de consumo pela população da RMSP, pois a tendência é que as temperaturas continuem subindo gradativamente, até o ápice do verão, entre Janeiro e Março de CONDIÇÃO DOS SISTEMAS PRODUTORES DA RMSP A condição dos seis principais sistemas produtores da RMSP é variável, em alguns aspectos. No dia 05/10/2015, a situação de produção e de reservação de cada um deles está expresso na tabela a seguir. Nível de Reservação (%) Capacidade Máxima de Produção (m³/s) Produção Atual (m³/s) Cantareira 16,7* 33,00 13,40 Alto Tietê 15,4 15,00 12,50 Guarapiranga 78,6 16,00 15,90 Rio Grande 86,6 5,50 5,25 Rio Claro 57 4,00 4,00 Alto Cotia 61,2 1,25 1,20 TOTAL 74,75 52,25 *considerando as Reservas Técnicas

3 Volume Total De maneira geral, a capacidade de exploração dos sistemas está restrita. O Cantareira possui baixa reservação e restrição de retiradas que impedem sua ampliação em curto prazo, os sistemas Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e Alto Cotia, mesmo com volumes reservados satisfatórios para o presente momento, estão muito próximos da plena produção das Estações de Tratamento. Restaria apenas o Sistema Alto Tietê com capacidade de ampliar sua produção, até atingir o máximo, podendo aportar cerca de 2,5 m³/s ao sistema integrado. Mas a condição hidrológica do sistema é tão ou mais grave do que a do Sistema Cantareira, o qual viria socorrer. As projeções do gráfico a seguir apontam cenários incômodos para o Sistema, pois mesmo com a transferência da água do braço do Rio Pequeno (Billings) para o braço do Rio Grande (Billings) e daí bombeados para a represa de Taiaçupeba (Alto Tietê), teríamos que manter a produção no patamar atual, de cerca de 12,5 ~ 13,0 m³/s nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 Volume Qn 2013/14 Sistema Alto Tietê Qn 2001 Qn 59% MLT Qn Mínimas O gráfico demonstra que com a produção de 13,0 m³/s e cenários de afluência variados, os volumes acumulados ao final de novembro estariam entre 14% (mínimas históricas) e 16% (afluência ocorrida no ano hidrológico 2014/15). É um cenário preocupante, pois em novembro de 2014 o nível era de apenas 12%. Portanto, a expectativa de ampliação da produção do Alto Tietê para suprir uma redução de produção do Sistema Cantareira não é viável, colocando em risco os dois dos principais sistemas produtores da RMSP.

4 CONDIÇÃO DE OPERAÇÃO DO SISTEMA CANTAREIRA A atual produção do Sistema Cantareira representa uma redução de cerca de 60% da produção realizada antes do início da crise hídrica, em Janeiro de Esta redução, obtida através da participação massiva da população, com a economia gerada pelo Programa de Bônus, pelas transferências de água de outros sistemas produtores para a área do Cantareira e também pela forte gestão de demanda propiciada pela redução das pressões, está dando mostras de atingir o seu máximo resultado. Como descrito anteriormente, a ocorrência de altas temperaturas provoca um consumo maior pela população e reduz o efeito das ações de economia, proporcionando um aumento de consumo, principalmente nas regiões mais baixas e próximas aos reservatórios setoriais de abastecimento. Porém deteriorando o atendimento para a população em regiões mais altas e distantes, provocando a elevação das reclamações relacionadas à falta d água. Como estamos entrando no novo ano hidrológico, a perspectiva é de ampliação das chuvas na Região Sudeste e o aumento das temperaturas com a chegada do verão, a possível redução da retirada de água do Sistema Cantareira, como previsto no Comunicado Conjunto ANA/DAEE nº 248/2015, provocaria uma queda na produção total para a RMSP, sem a possibilidade de suporte pelos demais sistemas, pelos motivos já expostos anteriormente. CONDIÇÕES ATUAIS DO SISTEMA CANTAREIRA Outro fator que contribui para a decisão de manter a operação do Sistema Cantareira nas vazões atuais são as próprias condições hidrológicas e de operação atuais. As afluências geradas pelas chuvas ocorridas no mês de Setembro/2015 foram muito superiores às ocorridas no ano anterior. Apenas como comparativo, neste ano, a afluência do Sistema Equivalente foi 15,23 m³/s, enquanto no ano passado foi 7,25 m³/s. Isto é 110% maior! E o mês de Outubro se inicia com a manutenção do padrão atual, com crescimento das afluências em relação a No gráfico a seguir se observa que a afluência média de 2015, entre janeiro/setembro (curva roxa do gráfico) foi de 16,85 m³/s, enquanto em 2014 (curva verde do gráfico) foi de 9,08 m³/s, ou seja, acréscimo de vazão afluente foi de 85%.

5 Sistema Equivalente - Afluência mensal (m³/s) 70,00 65,00 60,00 55,00 50,00 45,00 40,00 35,00 30,00 25,00 20,00 15,00 10,00 5,00 0,00 janeiro fevereiro março abril maio junho julho agosto setembro outubro novembro dezembro Média Histórica 63,40 66,10 60,20 43,50 34,20 31,30 25,40 21,40 22,40 27,10 31,00 47,40 Mínima Histórica 24,50 24,80 23,50 22,00 18,10 14,30 11,70 10,70 9,60 11,50 12,50 19, ,50 29,10 26,70 30,40 21,50 18,50 15,60 14,20 14,10 15,40 23,70 27, ,30 8,50 13,80 13,50 7,30 6,60 4,20 6,30 7,25 3,96 6,04 12, ,50 36,55 38,14 15,59 11,19 13,63 8,74 4,09 15,23 Esta afluência associada à retirada menor do Sistema propiciou um equilíbrio no saldo de volume do reservatório. Em setembro de 2014, foi retirada do Sistema Equivalente a vazão média de 22,8 m³/s (19,3 m³/s para a RMSP e 3,5 m³/s para as Bacias PCJ) e neste último mês de setembro foi retirado apenas 15,6 m³/s (13,4 m³/s para a RMSP e 2,2 m³/s para as Bacias PCJ). A redução chegou a 31%. Este equilíbrio só havia sido registrado em 2009, ano de ocorrência de grandes chuvas na região. Sob estas condições, a projeção para o Sistema Cantareira, mantendo-se a produção em torno de 13,5 m³/s, é apresentada no gráfico seguinte.

6 Volume Total 250 Sistema Cantareira nov/14 dez/14 jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 Volume (hm³/s) Qn 2013/14 Qn 1953 Qn 80% 2013/14 87% Qn Mínimas Qn 114% 2013/14 Observa-se que mesmo no cenário mais crítico, com a ocorrência de vazões afluentes cerca de 20% menores do que as ocorridas em 2014/2015, haveria uma reservação no sistema maior do que no ano anterior, ficando muito próximo do limite da primeira reserva técnica. Outro ponto a se destacar é que não se registram problemas relativos ao abastecimento das cidades que estão a jusante das barragens do Sistema Cantareira, mesmo nos momentos mais críticos. Não se tem notícias de restrições para as captações destas cidades, o que demonstra que a utilização tem sido parcimoniosa e em quantidade suficiente. A perspectiva próxima é que as possíveis dificuldades relativas à quantidade de água disponível para os Municípios das Bacias PCJ diminuam, visto que entramos no período úmido do ano, com a ampliação das chuvas e afluências características do período. O Boletim de Informações Climáticas do CPTEC/INPE, nº 9, ano 22, de 24/09/2015, dá o prognóstico de normalidade das chuvas para a região que abrange o Sistema Cantareira e as Bacias PCJ, com igual probabilidade de ocorrência de chuvas para as três categorias (acima/normal/abaixo das médias). No anexo 1 está cópia do Boletim. Outro ponto a confirmar a possibilidade de manutenção da vazão de produção do Sistema Cantareira em 13,5 m³/s é a comparação do volume esperado em 30/11/2015 na proposta anterior, que definiu a vazão de 10,0 m³/s em novembro, e o que de fato ocorreu desde 30/07/2015 até 05/10/2015, que contou com afluências superiores ao projetado então. A tabela a seguir resume estes cálculos.

7 Volume Útil 250 Volume Útil (ao final do mês) , , ,32 0 Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Proposta Comunicado 248 Projeção SABESP Quando avaliamos a proposta de julho último, considerando as afluências registradas em 2014, teríamos um volume final no Sistema Equivalente de 291,32 hm³, sendo que destes, 202 hm³ seria volume não aproveitado atualmente, ou seja, teríamos 89,32 hm³ de volume útil, conforme fica demonstrado no gráfico acima, na linha vermelha. Se partirmos do volume existente no Sistema Equivalente em 05/10/2015 e aplicarmos as mesmas vazões afluentes, porém considerando a retirada de 13,5 m³/s para a RMSP em novembro, atingiríamos 315,10 hm³ de volume total, sendo que 113,10 hm³ de volume útil, no mesmo dia 30/11/2015 )linha verde do gráfico acima). Esta condição já oferece uma saldo positivo em relação a projeção anterior de 24 hm³ de volume final e não imporia condições extremamente restritivas à RMSP, que com certeza ocorrerão caso se mantenha a vazão limitada a 10,0 m³/s. No anexo 2 estão os cálculos que demonstram a hipótese.

8 CONCLUSÃO Em face de todas as argumentações apresentadas e a real possibilidade de saldos positivos nos volumes acumulados nos reservatórios do Sistema Cantareira para os próximos meses, solicitamos que seja mantida a vazão atual de retirada, de 13,5 m³/s, para atendimento da população da RMSP. Este atendimento não comprometeria a recuperação do Sistema Cantareira, pois as retiradas continuam em parâmetros extremamente restritivos, mas evitaria o enorme sacrifício que a redução para 10,0 m³/s provocaria na população da RMSP. Sob tais condições, ampliaríamos a restrição apenas para a população da RMSP, e não há razão para supor que a população das cidades localizadas a jusante das barragens do Sistema Cantareira mereça maior segurança hídrica do que a da RMSP. MARCO ANTONIO LOPEZ BARROS Superintendência de Produção e Água da RMSP

9 ANEXO 1

10 ANEXO 2

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