Texto integral XIX Encontro Regional ANPUH São Paulo Prof. Dr. Sebastião Vargas Laboratório de Estudos da Intolerância (LEI/FFLCH/USP)

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1 Texto integral XIX Encontro Regional ANPUH São Paulo Prof. Dr. Sebastião Vargas Laboratório de Estudos da Intolerância (LEI/FFLCH/USP) Seminário temático n. 36 Movimentos de protestos, justiça e direitos humanos Religiosidade e mística no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e no Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) Esta energia que nos anima para seguir em frente é que chamamos de mistério ou de mística. Sempre que algo se move em direção a um ser humano para torná-lo mais humano aí está se manifestando a mística. Ademar Bogo O mistério é uma força ou uma virtude oculta, que não nos obedece e que não sabemos a que hora e como vai manifestar-se. Octavio Paz Plínio de Arruda Sampaio é um dos que reconhecem a importância da mística para os movimentos camponeses. Ele se questiona: o que move o MST para realizar esse ciclópico trabalho? Tudo se resume em uma palavra: mística. 1 Para ele, a mística do MST tem raízes no tradicional milenarismo camponês, uma espécie de utopia recorrente que tem contribuído para o levante de massas camponesas, através dos tempos, para lutar por um mundo mais justo e em harmonia com a natureza. Em todas estas lutas nota-se o inconformismo do homem do campo com o advento de um mundo que ele não compreende e que destrói o seu modo de vida (por vezes, idealizando o passado como uma Idade de Ouro). Em muitas destas manifestações resplandece a fé nas grandes transformações, no homem novo, no mundo regido pela consciência social. É esta mística que questiona uma 1 SAMPAIO, Plínio de Arruda. A mística. Disponível em: Acesso em 08/11/2006.

2 humanidade domesticada e aviltada pela submissão a uma ordem capitalista desumanizadora, contudo aceita como inelutável. 2 Plínio considera que a base da mística do MST provêm da cultura tradicional da população rural do Brasil. Desta cultura móvel e dinâmica, o movimento alicerça sua fé na possibilidade de mudança e extrai os valores, os sentimentos e as intuições que alimentam sua mística. Deste modo, a mescla de três elementos o milenarismo camponês (identificado como um elemento da cultura tradicional do homem do campo); a fé cristã na vida eterna; e a esperança socialista de construir aqui na terra uma sociedade igualitária e democrática deu como resultado a mística do MST. 3 Pode-se afirmar que o EZLN também possui uma mística muito forte, embora menos oficializada enquanto atividade do grupo, que se alicerça também na cultura tradicional das populações indígenas de Chiapas, somando-se a esse alicerce duas vertentes: a cristã e a revolucionária-guerrilheira. O sociólogo Héctor Luis Saint-Pierre evoca o sociólogo Florestan Fernandes para analisar o espírito da guerrilha, cujo símbolo e amplificador mais notável se condensa na figura do Che Guevara. Segundo Saint-Pierre: Florestan Fernandes coloca o espírito da guerrilha para a revolução em uma relação análoga à que tem a greve geral para o socialismo em Sorel, isto é, a função do mito. [...] O mito propagou-se pela América Latina como o fogo em palha seca, despertando a vocação combativa e paixão revolucionária da juventude por meio do voluntarismo. O mito teve um efeito mobilizador tão forte, e o comprometimento da militância conseguido por ele foi tão eficaz, que muitas considerações estratégicas sobre a revolução foram postergadas pelo mito da invencibilidade guerrilheira, as análises conjunturais foram atropeladas pelas palavras de ordem, e a práxis revolucionária foi substituída pelo tarefismo combativo. 4 De fato, o EZLN veio revitalizar um certo espírito ou mística guerrilheira que foi muito intenso em momentos das décadas de sessenta e setenta, mas que muitos consideravam encerrado. 2 Idem. ibidem. 3 Mais uma vez Plínio se pergunta: O que são as FARCs, o EZLN e o MST senão demonstrações patentes de que o milenarismo agrário é altamente significativo em sociedades basicamente agrárias? Idem. Ibidem. 4 SAINT-PIERRE, Héctor Luis. A política armada. Fundamentos da guerra revolucionária. São Paulo, Editora UNESP, 2000, 178.

3 O signo da mística Leonardo Boff que, juntamente com Frei Betto, é um dos raros a tentar teorizar sobre a mística escreve que: Mística significa, então, o conjunto de convicções profundas, as visões grandiosas e as paixões fortes que mobilizam pessoas e movimentos na vontade de mudanças, inspiram práticas capazes de afrontar quaisquer dificuldades ou sustentam a esperança face aos fracassos históricos. [...] Nisto tudo vai uma mística que se recusa a aceitar a situação dada, uma mística geradora de energia orientada para a construção de um futuro melhor. [...] Não há militância sem paixão e mística, não importando a natureza da causa, seja religiosa, humanística ou política. 5 Classicamente misticismo pode ser definido como toda doutrina que admita a comunicação direta entre o homem e Deus. A prática mística consiste, essencialmente, em definir os graus progressivos da ascensão do homem até Deus, em ilustrar com metáforas o estado de êxtase e em procurar promover essa ascensão. O termo mística originalmente dizia respeito a uma forma superior de experiência, de natureza religiosa, ou religiosafilosófica, que se desenrola normalmente num plano transracional (não aquém, mas além da razão) e que mobiliza as mais poderosas energias psíquicas do indivíduo ou do coletivo. Certa vez eu ouvi a seguinte frase, numa entusiasmada discussão entre camponeses sem-terra: Você diz que só quando chegar sua hora você vai ver Deus Nosso Senhor e sua Luz. Menino, você é tolinho. Nunca você vai ver Ele, se já não O vê agora. De fato, essa é a definição que encontrei no Dicionário de Mística: Os místicos são os que atestam que Deus é visível já agora pela fé ou em visão. 6 A origem do termo remonta à antiguidade clássica. Os documentos mais antigos que registram o termo mysteria ( mistérios ) ao que parece pertenciam em larga medida ao culto em honra de Deméter e Perséfone, respectivamente mãe e filha, celebrado na cidade Ática de Elêusis, perto de Atenas. Esta última, a partir de certa época (século VI a.c.), 5 BETTO, Frei; BOFF, Leonardo. Mística e espiritualidade. 6.ed. Rio de Janeiro: Garamond, 2005, pp BORRIELLO, L.; CARUANA, E.; Dicionário de mística. São Paulo: Edições Loyola, 2003, p. 706.

4 exerceu uma enorme influência sobre os mistérios locais, tornando-os assim, talvez os mais importantes cultos oficiais atenienses. A área semântica relativa a esse culto compreende também o adjetivo mystikos, o substantivo mystes e o verbo myeo, todos procedentes da raiz my, que já antigamente foi posta em relação com o verbo myo, fechar, usado também em sentido absoluto como equivalente de fechar a boca ou fechar os olhos. Assim, um antigo lexicógrafo diz que os mistérios foram assim chamados porque os que ouviam deviam fechar a boca e não explicar aquelas coisas a ninguém. 7 Henrique C. de Lima Vaz atenta para as dificuldades de natureza histórico-crítica, fenomenológica e filosófica de caracterização da estrutura iniciática dos cultos de mistério da tradição grega 8. O certo é que os cultos de mistério são uma das formas de vivência e expressão dos mitos transmitidos através da história religiosa e cultural da Grécia antiga. O célebre mistério Elêusis é particularmente interessante já que é uma espécie de paradigma de culto dos ciclos agrários, misto de parábola e relato histórico da semeadura e da seara que encontra analogias nos costumes relacionados com as colheitas em todo o mundo. Conta a lenda que a jovem Perséfone estava colhendo flores quando a terra se abriu e Plutão, senhor dos mortos e dos subterrâneos, seduzido e encantado com a beleza da deusa, a leva para ser sua noiva e rainha do sombrio mundo inferior. Inconformada com a perda da sua filha querida, Deméter, a deusa da fertilidade, proibiu todas as sementes de germinar na terra, mantendo-as ocultas no solo e jurou, num acesso de ira, não permitir que nenhum cereal brotasse até que sua filha lhe fosse devolvida. Desde então de nada adiantaram os trabalhos dos lavradores; a terra jazia nua e estéril e nada brotava do solo ressecado e poeirento. A humanidade teria perecido de fome e os próprios deuses teriam sido privados dos seus sacrifícios se Zeus, alarmado, não tivesse ordenado a seu irmão Plutão que libertasse sua presa e devolvesse Perséfone à sua mãe Deméter. O sombrio senhor dos mortos obedeceu, mas antes encantou sua adorada com uma romã mágica que 7 Idem. Ibidem, p Leonardo Boff considera que o mysterion em grego, que provem de múein, quer dizer perceber o caráter escondido, não comunicado de uma realidade ou de uma intenção. BETTO, Frei; BOFF, Leonardo. (2005). Op. cit. p. 33.

5 fazia com que, mesmo contra sua vontade, Perséfone retornasse a ele. Zeus teve que interferir novamente e determinou que a partir de então Perséfone passaria dois terços de cada ano com a mãe e os deuses, no mundo superior e um terço do ano junto ao seu marido no mundo subterrâneo, debaixo da terra. Com a satisfação de recuperar a filha perdida no reino dos mortos, Deméter fez com que os cereais brotassem novamente das terras aradas e toda a terra se encheu de folhas e flores novamente. Os antigos gregos, tal como diversos povos na história da humanidade, consideravam as mudanças das estações e particularmente o crescimento e a decadência anual da vegetação como episódios na vida dessas deusas, cuja morte e ressurreição celebravam com ritos dramáticos em que se alteravam lamentação e júbilo. James George Frazer explica que as deusas não somente representavam o cereal, como eram o cereal. Deméter, a mãe, é o cereal velho do ano que passou, e sua filha Perséfone, que retorna do mundo inferior a cada primavera, é o cereal novo, do presente ano. O camponês grego orava a Deméter, cheio de inquietação e pressentimentos, enquanto semeava e quando já havia feito a colheita pagava à deusa generosa com oferendas e rituais. Uma vez que a divindade é o cereal, Frazer conclui que, quando este é comido, isso é um sacramento, porque a divindade é comida assegurando a regeneração primaveril das plantas e o mistério da multiplicação da vida 9. Nesses mistérios, a idéia da semente enterrada no solo para renascer para uma vida superior sugere imediatamente uma comparação com o destino humano e fortalece a esperança de que, para o homem, também a sepultura possa ser o começo de uma existência melhor e mais feliz em um luminoso mundo desconhecido. Os antigos gregos consideravam a iniciação nesses mistérios como uma chave para a felicidade que espera os iniciados na outra vida. Uma das mais belas encenações místicas do MST foi realizada por ocasião das comemorações do aniversário de vinte anos do movimento em 2004, no assentamento Pirituba, em Itapeva, no estado de São Paulo. Na encenação, realizada por jovens do próprio assentamento, reconstituía-se vários episódios das lutas sociais brasileiras e a 8 VAZ, Henrique C. de Lima. Experiência mística e filosofia na tradição ocidental. São Paulo, Edições Loyola, 2000.

6 própria formação do atual povo brasileiro, com sua característica mistura de povos, culturas e tradições. A apresentação, muito bem formulada e ensaiada, ainda trazia músicas, cenário e figurantes que emocionaram o público que se apinhava na arquibancada improvisada. Só não esperávamos por um pequeno contra-tempo: num dado momento da apresentação, do lado de fora da imensa tenda onde se realizava o espetáculo, um caminhão acidentalmente arrancou a fiação, acabando com a eletricidade ambiente. O acidente foi minimizado pelo apresentador que propôs que se adiantassem as outras atividades, enquanto eram realizados os reparos necessários, que não durariam mais do que meia hora. Mais de uma hora e vários discursos depois, a mística pode recomeçar. O clima de espera e impaciência do público foi substituído quando se iniciou uma música que se misturava à leitura de textos que diziam: Em uma organização social, os que partem não morrem, porque nunca alcançam a curva da estrada do esquecimento; permanecem vivos na memória, nas idéias e no pedaço de existência política que construíram. Todos temos a sensação de fazer parte daquela constelação de estrelas abatidas, mas simbolicamente vivas. Precisamos lembrar delas para que mantenham seu brilho. Significando, então, que foram assassinadas, mas não morreram. Como disse Dom Pedro Casaldáliga: toda morte matada, toda a morte morrida, se for vida doada, não é morte, é vida. A partir de teste momento, para enorme espanto do público presente, começaram a surgir debaixo da terra, onde estava desenhado um enorme mapa do Brasil, pessoas que simbolizavam mártires da luta pela terra e personagens da história do país. A emoção tomou conta pela beleza do momento, mas também porque entendemos que aqueles jovens estavam ali, enterrados vivos, a pelo menos duas horas! Finda a apresentação fui conversar com alguns deles e perguntei como foi possível agüentar todo aquele tempo embaixo da terra fria (eles não podiam saber do atrasado causado pelo corte do fio de luz). Um jovem garoto me disse que: Nós já sabíamos que ia ser difícil. Mas era a representação de gente que morreu... Muito respeito. Quando começou a demorar demais, eu pensei comigo: vou ser ator de verdade! Vou realmente imaginar que estou morto. Lembrei também de Jesus Cristo e de umas musiquinhas que cantávamos: Bendito o Ressuscitado, 9 FRAZER, James George. O ramo de ouro. Rio de janeiro, Editora Guanabara, 1982, pp

7 Jesus vencedor ô, ô o pão partilhado, a presença que ele nos deixou deixou Bendita é a vida nascida de quem se arriscou ô, ô na luta pra ver triunfar neste mundo o amor! Ou outra que acho que se chama Terra-Mãe será o altar : Uma só será a mesa, terra-mãe será o altar. o sustento a natureza, em milagre vai nos dar! Depois ficou tudo tranqüilo para mim. 10 Este evento narrado acima é um dos inúmeros exemplos que indicam como a mística pode animar o vivido, fornecer legitimidade à luta e recolocar o passado no presente. O discurso sobre a experiência mística é altamente problemático e insuficiente, já que ela aponta para uma realidade transcendente e engendra energias que elevam o ser humano a formas de conhecimento e amor, consideradas pelos participantes, como superioras. 11 Em algum lugar entre as duas conotações - a clássica e a moderna - acho que repousa aquilo que podemos chamar de mística rebelde. A problemática definição de uma mística rebelde supõe a busca da energia da qual ela é constituída. A mística procede de pensamentos e sentimentos - movimentos do espírito ou da alma - sobre os quais não podemos evitar de refletir e que guiam toda uma existência, ética e princípios, pensamentos e ações. A vontade de descrever uma mística de esquerda supõe um desejo de captar 10 ANÔNIMO. Entrevista. Assentamento Pirituba, Itapeva, Hoje em dia, para infelicidade dos religiosos, o termo mística tem servido para determinar realidades mais prosaicas. Assim, cotidianamente vemos expressões como mística do futebol, mística do partido, mística do progresso, mística do carnaval, etc. A utilização moderna do termo para designar convicções e comportamentos ou atitudes, desprovidos de transcendência e circunscritos na realidade cotidiana (inclusive na política) é denunciada, por religiosos, como uma das maiores perversões espirituais que nossa civilização engendrou.

8 energias, ler e ver as forças em ação e acompanhar sua dinâmica, postura e atitude. Em sua obra, o filósofo francês Michel Onfray escreve sobre o gênio colérico da revolução. 12 Talvez seja essa uma das energias animadoras da mística rebelde, pois existe, subjacente dentro dessa tradição que, com algumas ressalvas poderíamos chamar de esquerda histórica, uma irrefragável cólera, uma revolta indivisível, inteira e impossível de se partir. O que a anima, faz seu movimento e justifica suas manifestações é esta cólera destinada a todos que se consolam com a fatalidade das misérias, das explorações e das servidões que são suscetíveis de serem, senão suprimidas, pelo menos atacadas. Quando se fala em mística logo imaginamos a participação do sobrenatural - deus, carma, entidades e espíritos no cotidiano humano. Sem dúvida a crença nesses elementos e na sua misteriosa atuação enseja a maior parte das práticas místicas, mesmo as de esquerda. Porém a crença no sobrenatural não é absolutamente indispensável para a mística. Diversos movimentos ateus, artísticos como o surrealismo, ou políticos como alguns comunismos, evidentemente possuíam sua mística própria. A História - ou no caso do surrealismo o Inconsciente - e não mais o sobrenatural, constituiria fonte de inspiração e fé místicas. A ideologia substituiria a especulação e a profecia, e a práxis revolucionária se tornaria verdadeira ascese. Emana do passado e, principalmente, da história inconclusa, da história das injustiças, das rebeliões, das tentativas, uma energia que faz a ligação com o tempo presente e que é o veículo de uma mística rebelde. Se examinássemos o rol de demandas históricas que constituiriam a identidade desta energia, encontraríamos uma recorrência imensa de vontades e ações que delimitariam essa mística ou tradição rebelde. Ou não era por liberdade, paz e justiça que lutaram e morreram os milhares de Espártacos e Zumbis? Não seria por terra que brigaram Tomás Münzer, Emiliano Zapata e Francisco Julião? Será que os ideais da Revolução Francesa já se realizaram plenamente? E as demandas da Comuna de Paris? Teto, saúde, alimentação, cultura, igualdade entre os gêneros e raças já 12 ONFRAY, Michel. A política do rebelde: tratado de resistência e insubmissão. Rio de Janeiro: Rocco, O historiador George Rudé fala em mística das barricadas como elemento essencial dos levantes populares de Paris em 1830 e RUDÉ, George. A multidão na história: estudo dos movimentos populares na França e na Inglaterra, Rio de Janeiro: Campus, 1991, p. 259.

9 são conquistas da humanidade? Também não; são aspirações que continuam a ecoar no decorrer dos tempos e sua voz é que alimenta a tal mística que tentamos definir. Walter Benjamin, sem dúvida um dos maiores pensadores dessa mística de esquerda, nos legou a imagem forte e aterradora do anjo da história, ou segundo alguns intérpretes, do anjo da revolução. É exatamente para este anjo (jamais esquecido dos excluídos, dos reprovados, dos sempre esquecidos - los de abajo - gente sem nome, história, terra ou importância para os poderosos) que se voltam as preces oriundas dessa mística, para que impulsione os fôlegos, solicite energias, engrosse os ventos para deles fazer tempestades, a única linguagem que os dominantes entendem... e temem BENJAMIN, Walter. Obras escolhidas: magia e técnica, arte e política. São Paulo, Editora Brasileira, 1987.

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