MAPEAMENTO DE CAPITAIS DO CONHECIMENTO DA ECOENERGY UM LUGAR AO SOL

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1 MAPEAMENTO DE CAPITAIS DO CONHECIMENTO DA ECOENERGY UM LUGAR AO SOL Elisa Travalloni, Flávia Perantoni Marcelo de Sousa, Raphael Brandão, Renata Jiacomine PROJETO FINAL SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ESPECIALISTA EM GESTÃO DO CONHECIMENTO E INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL Aprovado por: Prof. Marcos do Couto Bezerra Cavalcanti, D. Sc. Prof. Paulo Josef Hirsch, D. Sc. José Carlos Jansen, D.Sc. RIO DE JANEIRO, RJ BRASIL JUNHO DE 2009

2 Brandão, Raphael; Brandão, Renata Jiacomine; Perantoni, Flávia; Sousa, Marcelo; Travalloni, Elisa Mapeamento dos Capitais do Conhecimento da EcoEnergy / Raphael Brandão, Renata Jiacomine Brandão, Flávia Perantoni, Marcelo Sousa, Elisa Travalloni. Rio de Janeiro, UFRJ/COPPE, XI, 97 p.: il.; 29,7 cm Orientador: Paulo Josef Hirsch Especialização (Projeto Final) UFRJ/COPPE/Programa de Engenharia de Produção, Referências Bibliográficas: p Capitais do conhecimento. 2. Energias renováveis. 3. Inteligência competitiva. I. Hirsch, Paulo Josef. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia de Produção. III. Titulo. II

3 AGRADECIMENTOS A nossos mestres, colegas de turma e coordenadores do curso que nos acompanharam em mais esta etapa de nossas vidas, brindando-nos com conhecimentos, troca de experiências e apoio, que culminaram neste projeto. III

4 Para Marcelo Nóbrega. In Memorian. Elisa Agradeço à minha família e ao meu namorado pelo apoio ao longo de toda esta etapa. Flávia Dedico este trabalho à minha família e esta equipe pelos momentos e experiências vividos juntos, e pela nova amizade. Agradeço aos membros da equipe de projeto de Energia Solar da COPPEAD/2007 que nos cedeu seu trabalho e conhecimento. Marcelo Agradeço à minha mulher e aos amigos do grupo. Raphael Agradeço ao meu marido pela parceria em mais uma importante etapa de nossas vidas e aos amigos deste grupo de trabalho que aqui fizemos. Renata IV

5 A emissão de carbono ocorrida durante a execução deste projeto foi anulada com o plantio de 15 mudas de árvores na Fazenda São Bento, Distrito de Santa Rita do Jacutinga MG. O cálculo do número de árvores necessárias foi efetuado no site O que eu tenho não me pertence, embora faça parte de mim. Tudo o que sou me foi um dia emprestado pelo Criador, para que eu possa dividir com aqueles que entram na minha vida. Chico Xavier V

6 Resumo do Projeto Final apresentado à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Especialista em Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial. Mapeamento de Capitais do Conhecimento da EcoEnergy Elisa Travalloni, Flávia Perantoni Marcelo de Sousa, Raphael Brandão e Renata Jiacomine Junho/2009 Orientador: Paulo Josef Hirsch Programa: Gestão do Conhecimento e Inteligência Empresarial Este trabalho apresenta a identificação dos quatro capitais do conhecimento, aplicados ao processo de criação de uma empresa que atuará no mercado de energias renováveis. O seu desenvolvimento é uma fase subsequente ao projeto técnico Uso de Sistemas Fotovoltaicos Interligados à Rede Elétrica, desenvolvido no curso MBA COPPEAD de Gestão e Economia em Energia no ano de O mapeamento dos capitais do conhecimento permitirá o alinhamento dos processos necessários à elaboração e execução do planejamento estratégico da organização, com o acompanhamento de resultados, alcance de metas e objetivos, a ser efetuado futuramente, com a confecção do plano de negócios e criação da nova empresa. PALAVRAS-CHAVE: Capitais do Conhecimento, Energia Solar, Inteligência Competitiva, Energias Renováveis. VI

7 Abstract on final project presented to CRIE/COPPE/UFRJ as part of the requirements for the degree of specialist in Knowledge Management and Business Intelligence. Knowledge Assets Mapping of EcoEnergy Elisa Travalloni, Flávia Perantoni Marcelo de Sousa, Raphael Brandão e Renata Jiacomine June/2009 Advisor: Paulo Josef Hirsch Program: Knowledge Management and Business Intelligence This work presents the identification of the four knowledge assets, and its application to build a new company, that deal in renewable energy market. Its development is a subsequent phase of the project Uso de Sistemas Fotovoltaicos Interligados à Rede Elétrica, based on technical issues, presented in the MBA COPPEAD course Gestão e Economia em Energia, The knowledge assets mapping will allow acknowledgement of strategic needs and knowledge alignment to processes definition to reach goals and targets. This alignment phase will be made after, during the business plan and new company creation making process. KEY WORDS: Knowledge Assets, Solar Energy, Competitive Intelligence, Renewable Energy VII

8 ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO Contexto Objetivo da EcoEnergy Objetivo do projeto Metodologia de desenvolvimento do projeto GESTÃO DO CONHECIMENTO E SEUS CAPITAIS Gestão do Conhecimento Modelo de Capitais do Conhecimento Capital Ambiental Capital de Relacionamento Capital Estrutural Capital Humano A EMPRESA ECOENERGY O mercado de atuação Objetivos estratégicos Ambiente de negócios Produtos e Serviços Capitais do Conhecimento da EcoEnergy VIII

9 3.5.1 Análise do Ambiente de Negócios Capital Ambiental Ambiente Geopolítico e Econômico Legislação e Regulação Inovação Tecnológica e Tecnologias Substitutas Responsabilidade Socioambiental Capital de Relacionamento Parceiros Órgãos Reguladores Fornecedores Clientes Capital Estrutural Responsabilidade Socioambiental da EcoEnergy Mapeamento de Processos da EcoEnergy Relação entre Cap. do Conhecimento e Processos-Chave Capital Humano CONCLUSÃO REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS Classificação de processos da EcoEnergy IX

10 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 Sequência de criação da EcoEnergy... 5 Figura 2 Os Capitais do Conhecimento Figura 3 Estrutura institucional do setor elétrico brasileiro [] Figura 4 Variáveis para monitoramento do capital ambiental Figura 5 Modelo das 5 forças competitivas de Porter Figura 6 Participação na emissão de gases do efeito estufa (%) Figura 7 Participação na emissão de gases do efeito estufa (Volume ton) 42 Figura 8 Framework de classificação de processos (PCF) Figura 9 Referência para análise dos processos-chave da EcoEnergy Figura 10 Fluxo de Processo da EcoEnergy Figura 11 Processos-chave EcoEnergy Figura 12 Relação entre os Cap. do Conhecimento e os processos-chave X

11 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1 Medidas Regulatórias Tabela 2 Matriz Energética Mundial Tabela 3 - Processos da APQC Tabela 4 - Processo de Marketing e Venda de Produtos e Serviços XI

12 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contexto Nos últimos anos, observamos que os meios de comunicação têm noticiado temas relacionados a problemas climáticos, geopolíticos, crescimento populacional (principalmente em regiões de menor desenvolvimento), e crescimento econômico em ritmo constante e acelerado, intercalados com crises econômicas pontuais, e seus efeitos. Apesar do momento de crise econômica ter arrefecido o consumo de energia, como conseqüência da redução da produção industrial, a tendência do cenário econômico de médio e longo prazo aponta para o aumento na demanda por energia, monitorado e noticiado por órgãos como a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês). Um dos contextos divulgados é a tentativa de atender a esta demanda sem aumentar a dependência de combustíveis fósseis, devido às mudanças climáticas, entre outros aspectos. Em algumas localidades, os governos têm buscado até mesmo reduzir o consumo atual destes combustíveis, como é o caso da Alemanha [1]. Segundo levantamento da IEA, governos de diversos países como a Alemanha, França, Holanda e, recentemente Estados Unidos, têm destinado uma série de investimentos para desenvolvimento e produção em larga escala de fontes alternativas e renováveis de energia. 1 O Governo da Alemanha criou a GTZ Agência de Cooperação Técnica Alemã, uma empresa pública de direito privado, para auxiliar o governo federal, dentre outras coisas, a implantar suas metas na política de cooperação para o desenvolvimento sustentável (NIETERS, 2009)

13 2 Em 26 de janeiro de 2009, a ONU fundou a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, na sigla em inglês), com a assinatura de seu estatuto por 75 países, com o objetivo de fomentar o uso deste tipo de energia. Alguns países desenvolvidos e outros em desenvolvimento, como o Brasil, decidiram não aderir à nova agência. (World Press, 2009). No Brasil, centros de pesquisa e universidades como CEPEL, Unicamp, COPPE, UFRGS e UFSC, têm desenvolvido estudos, tais como o levantamento de áreas potenciais de aplicação de energias limpas e sua abordagem em um planejamento estratégico energético. Algumas áreas já identificadas pelo Ministério de Minas e Energia (MME) apontam para investimentos em etanol, energia eólica, biomassa e energia solar, devido ao alto potencial para aplicação deste uso de energia no país, conforme identificados pelos referidos centros de pesquisa. O nascimento e o crescimento destes mercados potenciais têm efetivamente sido influenciados pela aprovação de legislações municipais, estaduais e federais. O Governo Federal, através da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), tem editado resoluções, como a 112/1999 [2] e 83/2004 [3], que visam flexibilizar a implantação de projetos de energia alternativa e sua comercialização através de incentivos fiscais, compromisso de compra da energia, entre outros fatores. No âmbito estadual, estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná também têm buscado estabelecer um ambiente regulatório que facilite a implantação de projetos desta natureza. No mesmo intuito, municípios como Belo Horizonte e Curitiba têm 2 Resolução ANEEL 112/1999 estabelece os requisitos necessários à obtenção de registro ou autorização para a implantação, ampliação ou repotenciação de centrais geradoras termelétricas, eólicas e de outras fontes alternativas de energia 3 Resolução ANEEL 83/2004 estabelece os procedimentos e as condições de fornecimento por intermédio de Sistemas Individuais de Geração de Energia Elétrica com Fontes Intermitentes SIGFI

14 3 buscado atuar para o aumento da participação de fontes alternativas de energia em sua matriz de consumo energético. A consequência é um aumento do número de estudos e projetos sobre o uso destas novas formas de geração de energia. Em um desses estudos, um grupo de projeto do curso MBA de Gestão e Economia em Energia, do Instituto de Economia da COPPEAD, iniciou a análise técnica para criação de um negócio no segmento de energia solar no país. Os alunos DAHL, OLIVEIRA & RIBEIRO (2007) desenvolveram o projeto USO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS INTERLIGADOS À REDE ELÉTRICA, que visou estabelecer parâmetros de viabilidade técnica de geração elétrica através de energia solar, tecnologias existentes, e outros aspectos técnicos. Como o mercado de energia solar é composto de duas tecnologias energia elétrica e térmica e o trabalho da COPPEAD foi baseado somente na produção de energia elétrica, neste trabalho também analisaremos as características do mercado de energia termossolar. A análise técnica realizada em 2007, juntamente com a necessidade de análise do mercado termossolar, culminou em um processo de criação de empresa de forma diferenciada do mercado de energia renovável atual, a EcoEnergy [4]. Durante a execução do projeto, participamos de cursos e congressos da área, onde percebemos que o mercado atual é pouco especializado, com um grande número de empresas com baixa profissionalização de seus gestores e agentes. 4 EcoEnergy é um nome fictício para a empresa proposta neste trabalho. Qualquer semelhança com nomes já existentes no mercado nacional ou internacional é mera coincidência.

15 4 A visão do grupo é que uma empresa diferenciada deve, desde o início, alinhar e aplicar seus conhecimentos às necessidades estratégicas e aos processos que permitirão o alcance de suas metas e objetivos. Com o objetivo de identificar estas necessidades e processos, os Capitais do Conhecimento da organização devem ser mapeados, e sua diferenciação também deve ser analisada sob a perspectiva do modelo de Gestão Estratégica do negócio. Segundo o modelo de Capitais do Conhecimento do CRIE [5], há quatro Capitais do Conhecimento em uma organização: Capital Ambiental, Capital de Relacionamento, Capital Estrutural e Capital Humano. Faz parte, também, da base deste mapeamento de modelos, um estudo de inteligência competitiva. Este estudo tem o objetivo de identificar os processos de trabalho e conhecimentos que possam ser aplicados na EcoEnergy para gerar um diferencial competitivo. Da mesma forma, é importante mapear os potenciais parceiros estratégicos e investidores, que podem se tornar um dos fatores críticos de sucesso em um novo ambiente de negócios globalizado. O mapeamento dos Capitais do Conhecimento fornecerá informações fundamentais para uma terceira fase, que é o desenvolvimento do Plano de Negócios da nova empresa e sua futura definição de criação, como indicado na Figura 1 abaixo. 5 Capitais do Conhecimento é marca registrada pelo CRIE Centro de Referência em Inteligência Empresarial da COPPE/UFRJ

16 5 Figura 1 Sequência de criação da EcoEnergy Fonte: Grupo 1.2 Objetivo da EcoEnergy O objetivo da EcoEnergy é atuar no mercado de energia solar, iniciando pelo mercado de energia termossolar. As empresas competidoras no mercado de energia termossolar têm deixado lacunas de atuação em alguns segmentos de negócios que demandam alta temperatura de água ou mesmo vapor. Para atingir o objetivo de preencher estas lacunas de mercado, a EcoEnergy, nos dois primeiros anos, atuará no desenvolvimento de projetos e instalação de sistemas de médio porte que demandam média temperatura de água quente (até 100ºC). Nesta primeira fase a empresa terá condições de se capitalizar e estruturar para atuar em projetos de maior porte.

17 6 Com mais capital, estrutura e know-how, a empresa terá condições de participar de projetos maiores como instalação de plantas de cogeração de energia que utilizem o aproveitamento termossolar a alta temperatura (acima de 100ºC), assim como atender necessidades de grandes volumes de energia térmica (água quente ou vapor) para processos industriais e instalação de pequenas e médias plantas termelétricas solares. Desta forma a EcoEnergy dará opções de fontes de energia a segmentos de mercado que hoje dependem basicamente de derivados de petróleo, assim como oferece alternativas de eficiência energética a estes clientes. 1.3 Objetivo do projeto Este trabalho tem como objetivo identificar os quatro capitais do conhecimento, de acordo com o modelo do CRIE, aplicados ao processo de criação de uma nova empresa que atuará no mercado de energias renováveis. Na etapa posterior a este projeto, o mapeamento dos capitais do conhecimento será alinhado aos processos necessários para a elaboração e execução do planejamento estratégico da organização, que permitirá, entre outros fatores, o acompanhamento dos resultados e a medição de alcance de metas e objetivos. 1.4 Metodologia de desenvolvimento do projeto As fundamentações e referenciais teóricos foram descritos a partir de pesquisas bibliográficas, acesso a sites específicos deste mercado e informações coletadas em cursos técnicos e congressos da área de energia solar e energias renováveis, permitindo

18 7 o embasamento conceitual necessário para o entendimento, desdobramento e construção do trabalho aqui apresentado. De forma a atender o objetivo proposto neste projeto, a metodologia empregada consistiu em três fases, descritas a seguir: Análise do contexto Nesta fase, foram realizadas pesquisas sobre os produtos (coletores solares) disponíveis no mercado brasileiro e no exterior, assim como sobre as empresas e organizações atuantes neste segmento. Dessa forma, foi possível definir o tipo de produto a ser comercializado e, futuramente, desenvolvido pela EcoEnergy. Foi feita uma análise sobre o cenário social, econômico e político mundial atual, com ênfase nas questões ambientais. Também foi feito um mapeamento de organizações e centros de pesquisas comprometidos com a evolução deste segmento do mercado e um levantamento das leis brasileiras voltadas para a preservação do meio ambiente e para a consolidação de um modelo de desenvolvimento sustentável. Análise dos Capitais do Conhecimento Esta etapa refere-se à revisão bibliográfica sobre o modelo de gestão empresarial criado pelo Centro de Referência e Inteligência Empresarial (CRIE/COPPE/UFRJ). O modelo prevê o gerenciamento dos quatro Capitais do Conhecimento _ Estrutural, Humano, Ambiental e Relacionamento _ para a gestão do conhecimento nas empresas. Análise dos Capitais aplicados à EcoEnergy Após mapeamento do ambiente de negócios em que a EcoEnergy atuará, foi feita uma análise da aplicação dos capitais do conhecimentos da empresa e a importância estratégica que representam. Foi possível identificar os processos chave da organização e sua relação com cada capital.

19 8 2 GESTÃO DO CONHECIMENTO E SEUS CAPITAIS 2.1 Gestão do Conhecimento Nas duas últimas décadas, o mundo presenciou profundas transformações socioeconômicas que acompanharam um acelerado desenvolvimento científico e tecnológico. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), que ajudaram a impulsionar a globalização da economia, desempenharam papel fundamental nesse cenário, pois permitiram o barateamento da produção e da distribuição de informação entre nações, corporações e indivíduos. E o conhecimento gerado pelo compartilhamento de ideias tornou-se um dos principais meios de produção do capitalismo atual. (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001). Nessa nova organização, conhecida como Sociedade do Conhecimento, o capital intelectual passou a ser a principal matéria-prima na geração de riqueza. O saber tornouse um fator econômico essencial aprendemos a gerenciá-lo para fomentar o desenvolvimento e melhorar o bem-estar social, garantindo vantagem competitiva às organizações comerciais. O valor passa a ser criado pela produtividade e pela capacidade de inovar, aplicando o conhecimento ao trabalho e criando os trabalhadores do conhecimento. Os grandes ganhos de produtividade, daqui para frente, advirão das melhorias na gestão do conhecimento (DRUCKER, 1999). Em uma economia baseada na informação e no saber, empresas passaram a criar constantemente novos conhecimentos, agregando valor a suas mercadorias. A geração de riqueza no século 21 está intimamente ligada ao conceito de inovação e empreendedorismo, no que diz respeito aos produtos e serviços oferecidos pelo mercado. As empresas têm o desafio de gerenciar o excesso de informação e conhecimento, assim como mapear seus processos internos para orientar novos investimentos e consolidar uma economia de alto valor agregado, além de fomentar a educação e a aprendizagem continuada para se manterem competitivas. O

20 9 conhecimento agora está a serviço da geração de riqueza ou de valor, é o novo motor da economia (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001). Segundo TEIXEIRA (2000), a gestão do conhecimento é uma certa forma de olhar a organização em busca de pontos dos processos de negócio onde o conhecimento possa ser usado como vantagem competitiva. No novo ambiente de negócios, gestão do conhecimento passa pelo mapeamento de características e demandas do ambiente competitivo e entendimento de necessidades individuais e coletivas associadas aos processos de criação e aprendizado. Em outra definição, gestão do conhecimento refere-se à adoção intencional da gestão de conjunto de esforços, tecnologias e habilidades dedicadas a estimular, identificar, compreender, criar, organizar, difundir e reutilizar o conhecimento em uma organização, fruto da criação de um ambiente de aprendizagem, cultura organizacional favorável, ambiente de trabalho colaborativo e gestão positiva que propiciam e estimulam a produção contínua de conhecimentos para a geração de valor aos stakeholders e suportando processos críticos de negócios. (FIGUEIREDO, 2005). Neste trabalho, estamos considerando a gestão do conhecimento como um processo corporativo, focado na estratégia da empresa e que envolve a aprendizagem organizacional e a inteligência empresarial [6]. Consideramos essa gestão como um processo sistemático de identificação, criação e aplicação dos conhecimentos estratégicos na organização. Com o mapeamento das necessidades e conhecimento necessário para o funcionamento do negócio, podemos traçar a estratégia da empresa e avaliar algumas questões: Competências individuais necessárias para a operação da empresa 6 Entende-se como Inteligência empresarial a sinergia entre conhecimento, inovação e empreendedorismo. (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001)

21 10 Nível de inserção no contexto político, socioeconômico e técnico-científico Processos que garantam competitividade à empresa Investimentos em ciência e tecnologia que garantam o funcionamento dos processos e aumentem a competitividade da empresa Ampliação do fluxo de conhecimentos e ideias provenientes de clientes, parceiros, fornecedores e da comunidade em geral 2.2 Modelo de Capitais do Conhecimento O modelo de gestão adotado neste trabalho tem seu foco nos Capitais do Conhecimento empiricamente fundamentado em experiências desenvolvidas em projetos de Gestão do Conhecimento pelo CRIE. (STEWART, 1997) (SVEIBY, 1998) (EDVINSSON & MALONE, 1998) Criado pelo CRIE, o modelo em questão apresenta quatro capitais que devem ser monitorados e gerenciados para uma gestão do conhecimento efetiva de uma organização: o Capital Ambiental, o Capital Estrutural, o Capital Intelectual e o Capital de Relacionamento, conforme Figura 2 Figura 2 Os Capitais do Conhecimento Fonte: CRIE / COPPE / UFRJ

22 11 Em geral, nenhum capital é mais importante que outro, mas ao longo do estudo, e de acordo com o objetivo deste trabalho, pode-se identificar a necessidade de algum capital ser mais desenvolvido. No capítulo 3.5 (pág. 29) será feita uma análise da aplicação dos capitais do conhecimento da EcoEnergy e a importância estratégica que representam. 2.3 Capital Ambiental O capital ambiental pode ser definido pelos aspectos e características identificadas na região onde a organização se localiza. Todos os valores, aspectos legais e governamentais, clima, geografia, características socioeconômicas e culturais devem ser considerados (THOMAS & INKSON, 2004). Por esta definição é possível compreender como algumas empresas se desenvolvem mais do que outras, ao encontrarem um ambiente mais propício ao seu tipo de negócio. De acordo com o modelo do CRIE, o capital ambiental engloba os outros três capitais de relacionamento, estrutural e humano uma vez que tem dentro de si todos os aspectos responsáveis diretos ou indiretos pelo sucesso da organização. O valor de uma organização é, assim, altamente dependente do contexto onde ela está inserida. (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001). O mapeamento do contexto em que a empresa está instalada permite a formulação de estratégias diferenciadas de acordo com o mercado e as transformações do ambiente. Nesse cenário, empresas que atuam na sociedade do conhecimento devem definir métodos e técnicas para serem empregados em um sistema de inteligência competitiva e no monitoramento ambiental, utilizando ferramentas de análise competitiva como Análise das Forças de Porter, SWOT, Balanced Scorecard, Benchmarking, entre outros. O processo de inteligência competitiva busca manter a organização melhor informada sobre aspectos críticos ao negócio, buscando dar suporte às decisões da organização em

23 12 relação a eventos futuros. Também permite ação fundamental na aprendizagem organizacional para operacionalização. (JOHNSON, 2008) Segundo o modelo de gestão do CRIE, são quatro as principais variáveis para o monitoramento do capital ambiental: Sociais, Econômicas, Tecnológicas e Políticas. No capítulo 3.5 (pág. 29) trabalharemos as variáveis específicas da EcoEnergy, assim como seu mapeamento. 2.4 Capital de Relacionamento Este capital trata da rede de relacionamentos de uma empresa com seus clientes, colaboradores, parceiros, fornecedores, governo, agências financeiras, entre outros, com o objetivo de alcançar os objetivos estratégicos da empresa através da exploração desses relacionamentos e alianças. (ALLEE, 2000). Apesar de alguns teóricos como STEWART (1997) restringirem este capital ao relacionamento da empresa apenas com seus clientes, consideraremos o capital de relacionamento como uma rede de alianças estratégicas de diversos agentes sociais, a qual descreveremos no capítulo 3.5 (pág. 29), de forma a ampliar sua atuação no mercado. Conforme ALLEE (2000), no universo dos negócios, as redes são compostas de conjuntos de ligações dinâmicas entre diversos parceiros, os quais estão engajados em trocas deliberadas e estratégicas de serviço, conhecimento e valor. Individuais ou institucionais, os relacionamentos possuem valor e precisarão ser gerenciados de acordo com a visão estratégica da organização. Para entrar no mercado, a empresa deverá identificar os relacionamentos-chave que garantirão o sucesso do negócio.

24 13 As relações estabelecidas entre a organização e seus parceiros podem agregar valor ao negócio de diferentes formas: com retorno financeiro, retorno de imagem (que garante à empresa novas possibilidades comerciais) e retorno na qualidade (aliança com fornecedores, institutos de pesquisa e universidades, por exemplo). O fortalecimento do capital de relacionamento garante vantagem competitiva ao empreendimento. No capítulo (pág. 39) identificaremos as relações essenciais para a EcoEnergy e que tipo de retorno trazem para o negócio. 2.5 Capital Estrutural O capital estrutural de uma empresa pode ser definido como a infraestrutura que apoia o capital humano, desde os sistemas administrativos, hardwares e softwares, à estrutura física da empresa. (EDVINSSON & MALONE, 1998) Essa capacidade e estrutura organizacional, incluindo os sistemas físicos utilizados para transmitir e armazenar conhecimento intelectual, influenciam diretamente os resultados desejados. O capital estrutural pertence à empresa e permite que ela funcione de forma eficiente e eficaz, além de ser parte integrante da avaliação de quanto vale uma organização, juntamente com os ativos intangíveis. O processo de globalização tem imposto mudanças e desafios, tais como: Capacidade de estabelecer negócios em qualquer parte do mundo Transações financeiras instantâneas, de forma globalizada Capacidade da Tecnologia da Informação de transcender tempo e distância Reestruturação e redução de organizações

25 14 Diante de cenários como esse, a definição e estruturação da empresa devem ser embasadas em processos flexíveis e autoadaptáveis. Em um mercado globalizado, os processos devem permitir a autoaprendizagem, gerenciamento do conhecimento e desenvolvimento das habilidades individuais. Esta flexibilidade permitirá a criação do que podemos chamar de processos orgânicos, onde as etapas podem sofrer adequações necessárias à realização de cada produto e serviço, agregando habilidades e conhecimentos individuais para atender clientes diferentes em situações diferentes, sem a necessidade de alterar a essência do processo. Estas definições estão intimamente relacionadas aos valores da organização (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001). A cultura da organização também faz parte de seu capital estrutural. A cultura não é aleatória. É um sistema organizado de valores, atitudes, crenças e significados, que estão relacionados entre si e ao contexto ambiental. (THOMAS & INKSON, 2004) O maior desafio, portanto, é assegurar que o capital estrutural permita registrar o valor real de uma organização, além de ser estável para ser utilizado como alavanca para auxiliar o crescimento corporativo. 2.6 Capital Humano O capital humano trata do conhecimento das pessoas que se encontram em uma organização. Diferente do capital estrutural, ele pertence ao indivíduo, mas a utilização eficaz deste potencial tem o poder de gerar valor para as empresas e para as pessoas. A dificuldade das organizações é conseguir transformar o conhecimento tácito em explícito, agregando valor aos produtos ou serviços prestados. (CAVALCANTI, GOMES, & PEREIRA, 2001)

26 15 Todas as capacidades, os conhecimentos, as habilidades e as experiências individuais dos funcionários de uma empresa, incluídos no teor do capital humano, devem captar com igualdade, a dinâmica de uma organização inteligente em um ambiente competitivo e em frequente mudança, incitando a criatividade e a inovação organizacional. O comportamento social acompanhou todas as transformações mundiais, científicas e tecnológicas. Estamos diante de uma sociedade mais analítica, consciente de seus direitos e preocupada com o desenvolvimento sustentável. Novas culturas, hábitos e valores foram construídos, influenciando o ambiente e as relações de mercado. Observa-se que os modelos de negócios intensivos em conhecimento e que criam conhecimento dentro da empresa são os que tendem a prosperar na nova economia. As organizações passam a modular estruturas e inovar em seus processos de negócios. Cada vez mais a capacidade inovadora está apoiada na excelência do Capital Humano. Segundo a Prof a. Dóris Fonseca, da COPPE/UFRJ, esta seria a capacidade da organização obter, utilizar e desenvolver as competências humanas de forma integrada para atender aos objetivos estratégicos. NONAKA E TAKEUCHI (1997) explicam o mecanismo de criação do conhecimento com base na interação entre conhecimento tácito e conhecimento explícito. Para isso, desenvolveram a espiral do conhecimento, apoiada na Socialização, Externalização, Combinação e Internalização, constituindo o motor do processo de criação intelectual. As empresas passam a exercer o papel de fomentadoras do conhecimento individual e de facilitadoras da interação, a fim de ampliar para a esfera organizacional o conhecimento criado pelos indivíduos. É justamente a partir da interação social entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito das pessoas que ocorre a conversão do conhecimento. A Socialização acontece com a troca de experiência entre indivíduos e contribui para projetos, planejamentos, aperfeiçoamentos e resolução de problemas.

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