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1 1 de 11 homepage recortes imprensa universidade do minho ensino superior outras universidades pesquisa eventos conferências, encontros cultura e lazer cerimónias solenes prémios outros externos pesquisa provas académicas agregação doutoramento pesquisa serviços on-line intranet estágios curriculares lembranças institucionais portal académico acção social informação boletim UMinho RUM on-line UM-Dicas visitantes visitas escolas como chegar à UM O impacto da crise no ensino superior terça-feira, Diário Económico / Quem é Quem O impacto da crise no ensino superior Questões 1. A crise veio afectar ou não a procura de formação por parte de alunos e empresas? 2. O que mudou naquilo que procuram as empresas e os alunos na formação de executivos? 3. Estão a delinear-se algumas novas tendências na formação no contexto desta crise? IESF Paulo Tavares - Presidente do IESF voltar 1. O sector Português e internacional do ensino / formação está a atravessar a maior revolução de sempre. A pressão colocada pelo processo de Bolonha na perspectiva vigente da valorização profissional através de cursos de graduação e pósgraduação, transformou completamente essa perspectiva para ambos, educandos e empregadores, e alterou definitivamente o "mix" deste mercado. Adicionalmente, a mais recente crise financeira e económica diminuiu o poder de compra e deprimiu bastante este mercado. Para além disso, a assunção por parte do Estado Português de uma fatia importante da formação qualificante, contribuiu muito significativamente para diminuir ainda mais o potencial do sector. 2. O que mudou naquilo que procuram as empresas e os alunos na formação de executivos? O efeito mais visível da actual crise no sector é o aumento claro da procura de formação mais aplicada que dê resposta às necessidades imediatas das empresas. Essa procura traduz-se ao nível pós secundário nos cursos vocacionais de especialização e ao nível pós-graduado nos MBAs e pósgraduações reputadas pelas suas características de aplicação prática, tais como um corpo docente constituído por especialistas nas áreas em que ensinam e uma direcção clara para as necessidades do mercado. De igual modo os alunos e as empresas procuram agora mais um ensino graduado de 1 e 2 ciclos mais aplicado. 3. Estão a delinear-se algumas novas tendências formação no contexto desta crise? Os institutos politécnicos com uma oferta de qualidade na formação graduada e pós-graduada parecem poder agora posicionar-se melhor no mercado com uma oferta de um ensino mais aplicado. As próprias empresas consideram e decidem-se muitas vezes pela constituição de academias internas que assegurem esta visão de um ensino mais pragmático e de acordo com a visão da empresa. Os temas da inovação e do empreendedorismo, tão caros às empresas e aos alunos, começam finalmente a fazer parte integrante dos currículos escolares ao nível do ensino superior, mas ainda temos um caminho longo pela frente até conseguirmos que o sistema de ensino bipolar Português atinja as metas propostas inicialmente e o equilíbrio de que o Estado Português necessita neste domínio. ISCTE António Gomes Mota - Presidente da ISCTE Business School 1. No que concerne às empresas, como é natural as despesas com formação tendem a ter acrescida contenção em épocas de crise, pelo que se assistiu sem surpresa a alguma redução na procura de programas de formação intra e de inscrições em programas abertos.

2 2 de 11 Relativamente aos quadros que financiam a sua própria formação, geralmente em programas mais longo como os mestrados executivos e pós graduações, há dois efeitos contrários: por um lado a crise reduz, em vários casos, a disponibilidade financeira para investimento na formação mas, ao mesmo tempo, torna ainda mais importante a aquisição de novos conhecimentos e competências como forma de valorização e diferenciação num mercado de trabalho mais difícil. 2. Há uma crescente e saudável exigência de maior articulação da experiência em sala de aula com a realidade empresarial, procurando-se cada vez mais que o desenho e conteúdos dos programas respondam a necessidades concretas das empresas e das funções exercidas e que o processo formativo possa de imediato aportar valor ao desempenho o que obriga a uma maior confluência nos temas, métodos e instrumentos formativos com a prática empresarial. 3. Há uma maior focalização na valorização das dimensões comportamentais dos profissionais no quadro das actividades das organizações, cuidando-se não só de aspectos meramente técnicos como na sua actuação, em equipa ou enquanto líder, como comunicador, como gestor de tempo, de tarefas, de stress, apenas para citar alguns exemplos. Por outro lado, há uma maior consciência de um adequado planeamento das actividades de formação ao longo da evolução profissional, na qual vão sendo exigidas o desenvolvimento de competências distintas nas diferentes funções desempenhadas, sobretudo quando se passam a assumir funções de gestão e de maior responsabilidade a nível de coordenação. ISG Carlos Vieira - Administrador do Grupo Ensinus e da Codepa 1. A resposta é positiva no lado dos indivíduos e negativa por parte das empresas. Do lado das pessoas individualmente, para além de situações de desemprego que levaram muitas pessoas a procurar estar em melhores condições em termos de reforço de competências que já detinham e obtenção de novos conhecimentos, há a clara percepção que a qualificação profissional e o aumento dos conhecimentos lhes permite ambicionar melhorias profissionais e uma protecção ou preparação para eventuais contingências futuras que os obriguem a mudar de actividade profissional. Do lado das empresas, as dificuldades financeiras vieram inibir em muitas delas, os gastos com formação e educação dos seus quadros. Pelo menos quando se tratam de cursos fora da esfera das empresas propriamente ditas, pois ao mesmo tempo observa-se um incremento da actividade das suas academias internas que têm muito mérito mas que, no nosso entender, têm algumas limitações que, posteriormente, os trabalhadores procuram individualmente nas instituições de ensino e formação. Curiosamente a presente crise ocorreu no mesmo momento em que se tem definido como prioridade nacional a melhoria das qualificações da população. Acreditamos que passada a crise, a competição laborai vai ser significativamente notada e que existirá um conjunto significativo de indivíduos que terão ferramentas e conhecimentos capazes de melhorar a produtividade laboral das organizações (privadas e públicas). Será interessante daqui a cerca de 5 anos poder estudar os impactos da melhoria generalizada das qualificações. 2. As empresas continuam a privilegiar o aumento de competências específicas dos seus quadros, designadamente nas áreas comportamentais (liderança, negociação, trabalho em equipa, coaching). Os alunos individualmente estão claramente a percepcionar alterações estruturais na economia e a buscar outras áreas de conhecimento em que se antevêem mais oportunidades futuras. Isto observa -se claramente nas áreas ligadas ao transporte e logística, saúde e gestão, nas áreas financeira, fiscal, comercial e comportamental. 3. Tem havido bastantes discussões e análises ao nível das business schools, também porque tem havido acusações de responsabilização das mesmas nalguma inadequação da formação dos seus alunos, o que veio também a contribuir para a crise com que nos deparamos. Assim, o papel das business schools, está a ser avaliado nas suas componentes de educação formal e prática (fora da sala de aula) e a componente muito valorizada de networking dos alunos e professores deve ser revista numa perspectiva mais colaborativa e de integração dos conhecimentos formais e de integração transversal nas organizações, reflectindo-se se também se deve analisar a um código de ética nos negócios. Nestes pontos aconselhamos a leitura da Harvard Business Review de Julho-Agosto do corrente ano. Assim, tem-se observado uma preocupação por parte das Business Schools em geral e do Instituto Superior de Gestão em particular em reforçar as componentes de ética nos negócios nas várias formações desenvolvidas. Ao mesmo tempo assiste-se a uma procura nos cursos referidos

3 3 de 11 anteriormente - Gestão Financeira, Transportes e Logística e nas áreas de Liderança e Negociação (com as áreas comerciais a serem muito estimuladas). INA FRANCISCO RAMOS - Presidente da INA 1. O Instituto Nacional de Administração (INA) é a uma entidade de formação especialmente vocacionada para os recursos humanos de organismos da Administração Pública Central e Regional. Apesar de a "crise" ter inícios em finais de 2008, a formação do INA apresentou ainda durante esse ano e no ano seguinte, indicadores muito positivos. Em 2009, inclusive, o INA registou o número máximo de participantes em acções de formação dos últimos 30 anos, ultrapassando a fasquia dos alunos. No 1º semestre de 2010 esta tendência sofre alguma redução sobretudo devido às fortes restrições orçamentais impostas pelo Plano de Estabilidade e Crescimento. A excepção é feita à formação de dirigentes/ executivos que desde o início do ano já cumpriu mais de 90% dos indicadores obtidos na globalidade do ano anterior. Esta aparente tendência em contra ciclo deve-se sobretudo ao financiamento do QREN-POPH, ao qual o INA submeteu as edições descentralizadas de dirigentes. 2. Em concreto na formação de executivos, o INA tem vindo a desenvolver um esforço considerável na oferta formativa em todo ao país para abranger quadros superiores e intermédios espalhados pelo país. Neste sentido, em 2010 foram levadas a cabo acções de média e longa duração em 14 capitais de distrito (incluindo regiões autónomas). As áreas mais procuradas estão relacionadas com a gestão pública, nomeadamente, gestão por objectivos, estratégica ou gestão de projectos. Ainda as áreas relacionadas com a Reforma da Administração Pública continuam a manter um elevado grau de interesse, sobretudo ao nível de workshops práticos, pois permitem aplicar os conhecimentos já sedimentados em problemas do dia-a-dia. Destacamos, neste âmbito, cursos como o SIADAP (Avaliação de Desempenho), LVCR (Lei dos Vínculos Carreiras e Remunerações) ou o CCP (Código da Contratação Pública). Por outro lado, registamos um crescente interesse na formação por encomenda ou à medida. Se no passado este nicho de mercado tinha um impacto residual na actividade do INA, hoje já representa cerca de 30% do nosso volume de negócio, confirmando a tendência de procura de formação adaptada às necessidades de cada serviço. 3. O Estado e a Administração estão hoje muito mais preocupados com a importância dos instrumentos de gestão, da simplificação dos processos de forma a obter ganhos de eficiência e racionalidade no serviço prestado e na qualidade apreendida pelo cidadão. Neste sentido o INA vai apostar em 2011 nas áreas da reengenharia de processos, do apoio aos serviços sobre as novas metodologias de gestão por objectivos e de sistemas de mediação e avaliação de resultados. O momento actual não se pauta por avançarmos em novas ondas de mudança, mas sim de consolidar e aplicar os conhecimentos apreendidos. Outra área que contamos desenvolver, em linha com as orientações ministeriais, será a aposta em programas de apoio à excelência e de reconhecimento do mérito a trabalhadores que se destacaram no exercício das suas funções. Estes passam sobretudo por apoiar programas de estudo de nível avançado em universidades nacionais e internacionais. É fundamental que a Administração Pública consiga atrair e reter talentos, capazes de prestar um serviço de qualidade e de excelência. ISEG Mário Caldeira - Vice-presidente do ISEG 1. A crise económica resulta, em meu entender, em muito, da insuficiência de conhecimento e de falta de responsabilidade na implementação de "boas práticas" de gestão. Penso que a formação em economia e gestão tem um papel importante para ajudar a ultrapassar este tipo de situações de crise. Sendo assim, não é de estranhar que tenhamos sentido um aumento muito significativa na procura de cursos de formação pós-graduada. 2. O que mudou naquilo que as empresas e os alunos procuram na formação de executivos? As pessoas perceberam que para poderem ter acesso ou garantir empregos interessantes têm de estar preparadas e actualizadas, têm de ter capacidades "únicas". Neste sentido, sentimos uma maior procura de cursos e cadeiras especializadas, que permitam aos seus participantes desenvolver competências diferenciadoras, apesar das áreas de procura de cursos de formação serem as

4 4 de 11 tradicionais: marketing, finanças, economia, contabilidade, sistemas de informação, estratégia, gestão de projectos, gestão de recursos humanos, etc. 3. Estamos a desenvolver cursos mais especializados, dirigidos a sectores específicos, e de menor duração, para responder de forma mais rápida e precisa às necessidades da procura. Cursos como gestão e avaliação imobiliária, wine management, IT governance, gestão de bancos e seguradoras, management and business consulting, international business, economia e gestão do turismo, apresentam-se como muito interessantes no contexto actual. Mário Caldeira Dias - Director da Faculdade de Ciências da Economia e da Empresa 1. Embora não seja facilmente quantificável, é certo que a crise coloca as empresas sob pressão relativamente às despesas mais urgentes e imediatas (não necessariamente as mais importantes) e faz projectar o desemprego, o aumento dos impostos e outras restrições salariais sobre as famílias. 2. Procuram formações mais próximas das necessidades do mercado de trabalho e cursos com maior nível de empregabilidade, ou então, com um leque de saídas mais disperso. 3. As tendências inclinar-se-ão, ou pelo menos inclinar-se, para os factores de inovação, para as novas tecnologias e para os factores e sectores que melhor suportem a competitividade internacional, sem esquecer o grande peso das profissões relacionais (que implicam o estabelecimento de relações pessoais). THE LISBON MBA Tania Roquette - Directora de Marketing de Admissões da Lisbon MBA 1. Normalmente quando se verifica uma recessão económica existe um efeito positivo de curto prazo em que existe uma procura maior de valorização pessoal e profissional. Este ano, registámos um aumento de 62% nas candidaturas ao o programa Part -Time 2010/2012 que vem demonstrar que existe um sentimento generalizado de que mesmo havendo um panorama pessimista relativamente à recuperação económica, esta deixa de ser um aumento de curto prazo e as pessoas continuam a querer investir na sua formação. Foi também visível um aumento do número de alunos patrocinados por empresas pois é normal as empresas sentirem necessidade de demonstrar reconhecimento aos seus colaboradores e beneficiando também da aquisição de conhecimento e valorização dos mesmos. 2. Os alunos que procuram um MBA vêm à procura de ferramentas de gestão e em busca de uma valorização pessoal e profissional. Alguns têm como objectivo uma mudança de carreira, outros procuram ganhar competências para progredir na sua actual empresa ou mesmo criar o seu próprio negócio. Um MBA garante o conhecimento técnico necessário a um futuro gestor e desenvolve o potencial de liderança, de trabalho em equipa, a capacidade de inovação e a criatividade. Todas estas características são depois altamente valorizadas por potenciais empregadores. Existem certas áreas e empresas que valorizam muito os MBAs, usando mesmo estes cursos como mecanismos de progressão de carreira. Muitas empresas, nomeadamente na área de Consultoria e Finanças. Durante os estágios de verão de 2010 as áreas que mais recrutaram alunos de MBA foram o sector Financeiro (31%), FMCG (16%) e Energias Renováveis (16%). Depois do MBA, a maioria dos alunos aceitaram funções nas áreas de Estratégia e Planemento (39%), Consultoria de Gestão (22%) e Gestão Geral (17%). 3. Não considero que se estejam a delinear novas tendências ao nível do MBA que derivem directamente como consequência do contexto económico-financeiro. Tal como no resto do mundo, as novas tendências ao nível do MBA prendem-se com um maior preocupação em abordar questões de ética, gestão de risco, responsabilidade social e sustentabilidade nos programas curriculares. Querem que os nossos alunos sejam conscientes de que é necessário dar o seu contributo para o desenvolvimento sustentável, independentemente da área onde trabalham. PWC Nuno Nogueira - Academy manager da PWC 1. As empresas e os seus profissionais têm elevadas exigências quanto ao retorno do investimento que aplicam em acções de formação profissional em que participam e tais requisitos não se alteram em função da actual conjuntura económica, continuando a investir em formação de qualidade e de excelência. As dificuldades financeiras das empresas constituem uma oportunidade para reverem investimentos, apostarem cada vez mais na qualidade e em formação prática que crie, de facto,

5 5 de 11 valor. 2. Acreditamos que acções de formação assentes em formatos práticos, de curta duração, com objectivos pedagógicos claramente definidos e mensuráveis, que se traduzam em alterações visíveis em comportamentos profissionais e no domínio de conhecimentos e competências traduzem uma visão de um futuro próximo, em que a formação profissional se encontra com as crescentes expectativas de empresas e dos seus quadros médios e superiores, quanto à percepção do valor criado para o desenvolvimento contínuo do seu negócio e da sua carreira, respectivamente. 3. Saber gerir. Saber criar valor e negócio. Saber estar com clientes e colaboradores. Compreender as múltiplas dimensões dos desafios económicos e empresariais exige o desenvolvimento de competências estratégicas e tácticas que apoiem os executivos nas suas decisões diárias quanto à sustentabilidade da actividade das suas empresas e do seu novo enquadramento social e económico que corresponda a um novo quadro geracional e cultural dos seus consumidores. FCEE UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA José Filipe Rafael - Director Adjunto da Católica Lisbon Executive Education 1. Pode-se ver a "crise" por dois ângulos diferentes. Para muitas empresas e pessoas significará menos actividade e mais inacção. Estas têm claramente reduzido orçamentos e portanto feito menos formação. Mas para muitas outras empresas e pessoas "crise" significa adaptação a um mundo em mudança, necessidade de actualização, de reconversão, pois as oportunidades que têm são diferentes das que tinham há uns anos. E uma das melhores formas de estimular essa mudança e actualização é justamente através da formação. Felizmente a FCEE- Católica tem essencialmente entre os seus clientes empresas dinâmicas e em evolução permanente, que enfrentam as dificuldades com determinação e que procuram reunir condições para o sucesso que naturalmente passam por quadros muito bem preparados. O mesmo acontece com quem procura os nossos programas a título individual: são quadros proactivos que se preparam para novos desafios. No entanto, é claro que as empresas e particulares são mais criteriosos nas escolham que fazem, procuram soluções mais eficientes e eficazes e por isso temos desenvolvido soluções mais flexíveis, é com satisfação que podemos dizer que vamos crescer num ano tão difícil como Há claramente uma procura crescente por programas mais curtos e mais especializados. Não podemos falar dum efeito de substituição da procura por programas longos e abrangentes, porque continuam a ser muito procurados sobretudo em fases iniciais de carreira, mas nota-se que, em função do estádio da carreira ou do sector de actividade, há interesse por aprofundar temas de especialidade. No que respeita aos domínios de formação, nota-se uma procura crescente por amadurecer a ligação da Gestão a preocupações de mudança e estímulo da eficiência e eficácia dos seus colaboradores. Lançámos o ano passado o programa de Gestão da Mudança que continua a ser muito procurado tanto individualmente como em programas intra-empresa. Nesta mesma linha de orientação, oferecemos pela primeira vez o programa Gerir por Objectivos e Avaliar o Desempenho. É inteiramente dedicado a aprender como numa empresa ou unidade de negócio se estabelecem e operacionalizam os objectivos individuais e de equipa. A perspectiva da formação permanente, ao longo de toda a carreira, tem-se claramente acentuado. A medida que os executivos vão evoluindo, também as suas necessidades de formação vão sendo diferentes. Nos primeiros anos, os executivos mais jovens procuram cursos mais abrangentes, mais longos, de um ano académico, que lhes dêem uma perspectiva alargada sobre as várias áreas da Gestão. Mais tarde, quando assumem mais responsabilidades, procuram melhorar as suas valências comportamentais, de comunicação, negociação ou liderança, bem como complementar a sua formação técnica com cursos de especialização, tipicamente mais curtos. Quando acedem a funções de administração ou direcção-geral, procuram uma visão mais estratégica e de alto nível que encontram no programa de Gestão Estratégica e Criação de Valor e no Advanced Management Program, programa que aborda temas de grande actualidade e é oferecido conjuntamente pela FCEE-Católica e pela Kellogg School of Management, dividido por duas semanas de formação, uma Lisboa e outra em Chicago. 3. Ao nível da formação intra-empresa claramente uma tendência para passar do tradicional plano de formação para um conceito de escola ou universidade corporativa, dando aos quadros possibilidades

6 6 de 11 de crescimento que superam largamente a formação nas funções que desempenham, frequentemente com adopção de novas tecnologias, usando metodologias de b-learning. Muitas das empresas têm inclusivamente aberto os programas que desenvolvem aos seus parceiros de negócios, porque ganham com esse crescimento conjunto, havendo diversos casos em que os programas são exclusivamente destinados a empresas clientes ou distribuidoras. É muito interessante constatar que as empresas percebem cada vez mais a formação como um investimento diferenciador e de elevado retorno, seja quando estão a investir nos seus próprios quadros, seja quando estão a investir nos gestores dos seus parceiros de negócio pois isso reforça a sua própria competitividade. EGP-UPBS Ana Paula Serra - Directora Executiva da EGP-UPBS e responsável pelo pelouro da Formação para Executivos da EGP-UPBS. 1. Em termos agregados, o principal impacto da crise na procura de formação sentiu-se em é um ano de recuperação Registaram-se algumas mudanças. Nas empresas acentuou-se a tendência de fazer programas inhouse, adequados às necessidades específicas das empresas. Já as empresas de média dimensão têm privilegiado temáticas relacionadas com a necessidade de uma postura mais competitiva por parte das empresas. Há uma maior procura de formações que suscitam reflexões e partilhas capazes de gerar ideias e soluções para desafios emergentes no contexto pós- crise, bem como de programas que oferecem técnicas e ferramentas de implementação e controlo de estratégias com utilidade imediata na gestão de empresas. Mantém-se ainda assim o interesse em formações nas temáticas de liderança e treino de equipas e desenvolvimento pessoal. Uma tendência marcante para as grandes e médias empresas é estruturar a formação em parceria com os responsáveis da formação de executivos das business schools, identificando cuidadosamente as necessidades de formação, em termos de hard skills e soft skills dos seus colaboradores, tendo por base os desafios que enfrentam e as competências internas existentes. IFB Luís Vilhena da Cunha - Director-Geral do Instituto de Formação Bancária (IFB) e Presidente da Direcção do Instituto Superior de Gestão Bancária (ISGB) 1. O Instituto de Formação Bancária (IFB) - como, aliás, o seu instituto-irmão, o Instituto Superior de Gestão Bancária (ISGB) - sendo integralmente detido pela Associação Portuguesa de Bancos (APB), está vocacionado para as necessidades de formação específicas do sector financeiro e, dentro dele, particularmente do bancário. A enorme crise económica e financeira actual, afectando todos os países e sectores de actividade, originou novas necessidades de formação e alterou algumas das prioridades anteriores neste domínio. A diminuição do nível de actividade do sector não bancário da economia tem originado o aumento da concorrência entre os bancos. Além disso, as acrescidas exigências dos reguladores, por um lado, e o necessário reforço da actividade de promoção comercial de produtos e serviços financeiros, por outro lado, têm feito aumentar os domínios em que a formação profissional se torna imprescindível. No sector bancário português a utilização da formação como importante instrumento de gestão dos recursos humanos é uma realidade já com muitos anos e consolidada, o que permitiu que o IFB esteja no seu trigésimo ano de vida e que exerça actividade não só para bancários portugueses como também de outros países da Europa e de África. Como exemplo, posso dizer que estamos neste momento a ministrar (em Lisboa) um curso para directores do Development Bank of Ethiopia que nos foi encomendado pelo Banco Europeu de Investimento. A procura de formação por parte de alunos e empresas continua forte. 2. Na formação de executivos bancários tem havido necessidade de formação em alguns aspectos específicos, como o de compliance e o de investimentos e mercados financeiros, e reforço da preparação em gestão de recursos humanos e gestão comercial e de marketing financeiro. Isto para

7 7 de 11 além do aumento de formação em técnicas bancárias desenvolvidas e técnicas comportamentais. 3. Continuando focado no sector bancário, posso dizer há a preocupação de entender com maior profundidade o funcionamento dos novos sectores de actividade económica, de aumentar as competências de gestão geral, e de dominar com maior agilidade os instrumentos de gestão do marketing moderno e de gestão de pessoas. CATÓLICA DO PORTO ÁLVARO NASCIMENTO - Director da Faculdade de Economia e Gestão e director da EGE do Centro Regional do Porto-Católica 1. Claro que sim, com a crise as empresas cortaram na formação e tal reflectiu-se na procura dos programas desenhados à medida. Este corte é natural e surge no topo da lista das prioridades quando a preocupação é a redução de custos. Não obstante, nem todos os nossos parceiros empresariais tiveram a mesma atitude. Conscientes de que a formação é um factor chave para a competitividade, continuaram com programas já iniciados e alguns lançaram novos desafios procurando respostas a um novo paradigma mais competitivo e num mundo global em que os choques se propagam com maior rapidez e maior intensidade. Nos programas que temos abertos (MBA ou de formação avançada),a queda da procura não ocorreu com idêntica intensidade. A crise, muito severa no Norte e Portugal, induziu uma importante quebra no rendimento das pessoas e, também, o aumento do desemprego. E estes factos justificariam fortes quebras na actividade de formação. No caso da Católica.Porto, na Atlantic Business School a quebra da procura neste segmento de mercado foi ainda assim moderada. 2. Mudou, sobretudo, o perfil dos programas de formação e os objectivos. Hoje há uma menor preocupação com o desenvolvimento de competências técnicas e um maior enfoque em aspectos relacionados com aquilo que nas escolas de economia e gestão se chama de competências transversais ou 'soft skills'. Procura-se hoje uma formação mais abrangente e multidisciplinar, num entendimento moderno de que os gestores de hoje necessitam de valências em áreas diversas, que extravasam os assuntos económicos e se estendem à cultura, às ciências e às engenharias, entre tantos outros. Esta capacidade pessoal de desenvolver uma visão abrangente e crítica - a par com a capacidade de capitalizar as redes de relações pessoais - está na base de ousados processos de inovação e desenvolvimento empresarial, assentes em novas estratégias que têm em vista reforçar a competitividade das empresas nos mercados tradicionais e descobrir novas oportunidades. Há também uma consciencialização crescente para a importância das redes e da cooperação no sucesso empresarial. 3. As escolas de negócios permanentemente sujeitas a processos de inovação, resultado da experiência e de novos avanços científicos. Em cada momento há que repensar a adequação das ofertas formativas à procura e às necessidades do mercado e, também, à sua utilidade para o desenvolvimento e progresso do país. A crise determina novas estratégias para as escolas de negócios e do perfil das ofertas e programas de formação. A resposta que as escolas dão, através de alterações no seu portfolio de oferta de formação, é distinto consoante o contexto. A resposta das escolas de negócios no Norte de Portugal é diferente das escolas do Sul, ou que a resposta das escolas Portuguesas não tem de ser igual à das escolas internacionais. Não é possível mimetizar experiências ignorando a envolvente. As escolas de negócios mantêm relações estreitas com as empresas - como ocorre na Católica.Porto com a Atlantic Business School e Associação Empresarial de Portugal - as respostas inserem-se numa estratégia em que a escola se coloca ao serviço da sua comunidade, procurando desempenhar o seu papel de inovação para o reforço da competitividade e pata o progresso económico. ISLA JOÃO ATANÁSIO - Administrador do ISLA 1. Contrariamente ao que habitualmente se supõe, em épocas de crise a procura de formação por parte de alunos individuais aumenta, por vezes até significativamente. Na realidade, confrontados com o espectro do desemprego ou do potencial desemprego, os

8 8 de 11 particulares tendem a procurar melhorar as suas qualificações de modo a reentrarem no mercado de trabalho ou a garantirem a manutenção do seu emprego. Nestes períodos, a procura de novas ferramentas diferenciadoras, que constituam uma mais-valia a nível pessoal, acentua-se consideravelmente, sendo o investimento em educação superior àquele que se regista em épocas de crescimento económico. Assim, não obstante a redução do poder de compra associada a tempos de crise, a aposta em educação e formação continua a ser efectuada a um ritmo crescente. Já em relação às empresas, verifica-se o fenómeno oposto, havendo uma clara retracção do investimento em formação por parte da esmagadora maioria das empresas, que reduzem as verbas disponíveis para financiar os seus recursos humanos, o que poderá ter consequências negativas no médio/ longo prazo. 2. Num contexto de crise económica, na formação de executivos alunos e empresas procuram, essencialmente, cursos que lhes permitam aumentar a sua rentabilidade, apostando em áreas predominantemente práticas, onde o nosso país possa beneficiar de vantagens competitivas. Assim, o Turismo e a Hotelaria, a Gestão nas suas várias vertentes (Estratégica, Marketing, Financeira, Recursos Humanos, etc.) e a Saúde têm conhecido uma forte procura por parte de alunos e de empresas, tendo os números superado aqueles que se registavam em períodos homólogos nos anos anteriores. As áreas mais penalizadas foram aquelas em que se registaram maiores quebras a nível económico, com as empresas, sobretudo, a reduzirem significativamente os valores de que dispõe para apoiar a formação dos seus colaboradores. No entanto, o ISLA- Lisboa não tem sido particularmente afectado por esta situação, uma vez que a esmagadora maioria dos seus cursos de formação se situa fora do domínio onde a redução tem incidido de forma mais acentuada. 3. Alguns dos cursos e alguns dos módulos que compõem diversos cursos foram adaptados de modo a reflectir nos seus conteúdos a preocupação existente no tecido empresarial português com as estratégias adequadas para minorar ou ultrapassar a crise económica que afecta o nosso país. Em diversas áreas, procura dotar-se os formandos de ferramentas que lhes possibilitem adoptar medidas de combate à crise e desenvolver as inúmeras oportunidades que surgem sempre nestes períodos. É que não nos devemos esquecer que estas épocas são sempre propícias ao aparecimento de oportunidades de afirmação no mercado. O importante é colocar o acento tónico na potenciação dos recursos humanos e na definição de estratégias vencedoras. Nos cursos da área de gestão ou com componentes de gestão, os programas foram desenhados com estes objectivos. EGE Nuno Côrte-Real - Director da EGE 1. Sim. Notamos desde 2009 alguma quebra na procura de formação executiva, de uma forma mais notória na procura por parte das empresas (in company). Claro que esta retração do investimento em formação por parte das empresas reftete-se igualmente nos programas abertos na medida em que muitos alunos são financiados pelas entidades patronais. 2. A esse nível não sentimos alterações sensíveis. Ou se trata de procura de temas muito específicos, tecnicamente focados (ex: Finanças, Marketing, SNC, etc) ou, se se tratam de programas de gestão de espectro mais alargado, há, como já havia, uma particular preocupação com os aspectos comportamentais (soft skills). É em períodos mais incertos e turbulentos que mais se apreciam nos quadros das empresas as competências de polivalência, flexibilidade e capacidade de adaptação a novos contextos. 3. Penso que não. Ainda andamos todos a "aprender" (leia-se a adaptar-nos), Escolas e mercado de trabalho, às consequências do processo de Bolonha. Quando houver tendências mais definidas sobre o comportamento dos alunos e dos empregadores sobre esta nova realidade é natural que tenha de haver adaptações e novas abordagens. AUTÓNOMA DE LISBOA Reginaldo Rodrigues de Almeida - Director da Administração Escolar Habitualmente diz-se, e é bem verdade, que as épocas de crise também são de oportunidades pois permitem diferentes ângulos de abordagem da realidade envolvente. No que à Universidade Autónoma de Lisboa diz respeito, a procura por formações especializadas, por exemplo, tem assinalado procura crescente. Uma procura de formação contínua e dirigida destinada a nichos

9 9 de 11 empresariais. 2. Conforme referido, as opções recaem cada vez em formações intensivas que tentam potenciar as novas abordagens da gestão a 360. Actualmente as empresas mais do que formarem na base, preferem a especialização através da denominada "banda estreita". 3. As crises como sabemos são cíclicas e as tendências formação serão fundamentalmente aquelas que permitam um desempenho mais qualificado na área de actividade em que cada um está inserido. Os desafios da Gestão passam pela leitura atenta da realidade envolvente e, a cada momento, tomar a mais ajustada decisão em matéria de formação. INSTITUTO PIAGET Marlene V. Silva - Vice- Presidente do Conselho Directivo do Instituto Piaget 1. Sem dúvida que a crise afecta todos os sectores da vida nacional daí que a realidade do ensino superior não seja excepção. Quando as famílias vivem o flagelo do desemprego sentem mais intensamente a necessidade de estabelecer prioridades, e infelizmente resulta muito difícil fazer com que a formação ocupe o primeiro lugar. 2. O ensino superior tem progressivas transformações que acompanham o natural evoluir da humanidade. Com o aumento da esperança média de vida assiste-se a um prolongamento do tempo de vida activa, e tanto as pessoas como as instituições/empresas estão cada vez mais conscientes da necessidade de formação, para além dos chamados ciclos iniciais. Daqui resulta uma procura de formações pós-graduadas que permitam uma actualização e aperfeiçoamento técnico-científico das competências profissionais. 3. Enfrentar e gerir os efeitos de qualquer crise exige uma atitude positiva e de confiança na capacidade de a superar. Acreditamos que algumas novas tendências na formação possam estar relacionadas com o recurso mais frequente às novas tecnologias, destacando-se aqui o ensino a distância. Se conseguirmos manter a acessibilidade à formação, reduzindo os seus custos e assegurando a sua qualidade, certamente estaremos no bom caminho, pois sem formação e qualificação não há competitividade. Nesta perspectiva o Instituto Piaget tem vindo a investir fortemente na formação de toda a comunidade académica, docente e discente, no sentido de a capacitar para novos modelos e metodologias de ensino aprendizagem. NOVA FORUM Nadim Habib - Administrador Executivo do Nova Forum 1. Os Programas de Formação para Executivos desenhados pela NOVA têm inerente uma lógica de longo prazo - 5 a 10 anos. Enquanto meios aceleradores do desenvolvimento das competências executivas dos líderes e futuros líderes do país, os nossos cursos focam questões tão fundamentais como a eficiência operacional e o planeamento estratégico. Ora sabemos que o mundo experimenta de forma cíclica períodos de crise e períodos de crescimento. Por isso, na concepção, oferta e implementação dos nossos Programas, a crise não teve grande efeito e irá continuar a não ter. Numa outra perspectiva, diria que a crise tem levado o mercado - executivos e organizações - a ser mais criterioso na escolha de Programas de Formação. E isto é bom para as escolas que têm vindo a investir em qualidade. Na NOVA, os últimos anos foram de grande investimento na investigação. Por um lado, a investigação científica, por outro, o estudo profundo das metodologias de ensino que têm impacto, que o aluno traduz em resultados a médio e longo prazo. Assim, a verdade é que para nós a crise tem um lado positivo - clientes selectivos tendencialmente escolhem a NOVA para fazer formação. Naturalmente que em momentos de "boom" económico, a premissa altera-se - ávido para comprar, o cliente não pára para avaliar a qualidade. 2. Independentemente do contexto - crise ou expansão - as organizações procuram/pedem que

10 10 de 11 entendamos profundamente os desafios que vivem. Que motivemos os seus quadros. Que aumentemos os seus conhecimentos. E pedem que conectemos os seus quadros... entre eles, mas também com profissionais de outras áreas, sectores e indústrias. 3. Gostaria de destacar uma única tendência na Formação de Executivos: independentemente do Programa em questão, estamos numa era de Leadership Development. Todos os Programas que desenvolvemos na NOVA têm uma lógica de Leadership Development, ou seja, o desenvolvimento de uma cultura de Liderança dentro das organizações. Simplesmente porque foram pensados para formar os futuros líderes do país. AESE Jorge Ribeirinho Machado - Director de Marketing e Comunicação da AESE 1. A crise afectou a procura de Formação de Executivos na medida em que exige das empresas e dos participantes um investimento mais prudente no desenvolvimento de competências e na empregabilidade dos seus colaboradores com resultados a curto e médio prazo. 2. A procura de formação de executivos mudou porque os dirigentes de todas as instituições perceberam que para além dos conhecimentos em gestão de que necessitam, importa desenvolver soft skills. Compreendendo os colaboradores, as suas necessidades e o seu talento consegue alinhar-se o melhor de cada um com a estratégia da organização e estimular um desempenho cada a vez melhor do indivíduo, das equipas e das empresas. 3. É natural que as escolas de negócios desenhem propostas formativas atendendo às necessidades de mercado e à conjuntura vivida. Na AESE, a ligação que mantemos com os Alumni e com as empresas permite-nos, desde há 30 anos, adequar os programas às exigências diariamente sentidas pelos dirigentes e executivos. A criação em 2010 do GSP - Gestão de Saúde de Proximidade, em Lisboa e no Porto, é um exemplo da resposta que a AESE dá aos responsáveis de empresas e instituições. LUSÓFONA Manuel José Oamásio - Professor Associado Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias 1. Os sinais da crise não se manifestam tanto numa retração da procura mas sim na disponibilidade financeira dos discentes. Assim, assiste-se a uma procura crescente por instrumentos de financiamento à formação bem como por programas especiais de gestão do processo de pagamentos. 2. Alunos e empresas procuram cada vez mais uma formação que garanta resultados efetivos a curto prazo nomeadamente no que concerne à ligação efetiva da mesma às práticas reais de empresas e recursos humanos em desfavor de competências mais generalistas ou de banda larga. 3. Até ao momento não podemos afirmar que haja novas tendências. O que podemos assegurar é que as instituições procuram estar atentas a todos os sinais emergentes nomeadamente os que dizem respeito à procura de novos perfis profissionais e/ou competências consideradas relevantes num ambiente mais volátil e exigente como aquele em que nos movimentamos. ATLÂNTICA Artur Torres Pereira - Presidente do Conselho de Administração da EIA, SA (entidade institudora da Universidade Atlântica) 1. Sem dúvida que sim. As empresas e os alunos têm menor capacidade financeira e isso acaba por se reflectir na aposta que fazem na formação. A Universidade Atlântica, ciente dessas dificuldades, tem vindo a tomar decisões que facilitem o acesso à formação, como alguns descontos no pagamento dos cursos ou o pagamento faseado das propinas dos cursos pós-graduados. 2. Não creio que, na sua essência, haja uma mudança acentuada quanto ao objectivo estratégico deste tipo de formação. Contudo, julgamos que a nossa filosofia de ensino, vocacionada para adultos e assente numa formação tão prática quanto possível, acaba por ser mais apetecível numa conjuntura em que a aplicação prática dos conhecimentos é mais premente. 3. Se estão, ainda não são completamente perceptíveis.

11 11 de 11 FEP João F. Proença - Director da FEP 1. Penso que a crise pode ter algum efeito positivo na procura de formação na área da gestão e da economia, particularmente na formação dada por Universidades e Escolas de Economia e Gestão de elevada reputação. Apesar da crise, muitas pessoas tendem a aproveitar a dificuldade actual em obter um emprego (seja uma mudança para condições mais atraentes ou o primeiro emprego) para se reconverterem, desenvolverem novas competências e melhorar a sua posição num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente. Admito que em certas aéreas, como, por exemplo, na formação paga por empresas que a procura se esteja a ressentir, dada a forte crise económica. Contudo, interessa ainda perceber que a Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP.UP) é procurada não só por exalunos da FEP, mas dada a sua elevada reputação também por graduados de outras escolas de economia e gestão que buscam a nossa excelência. Acresce ainda que depois de Bolonha, começamos a ser muito procurados por estudantes com formação muito diversificada, nomeadamente das áreas da medicina, engenharia, psicologia, direito, matemáticas e outras ciências, que procuram formação em economia e gestão, o que nos coloca provavelmente numa situação muito privilegiada face ao momento difícil actual. 2. Cada vez mais as empresas procuram pessoas com atitudes empreendedoras, pessoas que se adaptem mais aos valores da organização do que a funções muito específicas. Questões como a flexibilidade, o trabalho em equipa, a iniciativa e a autonomia são muito valorizados a par das competências técnicas. Estas são restritivas e para determinadas funções passaram a ser um dado adquirido... Nos postos de trabalho melhor remunerados as competências técnicas são essenciais e um factor de diferenciação. Por isso, na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP.UP) não descuramos a formação das competências técnicas onde somos muito bons e mesmo excelentes há muito tempo. Contudo, actualmente, os nossos programas também valorizam o desenvolvimento das soft skills, dado que o mercado de trabalho passou a valorizar muito estas competências que nalguns casos passaram a ser um dado diferenciador dos candidatos ao emprego, como, por exemplo, para alguns cargos executivos e outros profissionais da gestão. 3. Existe uma tendência crescente de diversificação de formação. As pessoas procuram cada vez mais diversificar a sua formação para abranger um maior leque de oportunidades profissionais. Procuram as competências técnicas de excelência, mas cada vez mais de natureza diversificada. Aliás a implementação de Bolonha persegue isso mesmo, o que criou alguma pressão no sentido de diversificação da formação no sistema de ensino superior português. Por isso, hoje nos corredores da Faculdade de Economia da Universidade do Porto encontramos estudantes oriundos de múltiplas áreas diferentes da Economia e Gestão, como a Medicina, o Direito, a Engenharia, a Psicologia, a Informática, a Matemática e outras Ciências, o que está a mudar de facto o ambiente da formação. Este cenário favorece cada vez mais a formação multidisciplinar, onde se abordam os problemas da gestão e da economia de forma abrangente. «o texto constante desta página foi gerado automaticamente por OCR (Optical Character Recogniser), pelo que é passível de conter gralhas ou erros ortográficos resultantes dessa conversão.» ficheiros anexos e1.pdf ( bytes) voltar domingo, Universidade do Minho

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