JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS

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1 MAURÍCIO FERREIRA CUNHA RENATO PESSOA MANUCCI JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS E CRIMINAIS 2018 coleção SINOPSES para concursos Coordenação Leonardo Garcia 34

2 Competência Capítulo II 1. INTRODUÇÃO Nos termos do art. 3º, Lei 9.099/95, o Juizado Especial Cível (JESP) tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas: I as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo; II as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil de ; III a ação de despejo para uso próprio; IV as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao fixado no inciso I deste artigo. Interpretando o dispositivo legal, extrai-se que a menor complexidade da causa para a fixação da competência é aferida pelo objeto da prova e não em face do direito material (Enunciado 54, do FONAJE). Outrossim, é taxativo o elenco das causas previstas no art. 3º da Lei 9.099/1995, de acordo com o Enunciado 30, do FONAJE. Não haverá, contudo, prorrogação da competência para os Juizados Especiais se a matéria ou o valor da causa não estiverem em perfeita sintonia com os enunciados do art. 3º da Lei 9.099/1995. Significa dizer, pois, que se a questão do valor da causa induz à competência relativa no processo tradicional (art. 102, do Código de 1. Não obstante a extinção do procedimento comum sumário pelo CPC/2015, que não reproduziu as disposições do art. 275, inciso II, o novo diploma processual ressalvou, no art , que enquanto não sobrevier lei específica, os Juizados Especiais permanecem competentes para o processo e julgamento das causas elencadas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil de Assim, justifica-se a remissão ao dispositivo, que foi incorporado ao microssistema da Lei 9.099/95.

3 34 Juizados Especiais Cíveis e Criminais Vol. 34 Maurício Cunha e Renato Manucci Processo Civil), essa relatividade não atinge os processos dos Juizados Especiais, segundo se constata dos arts. 3º, I, combinado com o seu 3º, e arts. 15, 39 e 51, II, todos da Lei 9.099/1995. Em outras palavras, se no processo civil tradicional a competência em razão do valor da causa é relativa e se prorroga, o mesmo não se verifica nos Juizados Especiais para aquelas demandas que não sejam de sua competência 2. Natureza da competência em razão do valor da causa Processo tradicional JESP Competência rela va Competência absoluta Prorroga-se Improrrogável Portanto, a Lei 9.099/95 prescreveu profundas e significativas inovações, levando para o conhecimento, na esfera cível, não apenas as causas de pequeno valor, mas as demandas de menor complexidade que, segundo o art. 3º, são identificadas pelo valor (inciso I) e pela matéria (incisos II a IV). Vale dizer, a competência nesse sistema é distribuída levando em consideração dois critérios principais: Competência em razão do valor da causa Causas até 40 (quarenta) salários mínimos Atenção: a Lei /2001 [que disciplina os Juizados Especiais Federais] não altera o limite da alçada previsto no artigo 3º, inciso I, da Lei 9.099/1995 (Enunciado 87, FONAJE). Competência em razão da matéria a) Ações de despejo para uso próprio; b) Ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a 40 (quarenta) salários mínimos; c) Ação de arrendamento e de parceria agrícola; 2. TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Estaduais Cíveis e Criminais. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 116.

4 Cap. II Competência 35 Competência em razão do valor da causa Competência em razão da matéria d) Ação de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio; e) Ações de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico; f) Ações de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre; g) Ações de cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de veículo, ressalvados os casos de processo de execução; h) Ações de cobrança de honorários dos profissionais liberais, ressalvado o disposto em legislação especial; i) Ações que versem sobre revogação de doação; Importante: A Lei , de 23 de abril de 2014, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da internet no Brasil (marco civil da internet), dispõe, em seu art. 19, 3º, que as causas que versem sobre ressarcimento por danos decorrentes de conteúdos disponibilizados na internet relacionados à honra, à reputação ou a direitos de personalidade, bem como sobre a indisponibilização desses conteúdos por provedores de aplicações de internet, poderão ser apresentadas perante os juizados especiais. O dispositivo deve ser interpretado à luz do microssistema instituído pela Lei 9.099/95, de modo que as ações de ressarcimento mencionadas poderão ser aforadas nos Juizados Especiais desde que não superem o limite de alçada, que é de 40 (quarenta) salários mínimos. 2. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DO VALOR DA CAUSA O principal critério de determinação da competência dos JESP Cível é o valor da causa, que não pode ultrapassar 40 (quarenta) salários mínimos. Para tanto, deverão ser observados os parâmetros do art. 292 do CPC/2015, que podem ser sintetizados da seguinte maneira:

5 36 Juizados Especiais Cíveis e Criminais Vol. 34 Maurício Cunha e Renato Manucci Critérios legais para atribuição de valor à causa Natureza Ação de cobrança de dívida Lide versando sobre a existência, validade, cumprimento, modificação, rescisão ou resilição de ato jurídico Ação de alimentos Ação de divisão, de demarcação e de reivindicação Ação indenizatória, inclusive fundada em dano moral Cumulação de pedidos Pedidos alternativos Pedido subsidiário Valor da causa Soma monetariamente corrigida do principal, dos juros de mora vencidos e de outras penalidades, se houver, até a propositura da ação Valor do ato ou de sua parte controvertida Soma das 12 (doze) prestações mensais, pedidas pelo autor Valor da avaliação da área ou do bem objeto do pedido Valor pretendido Quantia correspondente à soma dos valores de todos eles Pedido de maior valor Valor do pedido principal Como esse assunto foi cobrado em concurso: No concurso do TJCE para Juiz de Direito (2014), foi considerada correta a seguinte afirmativa: Nos Juizados Especiais Cíveis podem ser julgadas as causas cíveis de menor complexidade, entre elas as ações de despejo para uso próprio e as que não excedam a quarenta vezes o salário mínimo, inclusive as ações possessórias sobre bens imóveis, limitadas a esse valor. Como se sabe, na Justiça Estadual, o valor de alçada não pode superar quarenta vezes o salário mínimo. Para fins de determinação da competência, na hipótese de cumulação de pedidos, a soma das pretensões não pode ultrapassar o valor de alçada, ou seja, 40 (quarenta) salários mínimos. Logo, ganha importância a atribuição do valor da causa e o seu controle pelo magistrado, uma vez que, vale reafirmar, [...] o primeiro limite à jurisdição dos Juizados Especiais de Causas Cíveis reside no valor da causa, que não pode ultrapassar, em regra, quarenta salários mínimos, ressalvada a hipótese de renúncia à importância que lhe sobejar ou desde que se verifique a conciliação (art. 3º, 3º) TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Estaduais Cíveis e Criminais. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 123.

6 Cap. II Competência 37 O CPC/2015, a propósito, positivou o controle do valor da causa ao estabelecer no 2º do art. 292 que o juiz corrigirá, de ofício e por arbitramento, o valor da causa quando verificar que não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas correspondentes. No entanto, alertam José Miguel Garcia Medina, Fábio Caldas de Araújo e Fernando da Fonseca Gajardoni que eventuais distorções que possam provocar o aparecimento de causas milionárias no Juizado Especial devem ser resolvidas pontualmente pelo magistrado, que poderá contar com o art. 51, II para remetê-las para a via ordinária. É oportuno lembrar que existem muitas causas de pequeno valor econômico, as quais, muitas vezes, podem ser de simples solução 4. Por outro lado, nas causas cujo valor seja superior a 40 (quarenta) salários mínimos, entende-se que estará o autor, tacitamente, renunciando ao crédito excedente. Todavia, se houver concordância da parte adversa, através da conciliação, em pagar-lhe valor superior, este restará homologado e servirá de parâmetro em eventual cumprimento de sentença. Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso realizado pela PUC/PR para o cargo de Juiz de Direito do TJPR, no ano de 2014, constou da prova objetiva proposição que abordou a competência em razão do valor da causa e a possibilidade de renúncia do valor excedente do valor de alçada, sendo considerada correta pela banca examinadora: Nos casos em que o valor do suposto crédito perseguido supera o teto do Juizado Especial, mas não tenha qualquer outra causa que o exclua pela Lei nº 9099/95, nem haja necessidade de produção de prova complexa pode o autor optar pelo Juizado Especial, caso renuncie o valor excedente aos 40 Salários Mínimos. No concurso para Juiz de Direito (2014) realizado pela FCC a seguinte afirmativa foi considerada incorreta: A opção pelo procedimento dos Juizados Especiais Cíveis não implica renúncia ao crédito excedente ao limite legal, que poderá ser cobrado em ação autônoma, pelo procedimento ordinário. Contrariamente ao que trazido pela assertiva, a única hipótese em que os valores podem superar o teto estabelecido 4. MEDINA, José Miguel Garcia; ARAÚJO, Fábio Caldas; GAJARDONI, Fernando da Fonseca. Processo Civil Moderno. Vol. 04: Procedimentos Cautelares e Especiais. 3ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2012, p. 134.

7 38 Juizados Especiais Cíveis e Criminais Vol. 34 Maurício Cunha e Renato Manucci pela Lei 9.099/95 se dá quando as partes assim transigirem, de modo que, se assim não acontecer, a opção de rito sumaríssimo importará na renúncia ao crédito excedente ao limite estabelecido pela lei. De resto, a Lei /01, que instituiu os Juizados Especiais Federais, prevendo valor de alçada para aquele procedimento de 60 (sessenta) salário mínimos, não alterou o limite de alçada previsto no art. 3º, inciso I, da Lei 9.099/95 (Enunciado 87, do FONAJE). 3. COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA MATÉRIA Igualmente, incluem-se na competência dos Juizados Especiais as causas referentes a despejo para uso próprio, ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a 40 (quarenta) salários mínimos, bem como aquelas elencadas no art. 275, inciso II, do CPC/1973 (ver quadro acima). Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para Juiz de Direito (TJAP, 2014), realizado pela FCC, a seguinte assertiva foi considerada incorreta: No que se refere aos Juizados Especiais Cíveis, é correto afirmar: b) Podem ser propostas ações de despejo para uso próprio, bem como por falta de pagamento e por infração contratual. Percebe-se que o erro da questão está ligado à impossibilidade de tramitação, em sede de Juizados Especiais, de demanda em que é pleiteado o despejo por falta de pagamento e por infração contratual, sendo admissíveis, tão-somente, as causas referentes a despejo para uso próprio. No concurso para Juiz de Direito (TJSC 2010), a seguinte afirmativa foi considerada correta: Sobre os Juizados Especiais Cíveis, assinale a alternativa correta: I. Podem processar-se, dentre outras, ações de despejo para uso próprio, de indenização por acidentes de veículos de via terrestre, de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condômino Causas elencadas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973 Compete aos Juizados Especiais, independentemente do valor da causa, processar e julgar as causas de menor complexidade que envolvam o arrendamento rural e a parceria agrícola; a cobrança em face do condômino; o ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico e por danos causados em veículos; a cobrança de

8 Cap. II Competência 39 seguro, advindos de acidente de veículos; a cobrança de honorários de profissionais liberais. Com o advento do CPC/2015, as causas mencionadas no art. 275, inciso II, do texto revogado, embora não reproduzidas pela nova legislação, permanecem aplicáveis aos Juizados Especiais até que sobrevenha lei específica regulamentando a competência material desta Justiça Especializada (exemplo de ultratividade na área cível). Nesse sentido, dispõe o art do novel Estatuto Processual Civil que até a edição de lei específica, os juizados especiais cíveis previstos na Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, continuam competentes para o processamento e julgamento das causas previstas no art. 275, inciso II, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de Logo, sendo relativa a competência dos Juizados Especiais Cíveis no âmbito da Justiça Estadual, o autor poderá apresentar sua demanda nos Juizados Especiais ou optar pela Justiça Comum, quando se submeterá ao procedimento comum ordinário. Com efeito, as causas cíveis enumeradas no art. 275, II, do Código de Processo Civil admitem condenação superior a 40 salários mínimos e sua respectiva execução, no próprio Juizado, nos termos do Enunciado 58, do FONAJE. Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para Juiz Leigo, promovido pelo TJ-GO e organizado pela CS-UFG, no ano de 2017, foi considerado correto enunciado que afirmava ser da competência dos Juizados Especiais Cíveis Estaduais as causas cíveis enumeradas no artigo 275, II, do CPC/73, mesmo que delas advenha condenação acima de 40 salários mínimos. Por outro lado, há vozes na doutrina no sentido de que [...] é equivocada a afirmação de que as demandas do inciso II do art. 3º da Lei 9.099/1995 (art. 275, II, do Código de Processo Civil) versam apenas sobre matéria, donde resultaria a competência absoluta dos Juizados Especiais Cíveis. Note-se que a lide condominial dispõe sobre cobrança de quaisquer quantias devidas ao condomínio (alínea b), bem como sobre o ressarcimento por danos causados em prédio urbano ou rústico (alínea c) ou decorrente de acidente de veículos de via terrestre (alínea d) ou, ainda, de cobrança de seguro (alínea e) e de honorários de profissionais liberais (alínea f) TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Estaduais Cíveis e Criminais. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 106.

9 40 Juizados Especiais Cíveis e Criminais Vol. 34 Maurício Cunha e Renato Manucci 3.2. Ação de despejo para uso pessoal Dentre as diversas modalidades de ação de despejo, o art. 47, inciso III, Lei 8.245/91, menciona a de despejo para uso pessoal. Trata- -se de demanda que compreende aquela ajuizada pelo proprietário (abrange o promissário comprador ou cessionário) do imóvel locado, para seu uso ou de seu cônjuge ou companheiro, ou para uso residencial de ascendente ou descendente, que, independentemente do valor da causa, está compreendida na competência do JESP Cível. No mesmo sentido, admite-se a retomada de imóvel alugado para uso de filho que vai contrair matrimônio, consoante o entendimento cristalizado na Súmula 175, do Supremo Tribunal Federal (STF). 6 Atenção: Prevalece que a competência dos Juizados Especiais abrange apenas e tão somente as ações de despejo para uso pessoal, descritas no art. 47, inciso III, Lei 8.245/91, conforme o Enunciado 04, do FONAJE. Tourinho Neto, entretanto, em posição minoritária, defende que [...] as ações de despejo com base em outras fundamentações (v.g. inadimplemento contratual) não ficam excluídas da apreciação e da tramitação pelo prisma da Lei 9.099/1995, desde que se enquadrem na limitação de alçada definida no art. 3º, inciso I. Aliás, como dissemos alhures, esse inciso traz em seu bojo alcance enorme e deve ser interpretado extensivamente, observando-se, todavia, as restrições estabelecidas no art. 3º, 2º, e no art. 8º, caput e 1º. Outra não é a interpretação sistemática que se pode colher do art. 98, I, da Constituição Federal, em perfeita sintonia com o art. 80 da Lei das Locações e art. 3º da Lei 9.099/ Embora cabível a ação de despejo para uso pessoal nos Juizados Especiais, não se aplica o procedimento especial da Lei 8.245/91, de modo que não é possível a concessão de liminar para desocupação, em 15 (quinze) dias, do imóvel locado nas hipóteses elencadas no art. 59, 1º, Lei 8.245/91, com as modificações inseridas pela Lei /2009. Não obstante, inexiste óbice à concessão de tutela antecipada quando preenchidos os pressupostos do art. 300, caput, CPC/2015. [...] Todavia, em face do caráter eminentemente social que envolve as ações locativas, ao proferir sentença, deverá o juiz conceder um prazo razoável para a desocupação do imóvel TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Estaduais Cíveis e Criminais. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p TOURINHO NETO, Fernando da Costa; FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Juizados Especiais Estaduais Cíveis e Criminais. 7ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2011, p. 134.

10 Cap. II Competência 41 Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso de Juiz de Direito do TJCE, realizado no ano de 2014 pela FCC, o tema foi cobrado da seguinte maneira: Nos Juizados Especiais Cíveis, a) não se admitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro, assistência ou litisconsórcio. b) nas ações para reparação de dano de qualquer natureza, o foro competente será sempre, e exclusivamente, o do domicílio do réu ou do local do ato ou fato. c) podem ser julgadas as causas cíveis de menor complexidade, entre elas as ações de despejo para uso próprio e as que não excedam a quarenta vezes o salário mínimo, inclusive as ações possessórias sobre bens imóveis, limitadas a esse valor. d) não poderão propor ações quaisquer pessoas jurídicas, o incapaz, o preso, a massa falida e o insolvente civil. e) o réu, sendo pessoa jurídica ou titular de firma individual, poderá ser representado por preposto credenciado, munido de carta de preposição com poderes para transigir, desde que possua vínculo empregatício com a pessoa jurídica. Alternativa correta: letra c. Trata-se de uma combinação, pela banca examinadora, de critérios de competência em razão de valor e matéria, conforme preceituado pelo art. 3º, I, III e IV da Lei nº 9.099/95. No concurso para Juiz de Direito do TJPR, realizado no ano de 2012 pela UFPR, a seguinte assertiva foi considerada correta: Além das causas cujo valor não exceda quarenta salários mínimos, os juizados especiais cíveis têm competência para processar e julgar a ação de despejo para uso próprio. Tratando-se de competência material dos Juizados Especiais, este juízo poderá julgar causas relativas à ação de despejo para uso pessoal, além daquelas previstas no art. 275, inciso II, do CPC/1973. A propósito, diverge a doutrina se o critério material depende do critério do valor da causa, vale dizer, a ação de despejo para uso pessoal (ou aquelas do art. 275, inciso II, Código de Processo Civil) limita-se ao valor de alçada de 40 (quarenta) salários mínimos? Prevalece na jurisprudência que [...] a menor complexidade que confere competência aos Juizados Especiais é, de regra, definida pelo valor econômico da pretensão ou pela matéria envolvida. Exige-se, pois, a presença de apenas um desses requisitos e não a sua cumulação. A exceção fica para as ações possessórias sobre bens imóveis, em relação às quais houve expressa conjugação dos critérios de valor e matéria. Assim, salvo na hipótese do art. 3º, IV, da Lei 9.099/95, estabelecida a competência do Juizado Especial com base na matéria, é perfeitamente admissível que o pedido exceda o limite de 40 salários mínimos [...] (STJ, MC /SC, 3ª T., rel. Min. Nancy Andrighi, j , DJe ).

11 42 Juizados Especiais Cíveis e Criminais Vol. 34 Maurício Cunha e Renato Manucci Caso descumprida a finalidade para a qual fora pleiteado o despejo, a Lei 8.245/91 (locações de imóveis urbanos e os procedimentos e elas pertinentes) prevê, conforme reza o inciso II, do art. 44, pena de 3 (três) meses a 1 (um) ano de detenção, caso o imóvel reclamado nos fins do pedido de despejo não seja utilizado dentro de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da entrega do imóvel, ou utilizando-o, não o faça pelo tempo mínimo de 1 (um) ano, a contar da data da ocupação. Outrossim, através de ação de cobrança, o ex-locatário poderá pleitear, a teor do que prevê o parágrafo único, do art. 44, multa equivalente a um mínimo de doze e máximo de vinte e quatro meses do valor do último aluguel atualizado ou do que esteja sendo cobrado do novo locatário, se realugado o imóvel Ações possessórias sobre bens imóveis cujo valor não exceda a 40 (quarenta) salários mínimos Compete aos Juizados Especiais processar e julgar ações possessórias cujo valor da causa não supere 40 (quarenta) salários mínimos. Como esse assunto foi cobrado em concurso? No concurso para Promotor de Justiça do Estado do MS, realizado no ano de 2013, a seguinte proposição foi considerada correta por reproduzir critério de distribuição da competência do JESP relativo às demandas possessórias: O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento de ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a quarenta vezes o valor do salário mínimo. Consoante o permissivo do art. 3º, inciso IV, Lei 9.099/95, o JESP Cível é competente para processar e julgar as ações possessórias sobre imóveis de valor não excedente a 40 (quarenta) salários mínimos. Assim, o valor da causa deverá ser fixado levando o real conteúdo econômico perseguido pela parte autora, incluindo o preço da posse e eventuais prejuízos decorrentes do esbulho, da turbação ou da ameaça. Com exceção das possessórias e do despejo para uso próprio, não são admissíveis nos Juizados Especiais as ações sujeitas a procedimentos especiais. Nessa hipótese, contudo, a demanda seguirá o procedimento previsto na Lei 9.099/95, afastando-se o rito especial das ações possessórias, previsto nos arts. 554 a 568 do CPC/2015. Logo, incabível a concessão de tutela possessória liminar sem a observância dos pressupostos da tutela provisória, seja decorrente de urgência (art. 300), seja derivada da evidência do direito postulado (art. 311, CPC/2015).